O Ensino de Português no Canadá, a exemplo do que acontece na maior parte dos países fora da Europa, vai de mal a pior. E vai de mal a pior, por não haver o mínimo apoio e contributo da parte do Governo Português. Para a Europa, ainda vão uns "trocados", em forma de livros, de professores, de "logística do Ensino". Para o Canadá e para o chamado "resto do mundo" nem trocados...
São, por isso, os "enjeitados da Pátria" os meninos que, filhos de pais portugueses, vão nascendo nesta parte do mundo. E se os pais não pagarem, se não tiverem dinheiro para lhes pagar o ensino do Português... lá se vai mais uma "bandeira de Portugal no mundo"...
Só que, de vez em quando, surgem casos e factos que demonstram que "nem tudo está perdido". Há dias, em London, um repórter do semanário "Sol Português" que se publica em Toronto, entabulou conversações com um jovem licenciado português interessado em ensinar Português.
Miguel Piedade, de 24 anos, e licenciado em Economia, na Universidade de London, é agora um dos professores de Português em aulas proporcionadas, aos sábados, das 9 ao meio dia, pelo London School Board.
Miguel Piedade disse que está a ensinar Português, em parceria com uma outra professora, Normélia Beirão, que, curiosamente, foi sua professora de Português nos primeiros anos. Talvez se possa dizer que é a "segunda geração" a funcionar e a fazer algo que pode ajudar a "terceira geração" a manter o Português como Língua e como Cultura.
Miguel e Normélia têm 32 alunos a aprenderem Português (pelo menos até à quarta classe). Diz acreditar que os alunos "estão a gostar, porque a nossa maneira de ensinar é atractiva e pretende não aborrecer os mais pequenos".
A directora do programa é, também uma jovem, Ana Paula Fernandes, que acaba por entender "e apreciar" a forma como o ensino está a decorrer, graças ao entusiasmo e interesse da Direcção Escolar de London.
Miguel Piedade chegou ao Canadá quando tinha 10 anos, com os seus pais, Carlos e Rosário Piedade, que lhe foram inculcando o interesse pelo Português - "falávamos sempre em Português em casa", como disse - e pelas coisas relativas às tradições. Conta ainda que nunca frequentou muito os clubes e as coisas portuguesas, já que se interessava mais pela Escola.
Terminado o Curso de Economia e a tentar acabar o Mestrado, Miguel Piedade achou que era altura de dar o seu contributo aos portugueses mais novos, embrenhando-se então no ensino de Português, apesar de estar a trabalhar num Banco canadiano, o T.Dominion. "Ao sábado, faço mais do que podem imaginar", disse à Lusa, referindo com muito interesse o nome da sua professora de há muitos anos, Normélia Beirão, que é agora sua colega, no "Heritage Program" levado a cabo pela Direcção Escolar de London.
Após a leitura deste artigo, pode enviar a sua opinião/comentário/pergunta para o autor. Fernando Cruz Gomes tentará, dentro da sua disponibilidade, responder às questões colocadas. Participe!Envie a sua opinião/questão. Será aqui publicada.