Exmos Senhores,
Sou um Português Açoreano radicado nos Estados Unidos desde os meus quinze anos e há quinze anos radicado na Europa como professor no Programa de Defesa de Escolas para os Dependentes Americanos no Estrangeiro-DoDDS. Como Português ficou-me dos meus anos de jovem o bastante da nossa cultura e língua para apreciar de vez enquando passar alguns momentos com a RTPi.
Como Português entusiasmo-me pela presença amiga dessa estação no mundo e desejo para essa estação muito sucesso no futuro.
Hoje contudo enchi-me de um pouco de Zivil Corage para comentar sobre a programação de passagem do ano 1997 com Hermann José. Como estação exposta ao Mundo, achei a sua escolha muito infeliz, visto que na pessoa de Hermann José se conseguiu uma programação de descrição muito ao nível de Bordel. Concedo que já não visito Portugal desde 1980 e desconheço se essa seja a orientação de Portugal. Contudo, comparando essa programação com aquelas aqui na Alemanha, Espanha, Itália, América,etc. que concurrentemente eram emitidas na mesma noite, achei a programação Portuguesa de fraco gostosó mesmo para um âmbito de prostitutas e gente de tendencias ao indecente é que tal programa poderia impressionar. Como Português que se preza, senti vergonha de pertencer a tal qualidade de gente que busca no exibicionismo escandaloso o seu próprio valor. Será que se julga em Portugal que estar em dia e ser actualizado é ser-se lasso, não ter sentido de pudor e tudo permitir até ao mais obsceno e impudico?
Como programação de fim de ano, que na norma se trata de ambiente familiar, a pessoa de Hermann José com suas piadas de teor pornográfico, seus gestos porcos, seu humor reduzido ao genitálio, foi sim uma apresentação que deixou à mostra uma faceta da nossa cultura que em nada nos honra ou engrandece, antes comprova a falta de descricao colectiva que nos fez e nos faz a risota da Europa.
Reconheço que com a minha simples nota, pouco farei para modificar a direcção que os Portugueses levam em Portugal. Infelizmente falta na gente Lusa a coragem bastante para mostrar a sua indignação em massa e acusar a pobre qualidade da programação em causa. Que o Hermann seja um idiota que queira passar por cómico é coisa dele, mas para uma organização como a RTPi o escolher e aceitar o seu humor devasso e indecoroso como entretenimento familiar, numa noite tão especial, foi decerto uma decisão torpe e pouco perpicaz, mesmo de mau gosto.
Como Português gostaria que Portugal não passasse como uma Nação de pervertidos sexuais que tudo que tem a oferecer ao Mundo é certa preponderância para o lascivo e o indecoroso, com muita honra e sem vergonha, ao género de Hermann José, os mais devassos pulhas da Europa que tudo que fazem, pensam e dizem se reduz ao acto sexual, aos genitais, e outras funções da extremidade do corpo, como só isso e o jogo da bola fossem as únicas actividades que lhes pudessem trazer algum sentido de dignidade e sentido de valor próprio.
Por isso, como Português emigrado, revolto-me contra a falta de pudor que se usa em Portugal como forma de exibicionismo idiota. O facto de apresentarem o Hermann José como entretenidor de Passagem de Ano foi, no meu sentido, o cúmulo, especialmente na maneira em como tornaram uma ocasião familiar na pior graça que um país dito civilizado possa conceder.
Espero que a descrição responsável por outras programações de boa qualidade volte a erradicar essa impressão que me ficou da passagem de Ano de 1998. Também espero que de alguma maneira possa conseguir a compreensão de alguém ao nível da gerência para a realidade de que tais programações não são só observadas por Portugueses emigrados e como tal desactualizados. As programações como a que me refiro em nada nos enaltecem. Antes pelo contrário são prova para alguns de que somos uma nação de gente néscia, irresponsável, torpe, de valores baixos.
Feliz Ano Novo,
Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha
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