Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades... Uma forma arcaica de celebrar tudo e quanto há muitos anos temos vindo a celebrar. E näo nos recordemos dos maus tempos, dos salazarismos, ou de outros aos quais tinhamos de aderir de "boa ou má vontade".
Mas, e se me permitirem, evocarei outros tempos, em que nos era ensinado a amar e respeitar a Pátria, a Igreja e a Familia. Näo necessáriamente nesta ordem... A ordem que nos impunham e que era seguida. Com a feliz "liberdade" que tinhamos entäo, de alterar a ordem, a nosso belo prazer, e por directrizes impostas e aceites da melhor vontade, dentro da maior escola que é a escola da Familia.
Imigrado, como muitos millhares, asssim como que nos säo impingidos dogmas e leis impostas pelos impostos "leaders" da comunidade. Aqui, uma comunidade que segue como entäo se seguia, e, agora e novamente, por imposiçäo, esses vendedores de sonhos, que nos diziam que tudo estava ou está bem, e, pior do que tudo, nos forçam a crer neles, a cair de podres feitos idolos de pés de barro.
Partidários deste ou daquele "partido" (mesmo partido...) e que lhes serve, agora, para realizaram os sonhos nunca possiveis de realizar, produto de uma comunidade trabalhadora, respeitada pelos "outros" e que é usada agora e sempre, para os fins a atingir, sem olhar aos meios, e que, ao fim e ao cabo acabam por "levar a água ao seu moínho"... e o livro da conta corrente, ao banco...
E levam-nos já que "uma comunidade que näo sabe formular perguntas, é uma comunidade de gaguez politica. Padece de asma civica". Já o disse alguém. Mas é que na maioria dos casos, em comunidades imigradas, muitos desses dogmas säo impostos, e hoje como entäo, nos säo enfiados pelas gargantas abaixo, calando vozes de verdade, e riscando textos a "tinta azul", numa forma mais actualizada de uma faceta de vida que foi opróbrio e nos amarrou e amarra, hoje, e ainda, näo nos deixando gritar alto e bom som: 10 de Junho sem mäos calejadas, "enjoando" a sardinha, um garrafäo meio de vinho, um päo de milho partido aos bocados por essas mesmas mäos, lágrimas cainda por faces curtidas por penas e desgostos e que recordam "outros tempos, outras gentes", olhando um tosco mastro onde tremula uma bandeira do país para onde imigrámos e a "nossa" por debaixo da primeira, já que a näo podemos por em primeiro lugar, näo é 10 de Junho, dia de Portugal, de Camöes e das Comunidades!
Quem säo esses que nos "fazem" a semana de Portugal? Que nos trazem artistas e politicos de "além mar e Brasil"? Que uma vez por ano, durante um curto periodo de uns escassos dias, nos tentam lembrar que somos Portugueses? Uma vez por ano? Onde andaram eles durante as cinquenta e uma semanas que antecederam esta que serve "apenas" para mostrar a esses "fazedores" de patriotismo, tudo quanto nós, imigrantes, sentimos durante essas tais cincoenta e uma.
Sem que nos peçam para o sermos. Porque o somos e o sentimos.
Ah! 10 de Junho, com as minhas mäo calejadas e enjoando a sardinha! Recordando e chorando. Mas felizes, sem esses abutres à minha volta, impondo-me aquilo que noutros tempos me era imposto e que repudiava e surdamente combatia.
Hoje comi sardinhas. Bebi vinho. Acompanhei-as com päo de milho e batata cosida recheada de massa de melagueta. Fiz o meu 10 de Junho...
E se disserem ou pensarem que o que escrevi foi produto de um copo a mais.. tanto melhor...
É que a minha "censura" deixou passar esta linha de pensamento revoltoso mas patriota. De "português de antes quebrar do que torcer" natural de uma Ilha onde se diz que "antes morrer livres do que em paz sujeitos..." e "onde Portugal já foi só..."
E eu, näo quebrando, quero morrer livre!
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