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Fernando Cruz Gomes




Descem as remessas da Emigração... e ninguém quer saber porquê


Os números de que dispomos dizem que as remessas dos chamados emigrantes portugueses desceram10,8%, nos primeiros nove meses do ano que mandámos agora para a mansão onde os séculos dormem.

De facto, os portugueses residentes no estrangeiro enviaram para Portugal 9,3 milhões de euros diários nos primeiros nove meses deste ano. O que significa, afinal, uma quebra de 10,8% em relação a igual período de 2001. De acordo com dados divulgados pelo Banco de Portugal, os portugueses radicados no estrangeiro enviaram um total de 2,5 mil milhões de euros neste período.

Portanto, descem as remessas dos chamados emigrantes. E ninguém sabe porquê. Ou melhor, sabe-se porquê... mas ninguém o quer dizer.

Hão-de dizer-nos, quando tiverem tempo - o que nunca vai acontecer, porque os nossos governantes andam muito ocupados com outras coisas... - o que é que da parte do Portugal-"mãe" foi feito pelo outro Portugal... que nós formamos cá fora. O que é que nos dão. Qual a fatia do bolo total destas remessas que nos entram, de novo, no bolso. Isto, claro, sem esquecer que muitos dos que enviam dinheiro o fazem para solver compromissos seus... da sua própria vida. O que, de qualquer modo, não invalida em nada o raciocínio...

Dizem-nos, também, que a França é a principal fonte de remessas para Portugal, com 934,7 milhões de euros. Desceu 1,6% relativamente ao ano anterior. Na Europa, foram os portugueses radicados na Suíça que protagonizaram o maior aumento no volume de remessas. Passaram de 517,3 milhões de euros para 536 milhões.

A senhora Dona Europa a funcionar. E a enviar mais dinheiro para Portugal. O que também se compreende. Se fizermos as contas ao que se recebe, em contrapartida, noutros pontos do globo... em matéria de apoio por parte de Portugal... entende-se que seja a Europa a enviar mais. Mesmo não tendo tudo o que precisa - e não tem - a Europa, com a França à cabeça, tem incomparàvelmente mais do que o Canadá, os Estados Unidos, a Venezuela. Ou não será assim?

O que se faz pelo ensino de Português na Europa não tem comparação com o que se faz fora da Europa. Idem... no que se gasta em projectos de incentivos às associações ou no apoio à terceira idade. Para falar apenas em alguns dos sectores.

Portugal discrimina, de facto, os Portugueses fora da Europa. Discrimina, no fundo, todos os Portugueses que sairam das fronteiras nacionais. Dá a uns muito mais do que dá a outros. E em termos de apoio moral - que às vezes é disso que se trata - Portugal esquece os seus filhos que se espalharam pelo Mundo. Trata-os como enteados. E mesmo como enteados... são mal tratados.

Assim, entendemos que baixem as remessas dos emigrantes. Que é que esperavam?


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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