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Silvério Gabriel de Melo


Por Estradas do Pensamento
Cuidado, O Futuro em Construção!


Hoje em dia uma estrada com voltas é coisa indesejável. Em outras palavras, ninguém hoje em dia se mete numa estrada para apreciar a paisagem. Em termos modernos, uma estrada foi feita para nos podermos deslocar de um ponto a outro ponto e quanto mais rápido e expediente fôr esse percurso--quanto menos voltas, melhor a estrada.

Com o avanço da ciência e da técnica, os caminhos e estradas que conhecíamos até se estão a transformar rápidamente em super-auto-estradas, onde todos os impecilhos do passado deixam de existir e onde se encontra livre acesso ao caminho que escolhemos e que nos leva de um ponto de onde nos encontramos a um outro ponto onde ambicionamos vir a nos encontrar ---no menor periodo de tempo. É que existe no mundo um mandato, uma lei importante-que tudo se deve processar no espaço mais curto, na linha mais directa, no tempo mais veloz. É na simplicidade dessa lei que se baseia todo o progresso e avanço da vida, de até tudo no universo.

Vejamos, apesar dos filmes de ficção científica e de indoutrinados nas maravilhas do progresso, é difícil ainda assim de antevermos ou querermos admitir a realidade do nosso próprio futuro; o capacitarmos-nos que o futuro afinal será para nós os filhos do século vinte, tão incompreensível como o telefone, a televisão e outras inovações deste século seriam para os nossos bisavós, se aqui pudessem voltar. É que o futuro, por mais sofisticados que nos julguemos, é sempre uma braçada mais distante da nossa compreensão e poder de visão.

Que a humanidade está a caminho de grandes transformações, não se pode negar. Stephen Hawking, por exemplo, o Einstein dos tempos de hoje, prognostica um futuro em que a ciência e a tecnologia "inevitávelmente" causarão modificações que não só melhorarão o meio ambiente e a condição humana sobre o globo, como transformarão a própria espécie humana. 1 O cloning e "human engineering" -o ter-se ao alcance meios de se dominar e manipular a natureza humana de forma a não só prolongar-se a vida de cada homem, mas também amenizar-lhe a passagem por este vale de lágrimas, essas serão realidades no novo milénio que nada poderá estacar, quer o queiramos aceitar ou não 1 ---assim, como olhamos para os homem Cro-magnon na qualidade de homo-sapiens, assim seremos olhados no futuro.

Pelos moldes da ciência e da tecnologia, portanto, também essa sociedade do futuro se tornará uma sociedade cada vez mais com um risco colectivo. Isso é, assim como ao entrarmos para uma auto-estrada aceitamos o obedercermos às leis dessa mesma auto-estrada, nela não se pode recuar, sair quando se quer ou mesmo marcar passo. Para a frente é que é caminho e no fim todos os caminhos vão ter à auto-estrada.

A sociedade do futuro será assim pragmática, e simples como é aquela das sociedades das formigas e das abelhas, com uma estrutura central que manterá e estabelecerá a ordem e os objectivos colectivos. Essa tal estrutura poderá vir a ser o que já o está sendo em intenso grau--a banca, a bolsa, o dinheiro que não só nos garante a subsistência, mas a liberdade uns dos outros enquanto----malgrado, nos obrigue à dependência e servitude moderna, em formas de crédito que se tornarão cada vez mais sofisticadas e todo determinante. Em outras palavras quem escolhe a auto-estrada, quer queira ou não fica sujeito a ela.

Nesse contexto de ver as coisas, o futuro, até já começou. Cada vez mais nos capacitaremos que a estrada nos obriga a maneiras de ser e de actuar que nos dominarão e determinarão o nosso próprio progresso individual. Cada vez mais ficaremos obrigados a um sistema de quem tudo dependerá; de quem ficaremos dependentes. Cada vez mais nos tornaremos como as abelhas numa colmeia, livres para servir e obedecer.

Como nas colmeias, cultivar-se-hão os novos cidadãos e seres humanos de uma forma calculada, matemática. Os pais e as mães serão escolhidos de uma forma onde a paixão, o amor, deixem de ser chave no processo de reprodução, e os bebés se consigam sem muita dor e incómodo.

