De "palerma" em "palerma"... a política portuguesa parece estar a sofrer tratos de polé. Entraram em cena figuras de segundo plano, que não têm estofo para levar de vencida as tentações que o homem (ou a mulher, claro) sente quando vê... que o caldo se vai entornando em cada dia que passa, mercê de uma conjuntura que é tudo... menos brilhante.
Primeiro o sr. Ferro Rodrigues, que era tido por alguns, um homem sensato, entra em derrapagem com aquela de chamar "palermas" - com todas as letras - aos seus antagonistas do outro lado da barricada. Ora... de palermas estamos nós fartos e não nos repugna aceitar que ele, o líder socialista é capaz de estar em primeiro lugar na tabela dos "palermóides" que vamos tendo na política.
Aliás, se acreditarmos no que alguns analistas já dizem - designadamente o sr. Vasco Pulido Valente, no Diário de Notícias - o sr. Ferro começa a ter a "mania da perseguição". Isto é, pensa que todos os males que lhe acontecem, a ele ou ao seu partido, são filhos das tentativas daqueles malandros do Governo (e não só) em o quererem deitar abaixo. A ele... tão sensato e tão bom!
Ora, o líder oposicionista jáse deu conta, certamente, que no tempo da "outra senhora" - com o sr. Guterres a governar ou a deixar-se governar - tudo de mau aconteceu a Portugal. Mesmo criticando o actual Governo por continuar a fazer vir ao de cima os fantasmas que o sr. Guterres não conseguiu enterrar, não deixamos de reconhecer que os socialistas que estiveram no Governo anterior deveriam còrar de vergonha... agora que se vai descobrindo como estava a Nação. E foram eles, afinal, que fizeram com que agora todo o povo vá sofrer o "apertar do cinto" que a sra. Manuela Ferreira Leite já começou a exigir.
Há que entender estar o sr. Ferro numa posição de fragilidade. Está já a armar-se em vítima, o que não augura nada de bom para quem quer ser, muito em breve, e de novo, parte do Governo. Armar-se em vítima e fazer queixinhas - se não puder ser a mais ninguém, pelo menos na Televisão - não parece de quem esteja de verdadeira saúde.
Quando, no último 10 de Junho, em Beja, o sr. Ferro Rodrigues, nos concedeu dois ou três minutos de conversa, ouvimo-lo por três vezes começar uma resposta com uma pergunta. "Então e que é que quer... que eu faça?" Realmente... nós não queremos nada. Queremos, apenas, que ele se comporte como uma pessoa de bem. Sem "palermices" nem "queixinhas". Que seja verdadeiramente o chefe da Oposição. É que Portugal precisa, efectivamente, de um bom Governo, mas... talvez precise nais ainda (como se verá em breve) de uma oposição a sério. E séria. Que, pelos vistos, ainda se não encontrou.
Será que o sr. Ferro tem saudades do Governo? Será que certas "lições do menino Tonecas" - um programa janota que havia na RTP - lhe subiram à cabeça? É que o Tonecas tinha sempre resposta para tudo... quando mais não fosse com as confusões que fazia. Só que ele, pelos vistos, nunca chamou "palerma" ao professor...
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