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Fernando Cruz Gomes




As lições do menino Tonecas


De "palerma" em "palerma"... a política portuguesa parece estar a sofrer tratos de polé. Entraram em cena figuras de segundo plano, que não têm estofo para levar de vencida as tentações que o homem (ou a mulher, claro) sente quando vê... que o caldo se vai entornando em cada dia que passa, mercê de uma conjuntura que é tudo... menos brilhante.

Primeiro o sr. Ferro Rodrigues, que era tido por alguns, um homem sensato, entra em derrapagem com aquela de chamar "palermas" - com todas as letras - aos seus antagonistas do outro lado da barricada. Ora... de palermas estamos nós fartos e não nos repugna aceitar que ele, o líder socialista é capaz de estar em primeiro lugar na tabela dos "palermóides" que vamos tendo na política.

Aliás, se acreditarmos no que alguns analistas já dizem - designadamente o sr. Vasco Pulido Valente, no Diário de Notícias - o sr. Ferro começa a ter a "mania da perseguição". Isto é, pensa que todos os males que lhe acontecem, a ele ou ao seu partido, são filhos das tentativas daqueles malandros do Governo (e não só) em o quererem deitar abaixo. A ele... tão sensato e tão bom!

Ora, o líder oposicionista jáse deu conta, certamente, que no tempo da "outra senhora" - com o sr. Guterres a governar ou a deixar-se governar - tudo de mau aconteceu a Portugal. Mesmo criticando o actual Governo por continuar a fazer vir ao de cima os fantasmas que o sr. Guterres não conseguiu enterrar, não deixamos de reconhecer que os socialistas que estiveram no Governo anterior deveriam còrar de vergonha... agora que se vai descobrindo como estava a Nação. E foram eles, afinal, que fizeram com que agora todo o povo vá sofrer o "apertar do cinto" que a sra. Manuela Ferreira Leite já começou a exigir.

Há que entender estar o sr. Ferro numa posição de fragilidade. Está já a armar-se em vítima, o que não augura nada de bom para quem quer ser, muito em breve, e de novo, parte do Governo. Armar-se em vítima e fazer queixinhas - se não puder ser a mais ninguém, pelo menos na Televisão - não parece de quem esteja de verdadeira saúde.

Quando, no último 10 de Junho, em Beja, o sr. Ferro Rodrigues, nos concedeu dois ou três minutos de conversa, ouvimo-lo por três vezes começar uma resposta com uma pergunta. "Então e que é que quer... que eu faça?" Realmente... nós não queremos nada. Queremos, apenas, que ele se comporte como uma pessoa de bem. Sem "palermices" nem "queixinhas". Que seja verdadeiramente o chefe da Oposição. É que Portugal precisa, efectivamente, de um bom Governo, mas... talvez precise nais ainda (como se verá em breve) de uma oposição a sério. E séria. Que, pelos vistos, ainda se não encontrou.

Será que o sr. Ferro tem saudades do Governo? Será que certas "lições do menino Tonecas" - um programa janota que havia na RTP - lhe subiram à cabeça? É que o Tonecas tinha sempre resposta para tudo... quando mais não fosse com as confusões que fazia. Só que ele, pelos vistos, nunca chamou "palerma" ao professor...


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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