Para quem gosta de Portugal - e não haverá nenhum Português que não tenha um fraquinho pela mãe-pátria, que é, por vezes, madrasta... - o que, de momento, se está a passar é de fazer arrepiar os cabelos. E não é só o facto da Imprensa falar em crise. E crise multifacetada. É, sobretudo, o não-te-rales quase geral. Porque, pelos vistos, tudo parece correr nos melhores dos mundos, como se essa tal crise... não comesse à mesa com o povo, não dormisse com ele, lhe não dessorasse as energias.
Crise? Crise multifacetada? Se ainda houvesse Parque Mayer e se por lá ainda se fizessem revistas à portuguesa... era certo se sabido que o assunto saltava para lá. Assim, nem o povo fala muito (embora sofra no pelo) e nem o Governo se preocupa. Idem... para a Oposição... já que, mesmo barafustando, não entende o sumo da crise que lhe passa um pouco ao lado.
Alguém dizia, não há muito, que o País - para este caso, leia-se PS, que tem gente sua em todos os orgãos do Poder - precisava de
ministros. Ministros que governem. Que se multipliquem em estudos para resolver os problemas que afectam a população. Mesmo depois das férias... os ministros ainda se não encontraram para resolver o muito que têm a resolver. É que, de facto, o Governo que Portugal ainda vai tendo não parece querer agir na maior parte dos casos que se pôem a todos nós. Em vez de agir... só consegue reagir, como anota Paulo Portas que, pelo menos de momento, é o "enfant terrible" da nomenclatura, batendo a todas as portas, surrando todas as crises e apontando caminhos que ninguém ousa trilhar.
Este Governo é, de facto, uma crise pegada. Enreda-se em questiúnculas internas. Vocifera contra a oposição que, por acaso, até
nem faz grande trabalho. Corre atrás de situações que vão crescendo.
Nos últimos cinco anos, este Governo que se dizia de "terceira via" não foi além de uma quarta escolha que o Povo Português fez... e
quando assim é, nada mais há a esperar.
Há quem se interrogue sobre se valerá a pena deitá-lo abaixo.
Pergunta-se quem virá a seguir. Cá de longe, e pelo pouco que vamos anotando... tudo é capaz de ser melhor do que a situação em que estamos. É que... não fazer nada e andar a reboque de acontecimentos é bem capaz de ser pior do que... fazer uma ou outra asneira e uma ou outra coisa boa. Não fazer nada e só reagir... é menos do que nada. E sempre há-de ser melhor... dar o tal salto no escuro, escolhendo um Governo diferente.
O sentido de Estado anda, de facto, arredio deste Governo que Portugal tem. E isso é tão visível que, ainda há bem pouco, o sr.
Guterres disse, em reunião magna dos seus pares e camaradas... que mesmo que houvesse necessidade de remodelar não o faria porque teria de ir contra os camaradas do Partido. Triste. Realmente triste. São muitos os ministros... mas poucos os que realmente dirigem coisas.
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