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Manuel L. Ponte


CARTA DA AMÉRICA - Desespero de um Emigrante


CARO BANCO NACIONAL ULTRAMARINO

Em primeiro lugar, desculpe minha crítica. Em segundo lugar, espero que tenha pelo menos um pequeno entendimento de minha frustração. Em terceiro lugar, escrevo visto o que se está passando comigo talvez não ser nada anormal com outros emigrantes que tenham contas com vossa organização.

Tenho duas pequenas contas com o BNU já há mais de trinta anos - uma conta corrente relativamente insignificante, e um certificado de depósito dos quais tenho direito a saber o que passa. Apesar de já há mais de cinco (5) anos haver pedido ao BNU que anote meu endereço pessoal para assim me avisar do progresso de tais contas, sua organização insiste em não respeitar tal pedido. Caso o BNU tenha analfabetos incapazes de reconhecer o que peço por escrito, solicito que Va. Excia. me faça o grande favor de assim me informar para que eu em seguida possa solicitar autorização para enviar ao BNU quem saiba ler e escrever e, assim, por minhas contas em dia. Por outra parte, caso eu exagere no que solicito, espero mui respeitosamente que alguém no BNU tenha a bondade - A BONDADE - (Se tal palavra ainda existe no vocábulo bancário moderno do BNU) de actualizar minhas contas e devidamente me informar do feito.

Além disso, como sabe, já há muito enviei toda a documentação solicitada - E LEGALIZADA - para que eu possa dispor do que é meu, como, por exemplo, gastar o meu dinheiro nos Açores, ou em Portugal, como fazia antes. No entanto, o BNU, em forma de "gangster", e pretendendo seguir as leis bancárias portuguesas, continua segurando minha propriedade, assim me causando problemas pessoais que só o diabo pode logicamente explicar. Que minhas contas estejam no DEPARTAMENTO CONTENCIOSO, (CONTENCIOSO? Que mais querem de mim? Uma análise de meu DNA?) e que só após várias chamadas telefónicas - pagas por mim - eu saiba onde elas se encontram, é totalmente inexplicável.

Uma vez mais, solicito mui respeitosmente:

1. Que o BNU anote meu endereço e actualize minha documentação em seus arquivos.

2. Que o BNU me informe do meu Extracto de Contas.

3. Que o BNU respeite a documentacão soliticitada por sua própria organização em Maio de 1997, quando minha senhora e eu visitámos sua filial em Ponta Delgada, devidamente reconhecendo como legal a que lhes enviei. Caso nova documentação seja necessária visto o BNU haver negligentemente perdido a que lhe foi previamente enviada, favor me informar.

Sem mais pelo momento, e aguardando a SIMPLES DELICADEZA de uma resposta, subscrevo-me

Mui respeitosamente,

St. Louis, Missouri. 10 de Julho de 1998
Manuel L. Ponte
mlp@fclass.net

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