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Silvério Gabriel de Melo


Pelas Estradas do Pensamento - Constelações de Inverno do Indio Americano


Nestas noites escuras de Fevereiro, para quem olha o céu, na zona Sul ergue-se uma constelação denominada como a mais bela e mais nítida do firmamento. Trata-se de Orião, que os Indios Americanos intitulavam de "o da Longa Faixa", ou o "Gigante em Boa Forma /The Slim One ." Encontra-se essa constelação ao avistar-se três estrelas em linha sobre o horizonte. As três estrelas numa linha perfeita a apontar o horizonte formam a "faixa, ou o cinto de Orião. O Ombro do gigante é uma estrela avermelhada chamada de Betelgeuse, ou o ombro do gigante em árabe, e o joelho do gigante é uma estrela azulada que se chama de Rigel.

Para o Indio americano, esse gigante tratava-se de um chefe de tribo, como todos os bons Indios, um exímio caçador. Aos pés do gigante encontra-se um coelho, cujo as pegadas indicavam aos Indios qual a estação de se poder ou não caçar--as pegadas do tal coelho, se apontadas para o alto, indicavam a estação do ano em que a actividade da caça era proibida. Se apontadas para baixo indicavam a estação do ano em que se poderia caçar sem perturbar o equilibrio natural da espécie de animal em causa.

Ace Ecozi, ( Tribo Tewa) esse Gigante, segundo a lenda, tratava-se de chefe de renome de uma tribo de há muitas luas. Como essa tribo era constantemente ameaçada por inimigos vizinhos, esse decidiu-se um dia tomar todo o seu povo e procurar outra zona para viver. Assim o fizeram, escolhendo a paz à constante luta que levavam.

Iam eles a caminho, quando, a certo ponto, o seu próprio povo desata a barafustar entre si, a guerrear e viver em distúrbio. Notando isso-- junto às duas estrelas a Leste de Orião, ou melhor dizendo do "Longa Faixa", o figura Moisés desse conto Indio, decide parar todo o seu povo e aí fazer o povo tomar uma decisão—a de o seguirem em paz, ou terem que partir em outra direcção. Portanto nessas duas estrelas (dos Gémeos) se encontra o que os Indios denominavam como o "Ponto de Decisão.", e onde o povo da Tribo do Gigante se dividira em dois povos, designadamente um a Norte e outro a Sul (Indios da tribo de Tewa).

Ainda de acordo com as lendas das tribos do Blackfoot, essas mesmas duas estrelas que se encontram a Leste do Gigante, tratavam-se antes, assim como para os Gregos, de dois irmãos gémeos, que se chamavam designadamente de "o Escondido na Cinza" e o "Escondido nas Abas." Isso porque, ao nascerem, a sua mãe os houvera escondido rápidamente, um nas cinzas da fogueira e outro nas abas da sua tipi, para assim os livrar à morte, que lhes era eminente, visto que um inimigo atacava a tribo no exacto momento em que nasciam, e na sua fúria matavam todos que encontravam. A mãe morreu nesse ataque, e assim como todo a população da tribo. Só os dois irmãos, devido à cautela da mãe, sobreviveram.

Mais tarde viriam eles a chamar-se, um de "Rocha", por se forte como uma pedra. O outro vir-se- ia a chamar de " Castor" por ser ábil com os animais. Como guerreiros famosos ali ficaram aquelas duas estrelas a Leste do Gigante, a chamar a atenção para as façanhas de dois guerreiros cujo a sorte no meio da pior sorte, viria a bafejar e tornar figuras alvo de admiração.

A sul do Gigante, encontra-se uma estrelas, Sirius, que se trata da terceira estrela mais próxima de nós. Por estar tão próxima, a luz dessa estrela o objecto mais brilhante no céu depois do Sol e da Lua. Tanto para os Indios Americanos, como para os Gregos, tratava-se de uma estrela no focinho de um cão que seguia o Caçador Gigante.

Segundo a crença, ao morrermos, teríamos que atravessar a Estrada de Santiago a cuja a entrada se encontrava esse cão por sentinela. Durante a vida ter-se-ia que acumular obras de valor e façanhas de bons guerreiros e trazê-las num saco do espirito. Ao encontrarmos o tal cão teríamos que lhe matar a fome usando do que se trazia na mochila. Se o cão se satisfizesse com o que trazíamos, deixava-nos passar, senão seríamos interditos ao mundo do Além, por castigo próprio.

