Um programa assim, como o título faria supôr, seria do maior interesse para os portugueses residentes no estrangeiro. Cumpriria, certamente, um dos objectivos do que hoje chamam serviço público de Televisão. Como tem vindo a ser produzido... não é mais do que macaquear uma situação, dar duas voltas ao bilhar grande de arquivos e de reciclagens de imagens... e por aqui me fico que não há dinheiro para mais...
Pena. Até porque a técnica usada, os meios de que a estação televisiva estatal dispõe, seriam mais do que suficientes para fazer trabalho de truz, servindo as comunidades, dando-lhe algo de uma triangulação de Informação, que esteve na base da criação da RTPi.
Na última edição desta coisa que chamamos RTPi... falou-se de tudo menos das comunidades. É evidente que se levantaram problemas que, directa ou indirectamente, têm a ver com elas. Mas... não se cumpriu o que no "promo" da programação em causa se diz. Mais do que isso, fez-se - faz-se, melhor dizendo - publicidade dolosa, ao dizer-se que onde estiverem os eventos das comunidades... aí estará sempre um repórter... do RTPcomunidades.
Ouvimos coisas mais ou menos interessantes acerca da remodelação consular que o Governo quer fazer. Deu-se a versão do Sindicato do Pessoal dos Consulados e Embaixadas. O Luxemburgo esteve em foco com imagens de arquivo e o embaixador a ser entrevistado pelo telefone. Houve uma notícia de cidadã portuguesa acusada, na Suiça, de por negligência ter deixada a filha morrer. Mais um cidadão português que foi assassinado na Venezuela. As dificuldades de se fazer Lusofonia em Timor-Leste estiveram em foco. Tudo em notícias "globais", se assim nos podemos expressar. Como "global" será a história - emotiva, se quiserem... - de uma cidadã portuguesa, de Lisboa, que foi para Israel.
O tal repórter, que está em todos os eventos das comunidades, não apareceu. Ou melhor, teria aparecido com uma peça que a CFMT injectou acerca dos 150 anos da igreja de Santa Maria, de Toronto. Pouco. Muito pouco parar uma hora de antena.
Até há pouco, a RTPi estava-se marimbando para as comunidades. Pensavam os todo poderosos senhores da 5 de Outubro que "aquela malta, coitadinha, o que quer é que lhe digamos o que se passa em Portugal". E não fazia nada pela emigração. A RTP, na sua vertente internacional, existe em grande parte porque existem comunidades. Esqueciam-se disso.
E hoje?! - Pois, hoje, como não hádinheiro... e temos todos de apertar o cinto... as coisas parecem ainda piores. A não ser que RTP comunidades - que seria o único programa para as comunidades, já que os outros são de características globais - tenha agora uma filosofia diferente, também ela mais global. E isso significaria tão sómente que a "RTPcomunidades... sem comunidades" não serve nada nem ninguém...
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