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Fernando Cruz Gomes




Apertar o cinto...


Pronto. Está dito. Ficámos todos a saber, preto no branco, que vamos ter de apertar o cinto. E mesmo assim, não sabemos ainda se não teremos de apanhar um tabefe dos senhores da União Europeia, de que também fazemos parte mas como parentes pobres. É que Durão Barroso e a sua ministra das Finanças avistaram-se com o todo poderoso governador do Banco de Portugal. E as contas... fizeram vir ao de cima um termo que, em Política, pode não ser bonito. São... contas fatais.

Para quem come todos os dias - e decerto mais ainda para quem não come - já não havia dúvidas. Como não haveria para os que põem gasolina num mini-muito-mini, pagam renda de dois assoalhados para lá vegetarem 5 bicos ou vão ao ferro velho descobrir um traste que faz falta lá em casa. Todos esses já sabiam. Como não o desconheceriam, também, noutro sentido, os que já fazem (e continuarão a fazer) férias na Côte d´Azur, compram acções do Porto e do Sporting (mais deste do que daquele, claro...) ou vão ao Gambrinos pelo menos duas vezes por semana...

As contas fatais dizem-nos, sem tirar nem pôr, que estamos a abarrotar de dificuldades e de crises. Que esperamos todos, afinal, que "Santa" Manuela - será que há uma santa com esse nome?! - faça o milagre de nos livrar, designadamente, dos maus olhados da tal Europa màzona que nos acena com o tal tabefe se ultrapassarmos os 3% no rol de um denominado critério de convergência fundamental de que só o sr. Constâncio - um rapaz muito prendado que, a despeito de ser da família "rosa" vai continuar com os "laranjas" todos... - é capaz de saber o que é.

Já sabíamos isso e muito mais. E sabíamos até a quem se deve tudo isso. O importante, agora, é fazer um acto de fé que nos faça enfrentar a tal crise multifacetada. E que nos devolvam, de uma vez por todos, um certo optimismo de nós arredio já faz tanto tempo...

Talvez nem valha a pena que Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite nos lembrem, todos os dias, que foram os malandros dos socialistas... que tiveram a culpa. É que, assim, talvez que este Governo se torne igual ao outro, que também atacava o sr. Cavaco Silva. E nós votámos por um Governo novo. Que nos aponte o caminho. Que nos fale verdade. Que nos diga que estamos (quase) falidos mas que lá no fundo... bem no fundo ainda há uma luz de esperança.

Não haverá quem nos faça isso? - Para já criou-se um grupo de trabalho, sob a tutela de Vítor Constâncio - aí valente! - para aferir (bem aferido, claro) o valor real do Orçamento de Estado do ano passado. O tal número mágico dos 3% não pode ser ultrapassado. É o limite para o défice orçamental de qualquer país que decidiu integrar o euro... Há vantagens de estarmos no Euro? Claro que há. Mas há também certas obrigações...

E digam lá... se não vamos todos "apertar o cinto"? - Todos é uma forma de dizer porque há muitos que só o apertam em determinadas ocasiões...


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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