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Fernando Cruz Gomes




De Bali a Bagdad


As notícias das últimas horas dão conta de que Saddam Hussein, o "senhor de Bagdad", ganhou as "eleições" com 100% dos votos. É uma "votação" maciça que deveria fazer pensar. Como deveria fazer pensar a afirmação, até aqui expendida, pelos dirigentes da Indonésia de que... Bin Laden não tinha nem apoiantes nem seguidores no conjunto das ilhas que fazem da Indonésia... o maior país muçulmano do mundo.

O recente atentado terrorista em Bali começou já a mudar muitas das coisas que até aqui se diziam. Mas trouxe ao de cima uma que é comum à esmagadora maioria dos países do mundo. É que é cada vez mais necessário melhorar toda a estratégia do combate global ao chamado terrorismo.

Porque, de facto, não há nem países nem regiões livres do flagelo, porque o terrorista é um produto de uma sociedade algo permissiva, porque, ao semear o terror, consegue somar por vitórias muitas das eventuais derrotas. Importa, assim, que o mundo livre deixe de se intimidar, mande às malvas determinados pruridos e tente agir em conformidade. O chamado "mestre do terror" - Bin Laden ou outro - não desarmou. E os atentados no Iémen e na Indonésia provaram que as contas ainda se não fizeram nem farão tão depressa.

Uma cada vez mais certa intervenção no Iraque não vai, de forma alguma, cortar cerce o braço do terror. Bem ao contrário, é capaz de espicaçar a célula do mal que, do Afeganistão em guerra, foi escorrendo para muitos outros países. E o pior é que o tal Saddam Hussein ainda vai fazendo destas coisas, ou seja, ainda vai pôr os media a falar na sua "estrondosa vitória" dos tais 100%.
Achamos, cada vez com mais vigor, que ele e os seus apaniguados estão nitidamente a gozar com o mundo...

Há, de facto, uma rede global de terrorismo. Soprada ou não, ainda hoje, pelo tal Al Qaeda, a verdade é que tem tentáculos que ninguém ousaria supôr. Tentáculos que será difícil cortar numa só geração. De resto... o terror, assim implantado, em jeito de guerrilha quase permanente, é bem capaz de se não vencer. Dizem-nos até que a tal guerrilha... nunca foi vencida com as armas convencionais. Fazer o combate em várias frentes é capaz de ser solução. Mas esse combate não pode ser só de armas na mão. Quando os "braços" armados do "mestre de terror" tiverem satisfeitas algumas das suas necessidades básicas... decerto que pensarão duas vezes antes de se imolarem armadilhados, ou não irão tâo à vontade para as fileiras do combate.

De qualquer modo, ceder à chamada chantagem do terror não é mais do que perder terreno no tal bom combate que importa travar. A estratégia concertada de combate ao terrorismo moderno - que usa as mesmas armas psicológicas de há muitas décadas - é absolutamente essencial. Combater o mal não pode ser por "impulsos ocasionais", mas antes terá de ter uma estratégia séria e actuante. Que, no nosso ponto de vista, terá de ser concertada... no concerto das Nações.

Ir a Bagdad e dar dois tabefes no sr. Saddam - que agora diz ter ganho as eleições com 100% dos votos - não vai acabar com o terrorismo. Pelo contrário, é bem capaz de "enfurecer" ainda mais os vários "mestres do terror" que se espalham por todo o mundo, de Washington a Moscovo, passando, então, também por Djakarta e Berlim. O ir a Bagdad, numa estratégia conjunta organizada pela ONU, e sancionada pelo respectivo Conselho de Segurança, é bem capaz de ser "parte da solução". Mas só resulta... se houver outros meios de combate e outras atitudes gobais. Que não se visionam, por enquanto.


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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