Depois, ainda, se conseguissemos apaziguar o primeiro cão, ou a primeira morte, teríamos, que enfrentar um segundo cão, ou uma segunda morte, isso no fim da Estrada de S. Tiago e antes de sermos admitidos ao Mundo dos Espiritos. Se durante a vida tivessemos acumulado o bastante em feitos e glórias, teríamos o bastante não só para matar a fome ao primeiro cão, mas este segundo cão. Se ao contrário, nos faltasse com que alimentar a raiva desse segundo cão, seríamos interditos ao Mundo dos Espiritos e assim ficaríamos a divagar entre os dois cães, sem podermos nem sair, nem entrar, eternamente malditos dos homens e dos Espiritos , entre o primeiro e o segundo cão, na Estrada de S. Tiago (Cherokee).

Paralelamente a Sirius, o Primeiro cão, encontram-se duas estrelas, uma mais brilhante do que a outra e à altura do ombro do gigante. Trata-se de Canes Minor, o que para os Índios da tribo dos Navaho, constava de um porco espinho. Como as agulhas faziam lembrar as árvores com os pinheiros, julgavam eles que essa constelação é que se encarregava de controlar o crescimento e saúde dos pinheiros e todas as árvores da mesma família.

Para o Oeste do Gigante, encontra-se uma constelação em forma de um V, (Touro), que a tribo dos Navaho denominavam como de Xa Sceszina, ou do Deus Negro, o ferreiro do firmamento, o criador da luz e do fogo e todos os desenhos que se vêm no firmamento à noite. Para Oeste dessa constelação encontra-se um agrupamento de aproximadamente sete estrelas, que fazem lembrar sementes espalhadas no universo. Tratam-se das Pleiades que segundo a tribo de Iraquois eram crianças que um dia levaram consigo succotash para comerem. Eles pediram aos pais para fazerem a sua própria fogueira, o qual os pais negaram, por eles não serem crescidos bastante. As crianças ficaram tão enfurecidas, que fugiram de casa e afastaram-se para as colinas onde, fizeram uma fogueira imaginária, à roda da qual começaram uma dança, com tanta fúria, que cedo, começaram a elevar-se na altura. Quanto mais zangados, mais dançam eles e mais alto se elevam. Ao ponto de não poderem já parar, com o risco de se precipitarem das alturas. Assim, essas crianças, continuam na sua dança de zanga, à roda de um fogo imaginário, e ali estão nas noites de Inverno numa roda viva, que não pode parar--não deve parar.

Quanto ao Gigante, Orião, ou o Longa Faixa, segundo os Iroquois, a razão do Sol possuir um arco mais alto no Verão e mais baixo no Inverno, deve-se ao facto de esse Gigante ser um velho, que no Verão por se sentir bem, carrega com o Sol aos ombros. No Inverno, com o frio, por ser velho, começam-lhe a doer as costas e os ossos, e é quando ele deixa o seu filho mais novo que ele e mais baixo, levar o Sol aos ombros. Por isso, no Inverno, a trajectória do Sol possui um arco mais baixo e por isso os dias são mais curtos.

Quanto às outras constelações nas noites de Inverno, as tribos do Hopi, julgavam que "cayote" fora um dia incubido por ordem da primeira mulher, de reproduzir no céu à noite a figura de todos os animaizinhos que vivem sobre a terra. Para esse efeito deu-lhe um saco cheio de pedras de cristal, que ele devia usar par tal função. "Cayote" assim o fez por uns momentos. Desenhou no céu muitas figuras como borboletas, ursos, cobras, coelhos, cães, etc. Mas a certa altura, cansado e farto de trabalhar, decidiu abrir o saco e espalhar o seu conteúdo pelo firmamento sem ordem alguma. É nesse momento, que ele se lembra que havia esquecido reproduzir no céu a figura da sua própria raça. Por isso, os "cayotes" uivam à noite enquanto erguem as suas cabeças para o alto. Procuram na desordem do universo encontrar a sua figura, malogradamente impossível, por sua própria culpa.

Quanto à Estrada de S. Tiago no Inverno, ou Wakim, o Urso, segundo as lendas da tribo do Shoshoni, foi banido para a Terra Dos Espiritos por ter perdido uma luta qualquer que tinha tido. Como falhado, lá se afastou ele pela montanha fora, em direcção ao Mundo dos Espiritos. Chegou a um certo ponto, em que atravessou uma extensão coberta de neve, pela qual ficou todo coberto. Depois aproximou-se do cimo das montanhas e quanto mais próximo se viu do fim da sua viagem, mais veloz passou a mover-se, ao ponto de se elevar no alto. Conforme o fez, sacudiu-se, o que fez com que os cristais de neve que cobriam o seu pêlo, se espalharam pelo firmanento, dando à Estrada de S. Tiago aquele brilho próprio de cristais de neve que se poderá seguir quem quer que fôr em direcção ao Mundo dos Espiritos.

(Do Manual do Starlab, da Learning Technologies de Massachusetts.)

Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha


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