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Fernando Cruz Gomes




"Limpeza étnica" na CPLP?


Não restam dúvidas. Esta menina vai longe. Não sabemos, ao certo, com quem aprendeu. Mas... começou bem. De tal forma que a sua acção à frente da CPLP já é apelidada de "limpeza étnica". Pelos vistos, para além do mais, não gosta de Portugueses à sua volta e como não gosta, vá de despedi-los. Chama-se Dulce Pereira, é brasileira de nacionalidade e esquece-se, pelos vistos, de que CPLP quer dizer Comunidades dos Países de Língua Portuguesa. E que, entre estes, Portugal tem papel a desempenhar. Talvez - se isso lhe agrada - não maior do que os outros, mas mais pequeno também não.

Esta "limpeza étnica" está a causar um certo mal-estar, o que, pelos vistos, e a avaliar pelo que diz, designadamente, Carlos Albino, no "Diário de Notícias", está a provocar um autêntico reboliço na sede da organização. Secretária executiva da CPLP, a senhora em causa acha que pode continuar a acumular o cargo de Presidente de uma Fundação chamada Palmares e aí, pelos vistos, é que reside o problema. É que a Fundação parece pôr e dispôr, agora, naquela organização plurinacional.

A sucessora do angolano Marcolino Moco achou melhor pedir ao Governo de Lisboa para colocar noutros postos três assessores portugueses, já depois de ter despedido duas secretárias também portuguesas. Naturalmente que, para preencher aqueles lugares, a eficaz Dulce fez entrar sete elementos brasileiros, dois dos quais ainda nem sequer têm o seu estatuto aprovado, encontrando-se na capital lisboeta como se turistas fossem. Quanto aos "novos" elementos, nem sequer se deu ao trabalho de fazer concursos públicos como era curial que fizesse e como estipula a lei da organização.

Portanto, está visto. A senhora secretária executiva... executa a seu belo talento o que acha melhor (para quem?!). Angola, Brasil e Portugal iriam dar seis assessores para o Secretariado? Pois... iriam.
Para já, entre os seis, ela quer impôr 5 brasileiros. Talvez por que o país é maior e tem mais população... talvez porque Dulce Pereira não gosta dos portugueses, talvez...

E, no entanto, Dulce Pereira disse, ainda em Maputo, quando da aceitação do cargo, que iria pôr em prática todo um sistema de rigor e transparência. O rigor está à vista. A transparência... também!

E tão transparente é a sua acção que - conforme refere aquele correspondente diplomático do "Diário de Notícias" - o primeiro projecto de cooperação aprovado por Dulce Pereira foi apresentado pela Fundação Palmares (a que ela própria preside), além de incidir numa acção da área da saúde implicando o Brasil e a Jamaica, Estado este que não consta no elenco dos países lusófonos.

Querem mais transparência do que esta? - A menina vai longe... lá isso vai!


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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