Aqui, foi hoje celebrado o dia da Mäe, dia 13 de Maio, e que este ano coincidiu com o nosso 13 de Maio de Fátima.
Em dia diferente do dia em que é celebrado em Portugal, mas nem por isso celebrado com menor carinho e amor.
E cada qual o poderá celebrar da melhor maneira, a seu gosto, com as suas possibilidades e com a religiosidade que lhe quiser dar.
Recordo, que em tempos idos este dia era celebrado a 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceiçäo, que era a Padroeira de Portugal. Esta festividade, na minha terra, Angra do Heroísmo-Ilha Terceira, era um dia muito especial.
Havia um costume, bastante original e que era praticado por diversas entidades e por um particular.
Era este dia, também conhecido pelo dia dos Berços.
Dedicado à Mãe, fosse ela pobre ou rica, as primeiras beneficiavam desse tal uso e que era simplesmente, receberem de oferta um berço para o seu recem-nascido ou para o ultimo que havia chegado.
Tempos dificeis entäo, esta oferta, era maná vindo do céu, tanto mais que com os berços vinham as respectivas roupas e mais algumas extras, que muito bem iriam ser usadas.
Mesmo junto à Igreja da Conceiçäo existiu a Escola Industrial e Comercial, primeiro de angra do Heroísmo e depois Dr. Oliveira Salazar. Aí aprendiamos tudo quanto no tempo era acreditado como sendo util aos rapazes e raparigas de então.
A parte da escola Comercial, certamente se destinava com mais incidência à parte comercial: escrituraçäo comercial, dactilografia, estenografia, português e outras matérias.
No respeitante à parte Industrial, entre as matérias requerida haviam as aulas de marcenaria ou carpintaria e a de serralheiro. Ambas apetrechadas com ferramentas para a aprendizagem dos diversos misteres.
E tanto uma como a outra, a partir de uma certa altura, formularam como que um voto de, durante o ano lectivo, construirem berços, que no dia da Mãe, 8 de Dezembro, seriam distribuídos por Mães previamente escolhidas pela sua pobreza, e a quem seria entregue o berço que lhe competia.
Esses berços eram expostos no dia anterior e no dia 8, na escola, e visitados por todos que pela sua porta passavam a caminho da Igreja, havendo porém muitos que lá se dirigiam, independemente de ir ou näo à Igreja.
Era admirar o trabalho dos futuros homens e mulheres da Cidade. E muitos, orgulhoso por lá verem o seu nome como recepiente ou por serem os Pais de rapases e raparigas que haviam ajudado no projecto, sentiam a comoçäo do momento.
Por outro lado, o comércio da Cidade, contribuia à sua maneira: com materiais para a feitura desses berços, quer com madeiras, quer com fazendas. Retalhos ou restos era o que menos importava. O que contava era que esse comércio participava de algo em que então se apreciava e respeitava.
Havia, entäo, um casal, sem filhos, gente relativamente bem na vida. Ele, tinha o "hobby" de marcenaria.
Adorava trabalhar a madeira e como tinha uma oficina semi profissional, decidiu, a certa altura, ir construindo berços, sendo estes destinados à mesma causa, mas independete da escola.
O que não interessava, pois que o desejo era contribuir para uma causa justa.
Ele ia trabalhando a madeira e dando a forma de berços a esta. Num pouco de trabalho em série ia aparelhando as diversas partes que iriam ser juntas, quando todas prontas e apresentar o produto final.
Eram mais berços a serem distribuidos por Mães necessitadas, ajudando a minimizar uma necessidade e pobreza então vulgar.
A esposa por sua vez, tinha à sua guarda a feitura das roupas, quer dos berços quer para os bébés. Na grande totalidade fazia-o sózinha. Outras vezes ajuda esporádica aparecia e tudo se conjugava para o mesmo fim.
E mal terminada a distribuição logo se pensava no ano seguinte, sem pensar nos agradecimentos feitos pelos necessitados, e que então invariávelmente eram "Deus lhe pague..."
Raro era o ano em que menos de trinta berços eram distribuídos, tendo havido mesmo anos de cerca de quarenta. O que é um feito.
O Dia da Mãe, na minha casa teve o condão de novamente juntar os meus três filhos, nora e 4 netos à volta da nossa mesa de jantar.
Entre as ofertas trazidas por eles, a minha esposa de quatrenta e três anos, teve uma muito especial: a autorizaçäo de fazer o jantar para o dia. É que logo que eles disseram que iamos jantar fora, ela logo respingou que não queria e que não ia jantar ao restaurante.
Assim ficou decidido e cansada de tanto rabalhar, já está dormindo, recuperando forças, para amanhã, tomar conta dos 4 netos (3 raparigas e 1 rapaz). É dia de escola e o acordá-los, preparar lanches, a todos vestir as roupas que "eles querem", já lavadas e prontas, ter lanches para eles comerem quando chegarem a casa, é trabalho que requere muita energia.
O que vale é que ela é uma Mãe das antigas e da qual todos nós nos orgulhamos.
Que todas as Mães que lerem estas linhas tenham tido um Dia da Mãe muito feliz.
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