Depois, num mundo em que o "cloning" resolve o problema de propagação onde tanto pode ser pai a mulher como mãe o homem, a família como a conhecemos não terá razão de ser. Cada ser humano tornar-se-há numa unidade num contexto colectivo como aquela das abelhas nas colmeias. O homem e a mulher poder-se-hão assim entregar-se cada vez mais a si próprios e aos seus objectivos, ao mesmo tempo que colectivamente, todos se entregarão a qualquer alter-ego seja ele a nação, o globo, a religião, o dinheiro, a bolsa, a ciência, o prazer, a democracia, ou qualquer outro Deus que esteja ainda por se criar-o mel que nos unirá e tudo fará valer a pena.

Nesse desenrolar das coisas, vejamos, até cada vez mais haverá uma menor distinção entre mulheres e homens, ambos livres da responsabilidade de procriação e portanto do elo que os liga. Pela alimentação, hábitos e drogas, a testosterona abundará mesmo no sexo fraco, modulando seres humanos que garantirão a sua autonomia e liberdade de uma forma agressiva e possante e dará aos dois sexos características comuns, difíceis de se distinguir à parte como já é o caso entre as abelhas, as hienas, cães e outras espécies animais.
Isso é, cada vez ficarão as mulheres como estas estradas modernas com menos voltas e insinuações femininas, para se tornarem em mulheres secas, rispidas, rijas, magras e ossudas, de beleza quase masculina, sem outra preocupação que não seja o manter a sua hegemonia e independência, num mundo fortemente equável, e estéril por escolha.

Depois, se a polémica do aborto, é agora algo problemático, imaginem no futuro as pessoas resolverem de idade tenra decidirem-se procederem a operações que lhe garantirão a esterilidade e a liberdade desse processo que tanto nos completa como nos complica, isso é nos limita, que é o sexo; o ser-se ou não livre de se o praticar sem consequências e responsabilidades.

Com a opção de "cloning", resolver-se-há o dilema de ter filhos na altura errada. Reservar-se-há o desejo de propagação para a altura e momento escolhido mais próprio, até de forma asexual, pelo menor esforço e risco tanto fisico como financeiro.

Assim como hoje em dia existe o debate arreigado ao direito da mulher escolher ou não abortar, o dilema do futuro será o qualquer cidadão ter a escolha de ou ter filhos por vias tradicionais, pelo matrimónio, ou o direito de escolher filhos por produção à cloning para continuação da raça. Será interessante os debates nas assembleias mundiais sobre tais questões-- até a sociedade ceder e pela via mais curta, mais prática, mais "livre", mais ao acesso a todos, se conseguir a solução que mais votos consiga ou maior consenso tenha.

Imaginem até, ser mãe poderá vir a ser uma perrogativa professional, em que se treine mulheres e homens para serem mães, e pais zangãos, e oferecer isso à sociedade da mesma forma que se preparam professores e professoras, como serviço social. Isso está claro, até o processo se tornar completamente automatizado a ser desnecessário o involvimento humano.

Se falarmos em termos da lingua dominante do futuro, e se obedecermos à lei que exposemos acima, a lingua mais usada será a que da mesma maneira possuia menos voltas, seja mais directa, mais simplesmente flexível e manejável, algo com a lingua Inglesa que especialmente na sua forma Americana procura a maneira mais monosilábica ou dissilábica para se exprimir. É nessa lingua que se tem a tendência de se simplificar tudo, como no uso de abreviações para os nomes, e acrónimos para tudo, Email, CCMail, TDY, PCS, LQA, SIP, MREs, DPP, etc. que tanto se usa no contexto militar. Contudo é nessa economia de palavras que se impõe a cultura Anglo-Saxão que é a mãe de grandes inovações do presente, tais como a Internet e o computador. A língua do futuro exigirá igualmente simplicidade e flexibilidade para se impôr como língua--- Infelizmente, a nossa língua Portuguesa, e o hábito dos eruditos de falarem por rábulas e arabescos que complicam o livre acesso às idéias, o palavreado exagerado que a qualifica os bem falantes, não permitirão nunca a nossa língua conseguir tal lugar, a não ser que aprendamos a comunicarmos no futuro de uma forma mais acessível e simples, com mais contéudo e menos volta e vira-volta, como o escritor Dinamarquês Christien Andersen, autor dos contos "O Patinho Feio" e "O Pato Português " denominaria de "Portulak."

