Já é tarde para destrinçar mentiras. Mais tarde será para entendermos a "verticalidade" de alguns dirigentes africanos. E mesmo fadados como estivemos, desde sempre, a viver paredes meias com África, há "teses" cuja verdade nos escapa, da mesma forma que há políticos que mais nos parecem "aprendizes de feiticeiros" cujo saber não entra na nossa percepção. O defeito é bem capaz de ser nosso.
Não há muito, Jorge Heitor trouxe à nossa consideração um artigo que é por demais "excêntrico" para o entendermos. De resto, as notas que alinha frente à curiosidade dos eventuais leitores são "polìticamente incorrectas" em quantidades de quanto baste. É que ele acentua que um Partido de Luanda - o chamado Partido Unidade e Paz para Angola (UPA) - denuncia que o presidente José Eduardo dos Santos teria planeado invadir a Zâmbia para eliminar Frederick Chiluba. É que "tão amigos que eles eram..." não parece credível a versão.
Acentua-se, afinal, a certeza de que algo estaria por detrás das notícias postas a circular acerca da captura do secretário-geral da UNITA, Paulo Lukamba "Gato". Na base dessas notícias, que já foram desmentidas, estaria o tal plano para eliminar Chiluba. Assim, a modos que a papel químico do que se teria passado, em 1997, quando as chamadas Forças Armadas Angolanas, dizendo que perseguiam forças da UNITA, na zona do Soyo e por ali perto, entraram no Congo (Brazzaville) e colocaram na presidência Denis Sassou-Nguesso, em substituição de Pascal Lissouba. Agora, a "receita" era fazer o mesmo, dizendo que perseguia um nutrido grupo de elementos da UNITA - e nutrido porque até levaria a coluna de veículos de Jonas Savimbi. Passava para o lado de lá e eliminava o seu anterior amigo Chiluba.
Talvez não seja verdade. Talvez que tudo isso não passa de boato. Mas a verdade é que há quem diga que Levy Mwanawasa (agora já presidente da Zâmbia) é tido como amigo de Jonas Savimbi, o que poderá fazer perigar os planos de Eduardo dos Santos para Angola.
Seria por isso a "cortina de fumo" em que avolumava a ideia da prisão de "Gato" e a morte de Sakala, mentiras que já foram desmentidas.
Com toda a gente em Angola a querer a paz... quem é que continua interessado na guerra? Se soubermos responder à pergunta, com verdade, teremos por aí a chave para fazer avançar um processo que já ultrapassou as fronteiras do Governo e da UNITA. E que já está nas mãos da população civil. Oxalá agora que a ONU e os Estados Unidos saibam interpretar todos estes sinais e consigam agir em conformidade.
Às vezes, dói vermos organismos como a ONU e países como os EUA a apoiarem "democratas" como Kabila e Eduardo dos Santos. Que são apenas dois dos que tentam, a todo o custo, evitar que a África avance para os caminhos da Paz e da Concórdia que abriria as portas à prosperidade e ao bem-estar das populações. Custa-nos mas... "é a vida"!
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