O ano escolar, mesmo para as crianças portuguesas e luso-canadianas de Toronto, está aí. Quais "pardais de calções", como o Poeta diz, os meninos desta parte do mundo estão a começar a calcorrear as mesmas ruas e a sentar-se nos mesmos bancos do ano transacto. De ar circunspecto, uns quantos, mais irrequietos e metidiços, outros. Todos, de uma forma geral, algo aborrecidos, mesmo sem saber porquê...
De uma forma geral, o ensino de Português entre nós é pobre. E pobre ficará se o Governo de Lisboa continuar a senda da discriminação (outro termo não há) que o faz dar "tudo" aos meninos portugueses da Europa, França, Luxemburgo e Alemanha incluídos, e "nada" (ou quase nada) aos outros meninos residentes nos países fora da Europa.
Para os Portugueses residentes no chamado "resto do mundo" há apenas uma opção. Se quiserem que os seus filhos aprendam Português, é só pagar. Ou os ensinam em casa - e nem todos o podem fazer - ou, então, pagam a organizações particulares e a clubes que "fazem" Escolas em salas de aula que pertencem ao sistema escolar canadiano.
Para cá, o Governo Português - este ou os outros anteriores - exige, como prioridade e objectivo final, que os Portugueses se
integrem no viver geral do país de acolhimento. Mantém ainda o apelo a que preservem a Língua Portuguesa. Talvez a Cultura. Possìvelmente as tradições. Que sirvam de Bandeira, em suma.
Só que os pais já começam a estar cansados de pagar para tudo. E os filhos, esses espreitam apenas a possibilidade de deixar de lado o Português. É mais fácil. É que, de uma forma geral, quando chegam aos bancos das eufemìsticamente chamadas "escolas portuguesas", já levam consigo um dia de escola canadiana. Estão também cansados e... desmotivados.
Para quando uma solução? Será que ela chega apenas quando já não houver meninos e pais interessados no ensino de Português nos países fora da Europa? São, no fundo, perguntas inquietantes.
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