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Fernando Cruz Gomes




Bolonices & Jardelíndices


Para que não digam que não falamos de futebol... aí vai a bola para a grande área do estádio imaginário de um Portugal cada vez mais imaginário. A bola tocada e trocada como quando ganhávamos... moralmente. Quando havia Ottos Glórias e Belas Gutmans a encherem o imaginário de todos nós com a imagem de que tínhamos... um bom futebol. Que fez o 66 mas não deixou de fazer também o 2002 e o tal Saltillo da nossa angústia.
Falar de Futebol, hoje, é igualmente falar da Jardelândia em que se transformou o romance de ódio e amor protagonizado por um jogador que veio das terras de Vera Cruz e que, mesmo sem jogar quase nada, faz golos que se farta. Falar de Futebol é estar, cá fora, como treinador de bancada... a dizer que aquele Boloni, coitado, não percebe nada da poda...- e tanto assim é que substitui avançado por defesa quando está ainda a perder e defesa por avançado quando a bola já entrou umas quantas vezes na baliza dos outros...
Isso é também falar de Futebol.
Pois... mas Portugal anda (para não dizermos está...) louco com a literatura do sr. Boloni e do sr. Jardel. Mesmo sem números reais que mudam todas as semanas, não deixamos de dizer que nos últimos tempos o escritor sr. Boloni deve ir à frente na venda dos livros. E o sr. Jardel, escritor de nomeada, vai no seu encalce.
Valha-nos um burro aos coices e outro aos pinotes.
O sr. Boloni, que até nos parece um bom treinador de futebol, joga com a pena - hoje já nem pena há... - de tal forma que já vendeu para cima de 30.000 exemplares de umas notas que vai rabiscando em bloco, quando deveria estar mais atento às jogadas dos senhores que por lá andam a tratar mal a bola e o relvado. E o sr. Jardel começou primeiro e fez obra de truz. De tal forma que o seu livro vendeu como pão.
Bolonices e jardelíndices.Um povo como o nosso aceita tudo. Um povo como o nosso até parece esquecer que tem um Prémio Nobel da Literatura - será que ele vende, em três meses... 30.000 exemplares? - e que há Eças e Ramalhos numa prateleira mística da nossa Literatura.
Vivó! O que conta são, de facto, as bolonices. Até são capazes de dar jardelíndices...
Ah, para que não fiquem dúvidas, quem estas linhas traça é adepto do Sporting, desde sempre, e tem filhos que, navegando nas mesmas águas, são, no entanto, mais doentes. Ouvem, a toda a hora... aquela pessegada da JuveLeo - que, nem de poema nem de música tem pés e cabeça - e gritam, a plenos pulmões, quando vão ao Futebol, ali no Elite da esquina, um café rumorejante que aceita todos.
Irra! Irra! Irra! Os deuses de Portugal e do seu Futebol devem, de facto, estar loucos!


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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