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Fernando Cruz Gomes




Defender o... indefensável


O Orçamento rectificativo que o Governo fez aprovar na Assembleia da República, deve ter sido, de facto, um tormento para o Partido Socialista, que suportava o anterior executivo. Um tormento que, no entanto, é bem capaz de ter sido recebido, bem no íntimo de cada parlamentar "rosa", com um misto de alívio. É que, de facto, a partir de agora, pode acontecer que o Governo deixe de mimosear os deputados "rosas" com tantos e tão intragáveis epítetos. Foram muitos, de facto. O Governo e, mais ainda, o povo, quando tiver de tomar os comprimidos que... tem de tomar.

É que foi dito, alto e bom som - e nisso parece que Manuela Ferreira Leite não as corta - que se fizeram despesas que não estavam orçamentadas. Como foi dito que o Governo "rosa", já depois de saber que entrara em gestão... endividou ainda mais o Governo, criando mais postos de trabalho (muito perto de um milhar). Imaginem que a tal "dama de ferro" à portuguesa disse aos deputados socialistas que eles não eram nem incompetentes nem ignorantes, motivo por que sabiam que o país estava a entrar em derrapagem económica. E se o sabiam... fizeram o jogo irresponsável de deixar andar.

Manuela Ferreira Leite disse isto, na altura, com o ar mais natural do mundo. Olhando a cara de todas as suas "vítimas", com especial realce para os que ocupavam, no Governo de Guterres, as pastas que têm a ver com as Finanças e a Economia.
Dizem os Jornais que o líder parlamentar socialista, já que não podia defender o indefensável... atirou-se para a frente, com dichotes mais ou menos sem nexo. Chamou à ministra incompetente - ele disse que ela não tinha competência, o que vem a dar no mesmo... - e outros nomes assim.

Tirando estes mimos, é de elementar dever fazer nota de que este orçamento é duro. Vai mesmo gerar muita controvérsia e alguma contestação. O que não pode é deixar de ser cumprido. Sob pena de nos atolarmos ainda mais neste lodo... movediço em que nos deixaram.

Há verdades que têm de ser ditas e, de facto, o bom do sr. Guterres, com o seu desejo de agradar a gregos e a troianos, foi distribuindo dinheiro a torto e a direito. Não gostava da contestação. Pensava ser assim que se governa. Entendia mal a "verticalidade de princípios" que devem nortear uma governação consciente.Com os dinheiros da União Europeia... sentiu que poderia bancar de rico. Houve a nítida fúria despesista.

Para já, o Orçamento rectificativo - e a defesa que dele faz a ministra Manuela Ferreira Leite - parece demonstrar que a situação do país é demasiadamente grave para ser "curada" com paninhos quentes.
E no meio disto tudo é ainda de admirar que reajam tão mal... os socialistas que estiveram no Governo do sr. Guterres na área da Economia e das Finanças. Deveriam pedir desculpa ao povo pelos erros cometidos e estão, no fundo, a tentar defender... o indefensável.

O povo teve a razão em remetê-los para a Oposição... que eles, pelos vistos, também não sabem ser.


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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