Mas passemos adiante; se o cloning se tornar, quer o aceitemos ou não como diz Stephen Hawking, uma realidade comum, até a telepatia tornar-se-há cada vez mais um fenómeno plausível, visto que o homem do futuro partilhará de comum DNA e portanto preponderância a maneiras de pensar comuns. Isso é, se eu partilhar a minha constituição genética com dois ou três outros seres humanos, a ligação entre nós será ainda maior do que entre mim e os meus próprios filhos. A telepatia ou a comunhão dos pensamentos , portanto tornar-se-há um fenómeno cada vez mais comum. Será até interessante a possibilidade não só de comunicar com o passado, mas com o futuro-tornarnos-emos bruxos, de certo---graças à ciência e tecnologia. O Internet cada vez mais nos ligará uns aos outros e ao todo colectivo, será realmente um mundo muito, muito interessante...

Que a ciência se está a tornar numa autoridade que está a dar forma e direcção ao mundo, é já uma realidade. Que a ciência e a tecnologia causarão transformações à nossa própria humanidade e nossos valores num futuro cada vez mais perto de certo que é e será uma realidade cada vez mais possível. Não haverá mesmo nada que poderá barrar esse processo, que se baseia em verdades naturais, palpavéis, funcionais. Nem o sistema mais totalitário que haja poderá por termo a essa realidade1 .

Depois, se o progresso não fôr o que nos transformará como espécie, talvez o asteróide de uma milha de largura lançado à velocidade de 17,000 milhas por hora em nossa direcção, como notificaram os astronómos a semana passada, é que o poderá fazer.2 Sabê-lo-emos até num futuro bem próximo-as previsões para o ano 2028, ou daqui a trinta anos.

Se houver impacto, esse pedaço de rocha poderá como já foi o caso no tempo dos dinossauros, modificar a vida como a conhecemos. Ao cair sobre a terra terá um a força kinética de aproximadamente 2 milhões de bombas atómicas como as que cairam sobre a Hiroshima. Portanto, nos próximos trinta anos além dos prognósticos de uma transformação da raça de uma forma tecnológica, viveremos também com o dilema do asteróide 1997 XF11 como o rotulam2 . De uma forma ou outra, entramos já na auto-estrada do futuro e o futuro determinará por si o fim a dar.

Que há uma margem de 30,000 milhas segundo um grupo de astrónomos, e de 600, 000 milhas de outros astrónomos, a realidade é que para ambos os grupos um impacto com a terra seja plausível. É que em termos de espaço as 30,000 milhas ou as 600,000 milhas são distâncias muito próximas para conforto. Esperemos mesmo que a ciência neste trinta anos possa progredir ao ponto de se desenvover uma estratégica defensiva sem margens de dúvidas, para que o resto do milénio que se aproxima seja depois disso uma ovação ao homem do futuro e filho da ciência. Esperemos mesmo que desta vez, o percurso desse pedaço de pedra não escolha a rota mais directa e mais curta.

Ao mesmo tempo, uma coisa é certa, ninguém deve perder sono a pensar tanto numa como na outra alternativa para o futuro-deixem que o futuro tome conta de si mesmo. Haja a fé de que tudo o que está para ser, de uma forma ou outra, o será para o melhor bem de todos nós e deixo-vos desejando que nos salve Santa Bárbara e os Santos todos de auguros tão funestos-é que por experiência, quando vejo os engenheiros acompanhados dos seus carros e camiões em qualquer troço de estrada, sei que logo se segue um "Stau" como chamamos um engarrafamento de tráfico. É que qualquer contrução não importa o resultado traz sempre muito aborrecimento na estrada, a desvios e redução de velocidade e á espera sem fim que nos faz chegar tarde e desesperar.


1 CNN Interactive, SCI-TECH Story Page, " Hawking speculates about the....ium at the House House- March 6,98

2 CNN Interactive, SCI-TECH Story Page, "Mile-Wide asteroid on course...r-miss with Earth, March 11,1998

Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha


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