Como Português emigrado, integrado em duas culuras estrangeiras, a Americana e Alemã, é com pena que noto em Portugal com o progresso tendências conflituosas como a do aborto.
Na Alemanha, houve também altura de se ter que fazer iguais decisões de sim ou não, e isso à porta dos campos de concentração como Auschwitz. Ainda hoje no olhos de muitos Alemães prossegue essa atitude de eliminar a pessoa humana menos aos seus moldes teutónicos. Aqui nesta zona onde moramos, por exemplo, existem, segundo uma reportagem da rádio de serviços americanos, dois mil grupos neo-Nazis. Na aldeia onde moro, mora também o chefe de um dos maiores grupos. Há muitos entre eles que muito gostariam de voltar à realidade de escolha por eliminação de toda a forma humana indesejável. Embora queiramos achar razão para tais escolhas, de uma maneira ou outra é convidar o macabro, dar liberdade à vontade de ajardinar este mundo à nossa maneira. Nesses moldes de pensar, isso é com um "sim" seria o mesmo que me juntar ao grupo de Neo-Nazis - esses que ficariam muito satisfeitos de se desfazerem de quanto maior número de embriões Portugueses possível, incluindo mesmo alguns dos adeptos do não. De uma forma cruel e bestial, satisfazer-se-iam em dizimar mais um grupo de "parasitas" e de "porcaria Europeia" como eles se refeririam.
Cruel como isso possa soar, no escolher o sim, juntamo-nos a esse grupo de pensadores que para facilitar, aceitar a vida só por perfeição e por conveniência, escolhem a morte, escolhem tornarem-se algozes sem consciência alguma.
Reconheço, que existem casos que merecem leis menos intransigentes, especialmente se afectam a saúde da mãe. Quanto ao embrião, a natureza em si, se não houver interferência médica, trata de abortar qualquer anomalia mais grave.
Casado e tendo filhos de uma pessoa que no seu nascer também foi uma tragédia, uma vergonha, alguém não desejada - (a minha esposa foi filha de um abuso sexual), passar leis por conveniência, por mais justas que parecem, cheiram a pó e cinza dos fornos NAZIS e por isso diria eu, se vivesse em Portugal, um claro não, um não mil vezes, para que daqui a cinquenta anos não sofresse o estigma de ter dado o sim a assassínos.
Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha
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