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Manuel L. Ponte


CARTA DA AMÉRICA - PEDIDO DESESPERADO


Olham para as urnas e preparam-se para que olvidem o desespero e a frustração. A última vez que lá estiveram esperavam estar para sempre, como se o local lhes pertencesse. Infelizmente, seu delegado, George Herbert Walker Bush, não teve garra suficiente para o segurar permanentemente. Um "upstart" do insignificante estado de Arkansas, William Jefferson Clinton, teve a audácia de lhes comprovar que o local realmente pertencia ao povo. É natural, então, que se preparem. A Casa Branca tem que lhes regressar às mãos, custe o que custar. Infelizmente, uma vez mais só o podem fazer, assim pensam, com um outro Bush, como se o primeiro não tivesse sido suficiente. E, como da primeira vez, quando o primeiro Bush anunciou que queria uma América mais carinhosa e gentil, desta vez ordenaram que o segundo apresente à nação um conservatismo com compaixão - assim comprovando com suas próprias frases que o conservatismo anterior com o qual pretendiam salvar o sistema era o que o povo normalmente associa com o Partido Republicano - um conservatismo duro e implacável.

Por outra parte, nem todos dentro do Partido Republicano hão obedecido, apesar dos milhões que George Walker Bush já angariou para que possa comprar a nomeação que, assim é esperado, o levará às "finais". Porque, realmente, o Partido Republicano, no momento, parece parir candidatos à presidência. Tantos, de facto, que, graças à porca não ter tetas suficientes para todos, já alguns abandonaram o partido para se juntarem a outros, ou formar novas associações. Eis o desejo à presidência sob o qual os republicanos têm vivido desde que Clinton assumiu o poder. Pobres idiotas.

Verdade que os fundos já acumulados por George Walker Bush talvez não sejam suficientes para o que seus patrocinantes esperam que ele lhes possa proporcionar. Até ao verão de 2000, por exemplo, está ainda muito por acontecer. Além disso, caso os meios de comunicação social americanos decidam não fazer de Bush um candidato às "finais", aquele pobre portavoz da frustração ficará pelo caminho. Porque, apesar do que a "media" insiste em reportar, não há lei que proteja nenhum candidato que aquelas organizações decidam destruir. Verdade que na maioria dos casos é o próprio candidato quem normalmente comete besteira. Exemplo: Nixon e Watergate, Gary Hart e a viagem na lancha Monkey Business, e, como era esperado pela ala conservadora republicana, Bill Clinton, Monica Lewinsky, etc.. (Interessante como este último incidente, juntamente com as últimas eleições, acabou por limpar a liderança do Partido Republicano no Congresso.). No entanto, graças ao facto que a "media" vive de tais besteiras, é natural que elas se tornem em questão do dia. No caso de George Walker Bush, portanto, quem sabe que besteiras célebres já cometeu, ou cometerá, as quais a "media" usará se lhes forem convenientes e, possivelmente, igualmente incrédulas.. Um desses dias, por exemplo, o candidato terá que abrir a boca e dizer qualquer coisa, facto difícil visto que nascer com uma ferradura de prata no meio da garganta não é nenhuma novidade, ou excepção, Bushiana.

Queira Deus que eu viva pelo menos dois anos mais. Ainda não me diverti completamente após minha chegada à América.

St. Louis, Missouri, 25 de Julho de 1999.
Manuel L. Ponte
mlp@fclass.net

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