ARTIGOS DE OPINIÃO
PortugalEmLinha logo



Pássaros e Padres


A "estória" que passo a transcrever resumidamente foi narrada pelo padre Alfredo Medeiros e publicada num jornal das nossas ilhas...

Aconteceu que um camponês, ao regressar do trabalho na sua "terrinha", descobriu um ninho de passarinhos que, naquele momento, encontravam-se sozinhos, visto que os pais andavam longe à procura de alimento p'ra eles.

Num gesto de doçura e compaixão, motivado pela ideia em fornecer melhor abrigo contra o frio, vento e chuva, o camponês decidiu levar os passarinhos p'rà sua casa. E, com todo o cuidado, pegou no ninho e, já em casa, meteu-os numa gaiola.

Claro que, decorrido algum tempo, os pais dos passarinhos voltaram à árvore, onde tinham construído o ninho e notaram imediatamente que os "filhinhos" tinham desaparecido.
Preocupados e aflitos, pai e mãe entraram a voar por todas as bandas, dias e noites seguidas, até que -- finalmente -- passaram pela casa do camponês e viram lá os filhos na gaiola.

Atraído, certamente, pelo alarido dos passarinhos, o camponês chegou-se a eles e, novamente, num gesto ingénuo provocado pelo seu coração, ao testemunhar este "encontro", o camponês decidiu meter os "pais" na gaiola e dar liberdade aos "filhos".

Afinal, pensou o camponês, se os pais tiveram o cuidado em procurar os filhos, gostaria de saber como é que estes irão agradecer o amor dos seus progenitores... E, agarrando os pais, meteu-os dentro da gaiola e, seguidamente, pegou nos tais passarinhos (filhos), que estavam na gaiola, e lançou-os em liberdade. Estes, sem olharem p'ra traz, levantaram voo e voaram p'ra longe, perdendo-se na distância.

E, ainda hoje, os pais esperam o regresso dos seus filhos...

Terão eles voltado pelo Natal que, há poucas semanas, tivemos a felicidade de celebrar, sem gaiolas, na companhia das nossas famílias, aqui, em terras da emigração?!

A outra "estória "que quero "contar" é muito mais pessoal e directa, pois que se relaciona com dois "grandes" amigos meus e meus "irmãos" no sacerdócio, com quem convivi, durante largos anos, no Seminário dos Açores em Angra.

Trata-se do padre frei Raúl de Jesus, director da Casa do Gaiato em S. Miguel, o qual foi meu contemporâneo em Angra, e que descreveu o seguinte, num jornal das nossas ilhas, àcerca do padre Silvino Amaral, meu colega de curso de 1958, e desde essa data (há já quase quarenta anos!), pároco da freguesia da Ribeira Quente, cujo patrono é S. Paulo.

Julgo não errar, quer na data da nomeação pastoral do padre Silvino, quer no nome do padroeiro da Ribeira Quente...
Assim, no transacto mês de Dezembro, discorria frei Raúl de Jesus:
"Aquando da catástrofe da Ribeira Quente falou-se de tudo e de todos. Quem cumpriu. Quem chegou tarde. Muita coisa. E nunca ouvi falar do padre da freguesia. Admirei-me porque o conhecia desde os tempos do seminário e sabia que não era homem para ficar quieto.
Estranhei e fui observando e ouvindo. Presidentes da República, do Governo, da Câmara. Ministros e muita, muita gente. Do Padre da terra, nada. Estranhei.
Pois é. Quando aparece um padre a fazer disparates, toda a comunicação social bate com a língua nos dentes. Parece que há um firme propósito de se denegrir a figura do padre. Da Igreja.
Não é só parece. É mesmo!
Quando o padre vai na proa dos acontecimentos. Quando cumpre. Quando se sacrifica. Quando é padre, silencia-se. Tapa-se. Esconde-se. Não se fala. Parece de propósito. E é!
Bravo, padre Silvino! Já te dei aí mesmo um abraço, muito forte e sentido, e aqui vai outro. O padre hoje não é querido na sociedade. É só o político. O partido.
Foste. Fizeste. Estiveste. Que importa se não te fizeram justiça, se te esconderam? Deus vê tudo e é quem recompensa.
Desculparás, meu caro leitor, vir com parangonas sobre um padre, mas como tantas vezes a comunicação social só vem com escândalos de alguns, eu venho com o bem de um PADRE, com letra grande". P'ra vocês, frei Raúl e padre Silvino, um abraço deste vosso irmão, colega e emigrante! Que Deus vos acompanhe, agora e sempre!


Pe. José A. Ferreira
Azorean@yahoo.com

Após a leitura deste artigo, pode enviar a sua opinião/comentário e debater com o autor as opiniões aqui expressas
Participe no debate! Envie a sua opinião. Será imediatamente publicada.

Notas biográficas | Voltar à página de artigos | Voltar à página principal

PortugalEmLinha Logo
E-mail: info@portugal-linha.pt
Envie-nos o seu comentário para admin@portugal-linha.pt