Toneladas de palavras. Mentiras e verdades, à compita. Rostos afogueados de expressão taciturna, alguns. Faces de vermelho-pálido a cantar loas de feitos passados, outros. E o Povo, uma vez mais, em demanda da melhoria de vida, das condições mínimas para um presente melhor, talvez com a ideia de que o futuro não seja ainda pior. São as pré-campanhas eleitorais, de matizes várias, por várias serem também as formações partidárias que almejam chegar ao Poder.
Enquanto um fala em "falência técnica" para caracterizar o estado a que chegou o país, vem o outro, logo a seguir, com o mesmo semblante a tentar dourar a pílula, mas a afirmar que... não senhor, o país nunca esteve tão bem.
Cá de longe, vemos e ouvimos. Com mágoa, na maior parte dos casos. E com a certeza de que, de facto, tudo poderia ser melhor. E como as coisas são o que são, e não se vêem melhorias de estilo ou de facto, os de fora - quase metade da população portuguesa - vai entrando num "não te rales" confrangedor que não vai a lado algum, a não ser ao cortar do cordão umbilical que os ligava ainda à Pátria-Mãe (madrasta). De resto, é até fácil o "corte". Um dos políticos mais mediáticos deste ainda Governo Português fazia autênticas campanhas de persuasão para dizer aos portugueses residentes no estrangeiro, que, "de facto o melhor era integrarem-se nos países de acolhimento".
Não era preciso dizê-lo, porque a maioria já o faz. Há menos de 200.000 portugueses residentes no estrangeiro a recensearem-se pelo sistema português.
Se um Governo cuidadoso e criterioso quiser saber, ao certo, porque é que as pessoas se estão marimbando... para Portugal, a despeito de manterem no coração a saudade bem viva, hão-de entender. Visitem a Venezuela, o Canadá e os Estados Unidos. Problemas diferentes. Comum apenas o facto de que Portugal há muito se esqueceu dos seus filhos da diáspora.
Sendo assim, esperavam o quê? Mais pessoas a recensearem-se?!
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