1 de Julho. Dia do Canadá. Da Confederação, com a data de 1 de Julho de 1867, para além da evolução histórica das províncias e dos territórios. Dia do Canadá, em que, na Colina do Parlamento, em Otava, o Governador Geral, o Primeiro-Ministro, à frente de milhares de canadianos se juntam para vitoriar o País e as suas Gentes. O tema deste ano pretende cantar "50 anos de realizações". Uma excelente oportunidade para lembrar as instituições canadianas, bem como vitoriar os nossos feitos e inovações na Cultura, na Ciência, na Tecnologia e (até) no Desporto. O Canadá tem de facto razões para celebrar. A 1 de Julho que está à porta.
No Dia do Canadá, quando o Julho começar, espreitando o além que nos há-de dar o Dezembro do fim do ano, dêem-me um tambor e um balão. Não me perguntem porquê, mas eu vou andar por aí a cantar loas ao País que também é meu e vitoriar a lembrança e ideia de quantos por cá se entreteram a fazer uma Pátria grandiosa. Sou capaz de falar nos que já cá estavam quando os Vikings vieram e nos que saudaram os Cortes Reais e os Cartiers. Irmanarei, se o engenho e a arte mo permitirem, tudo e todos no mesmo abraço. Que todos o merecem, perdidos os nomes mas preservando a essência. Todos os merecem. Os dos tempos remotos e os outros. Os que já se libertaram da lei da morte e os que por cá andam.
O Canadá é grande. Rico. Poderoso. Cheio de força. Cheio de Raiva... para crescer ainda mais. Para avançar no emaranhado das situações de guerra, nas quais vai estender a sua pomba da paz. Para inventar remédios para os males de muitos. Para crescer sem arrogância e testar pontes para aqueles que detêm o mando e os outros que são mais do que mandados.
O Canadá é, de facto, um país gigante... feito por gigantes.
Dêem-me, por isso, um tambor e um balão. No tambor eu farei rufar a satisfação que vejo no olhar de quantos, já velhos ou ainda meninos, entendem o País como uma barca que importa fazer singrar no mar encapelado das intempéries. No tambor... eu incluirei - se me derem licença, claro - os arquinhos e balões da Lisboa que também veio e os cornetins do tamanho de uma légua que os tibetanos fazem ecoar, quando estão felizes. E os outros, todos os outros, que o meu dicionário não comporta, mas que o meu coração ainda vê. No tambor, eu farei rufar a alegria de viver num País Multicultural. Que só é Canadá, na sua essência e no cadinho que transforma povos de todas as outras raças em canadianos... puros como os demais. Que só é Canadá no amor à terra... que não tem paralelo no mundo, já que lhe foi emprestado - melhor dizendo, doado - pelos nacionalismos de outras zonas que aqui se transformaram na fábrica que o Multiculturalismo criou e fez prosperar...
Do balão... espero eu que me deixe voar até às lonjuras que a vista não alcança. Que veja - de ontem e de hoje - os Vikings. E os outros Povos. Os Portugueses. Os Franceses. Os Ingleses. E tantos outros de tantas outras origens... que vieram para dar as mãos aos que cá estavam... e fazer uma Nação. Esse balão há-de subir alto e espreitar Chipre e Bósnia, Afeganistão e Israel, onde os soldados de hoje... tentam manter a Paz. É a Paz que o balão me vai permitir ver. A Paz de hoje e aquela que ainda estamos... a construir.
Dêem-me, por isso, um tambor e um balão. É com eles que, mìsticamente embora, eu vou cantar a minha canção de vitória no país grandioso onde vivo. Feito de muitos outros países. Argamassado com sangue, suor e lágrimas... mas virado a uma unidade que só os grandes povos conseguem caldear. Os grandes povos e os grandes dirigentes. Onde surgem, de quando em vez, um Pierre Trudeau e um Mc Donald. Que puxam dos galões... e dizem a este Povo, feito de tantos povos, que o Canadá é grande e rico e poderoso, sem deixar de ser magnânimo e tolerante e agradecido.
1 de Julho. Dia do Canadá. No Jornal... dizem-me que é importante escrever algo sobre o "Dia do Canadá". E eu, que tenho febre e olho o além já com a visão algo turba, não sei que mais dizer. Se me derem, porém, o tal balão e o tambor... eu sou capaz de ir buscar forças à minha fraqueza e cantar, bem alto, o que vejo do balão omnipresente e do tambor... que ainda se não calou.
Bom dia, Canadá.
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