Viva! Até que enfim! Pelos vistos, é chegada a altura de prestigiar o Conselho das Comunidades Portuguesas, que nasceu precisamente para... aconselhar o Governo em termos que tenham a ver com os chamados emigrantes. Nasceu para isso... mas ia quase abortando, sem ter resolvido coisíssima nenhuma. Todos dizem que o querem pôr a funcionar, todos se apresentam como lídimos defensores do diálogo que é preciso travar, todos se aprestam a considerar-se "pais" ou, no mínimo, "padrinhos" de uma iniciativa válida.
No antigo Conselho das Comunidades Portuguesas - e quem estas linhas traça esteve na primeira e na última reunião - ainda havia a ideia de "ouvir". O que nem sempre queria dizer "ouvir... para agir". Alegremente, porém, íamos todos pensando que estávamos a cumprir uma missão. E se é facto que, nos primeiros tempos, com Manuela Aguiar ainda se fez algo, nos últimos, já com Correia de Jesus... nada resultou. A não ser o aumentar, em fortíssimo crescendo dos desamores entre os que diziam querer ser aconselhados... e os que aconselhavam.
E de tal forma isso aconteceu que, na última reunião, quem estas linhas traça - escolhido para servir de porta-voz das comunidades - teve extremas dificuldades em gizar, nas últimas reuniões (em Albufeira, salvo erro) as recomendações. É que os conselheiros de todas as partes do mundo davam-nos como mote as mesmas... que nos deram cinco ou seis anos antes. Isto é, nada se fizera.
Houve por isso - deixem-nos contar - que dar uma valente "trepa" nos mentores do Governo que lidavam (o que quer dizer não lidavam...) com as tais recomendações e conclusões. No final, o bom do secretário de Estado, com um ar mais do que compungido, foi-se ao relator. "Você também a bater no Governo..?" Houve então que explicar ao secretário de Estado... que fosse quem fosse a servir de porta-voz... outra coisa não poderia fazer do que zurzir o Governo. Por amor da verdade. Por espírito de justiça para com os emigrantes.
Lembrámo-nos, agora, disto, quando começaram a surgir indicações de que, como disse em Paris, o actual secretário de Estado - um amor de rapaz mas demasiadamente verde em muitas coisas - o Governo pode avançar com uma proposta para a revisão da Lei 48/96, que criou o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP). Aquele responsável diz ter abordado, designadamente, no projecto de proposta, a questão da representatividade nos diversos países, o modo de eleição e a dependência hierárquica. O CCP, na sua óptica, é um órgão "a privilegiar no contexto das políticas dirigidas aos portugueses que estão no estrangeiro".
Deve haver mais órgãos, certamente. Uma vez que este será o "privilegiado". Ainda bem que assim é. Só que palavras idênticas ouvimos nós, todos, não há muito, a outros secretários de Estado. E todos vimos, também, no que é que transformaram o Conselho das Comunidades, então eleito pelo eufemìsticamente chamado "sufrágio universal". Trabalhou que se fartou. Mexeu-se. Reuniu. Só que alguém nos terá de dizer quais dos "conselhos" levados ao Governo foram tidos em consideração.
Neste Conselho que ainda mexe... e no outro que já lá vai... contam-se pelos medos de uma só mão as iniciativas que o Governo levou a cabo por sua sugestão. Só que, como somos todos "bons rapazes" e "cheios de fé", ainda somos capazes de acreditar que o "São" José Cesário vai fazer "milagres"! E ele não vai... De qualquer modo... Deus o ajude. E que essa ajuda nos não falte a nós, também.
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