Quando me sento ao computador, é quase o mesmo como
quando me sento ao volante do meu carro - enquanto
conduzo, sem saber como, como alguém que fuma,
medito.
Nós também acabàmos de comprar o nosso computador
e é com gosto que nos sentamos e exploramos
este novo meio, não só de comunicação, mas também
de expressão, de racionalizaçao, de acção- Nos
dias de hoje toma o lugar do cão, como nosso
melhor amigo. Agora compreendo o entusiasmo que
presenceava nos gurus da informáti- ca quando,
como se falassem de cavalos de raça , ou homens
numa feira se perdiam numa linguagem própria, um
lingo de anacronismos e de conceitos fora do
alcance da pessoa comum.
E', de certo um mundo novo que o computador abre
para nós; maneiras diferentes de pensar;
racionalizar as coisas. sem dúvida, marcam eles uma
nova etapa no nosso destino humano, uma nova era.
Assim como a invenção do carro modificou o mundo em
que vivemos e lhe abriu estradas, os computadores, já
estão a abrir a suas próprias vias do futuro- um
futuro mais vasto, mais rápido, mais irmão da própria
mente.
Como os nossos antepassados, assim, encontramos no
computador a mesma fascinação que os ligava às
estrelas à noite, ou á magia do fogo. Para eles o
firmamento era o meio todo sapiente, que ascultavam
maravilhados, era a presença fantástica que os
completava e os engrandecia. Hoje em dia, aqui
estamos, fixados no écran destas máqui-nas todas
sabedoras que nos completam e fascinam. Até se
Adão e Eva vivessem hoje, de certo, que seria um
computador a maçã, que os conquistava, os faria
encontrar-se a si mesmo mais uma vez, os elevaria,
reduzindo-os ao mesmo tempo à condição humana em que
caìram e nos encontramos. Fazem-nos eles possíveis
horizontes até então nunca cobi- çados, ou mesmo
concebidos. Eles expandem os horizontes da mente,
dão-lhe nova força e poder. A sua atracção pode até
tornar-se um vício- para. muitos, uma autêntica
droga, um domínio, quase religião, ou seu substituto.
É pensando em termos dos computadores, que me atrevo, à
minha forma traçar paralelos entre o sistema de
informática e a nossa condição humana, mesmo com a própria
vida. É que compreendendo melhor a complexidade de
sistemas de multi-circuitos, com base no sistema binário,
compreendemos melhor a vida, o nosso próprio âmbito
humano, a própria formática da nossa humanidade.
Assim, no meu passeio matinal com o meu cão, diverte-me
o notar que afinal, o Internet não e', não, nada de
novo. Sorrio, quando o meu cão, um Cocker Spaniel,
fica todo contente ao ver-me vestir o casaco e por na
cabeça o chapéu. Excitado, quase que me arrasta para
fora de casa. A primeira coisa que faz, então é deixar
as suas iniciais junto ao canteiro mais próximo da
porta. Segue depois em direcção ao caminho que leva ao
bosque, parando aqui e ali para ler as mensagens
químicas deixadas por outros da sua espécie. Aqui,
teima em apurar o chão ate' ao último vestígio químico;
ali parece que rosna mal humorado e daí passa ate'
mais adiante no seu rito contínuo de interpretar a
informática canina, alheio a mim ou à paisagem. Ás
vezes e' mesmo preciso puxá-lo com vehemência para que
pare de farejar certas mensagens que o dominam
totalmente. Periódicamente, depois de curta "leitura"
levanta a perna e deixa a sua própria missiva. É o seu
próprio sistema de Internet em acção, a maneira em como
contacta e delimita o seu território na forma mais
primitiva. Nós- num mundo cada vez mais alheio e
isolado uns dos outros, também encontramos na Internet
e E-mail maneiras de comungar uns com os outros da forma
mais imparcial e conveniente- a nossa missa tecnológica
para o mundo cão em que vivemos. Por isso, viva ao
Internet!
... Como as pessoas, até, os computadores, também
são susceptívéis a vírus que os contaminam e até
ameaçam a existência. Isso aconteceu a semana
passada ao nosso. De um momento para o outro,
vimos um virus tragar a memória do nosso
computador, sem que soubessemos o que fazer para
evitar que se alastrasse. Depois de algumas
manobras futéis, só podemos anotar os últimos
ritos que ele nos indicava que seguissemos. Foi
como se nos tivesse morrido um animalzinho de
estimação muito querido. Ficàmos tristes e
desolados- como se diz, " com a alma aos pés"
perante esta máquina de súbito sem vida ou sem
alma.
Esse facto fez-me então pensar. Um computador,
como uma pessoa é feito para uma função, a de
pensar, actuar, viver de acordo a uma programação
préviamente configurada. Nessa configuração
obedece a certas normas e regulamentos, códigos
predestinados, que lhe asseguram a existência e
forma de expressão- a nossa humanidade. No
momento em que nos expomos a configurações
alheias ás leis da nossa humanidade, expomo-nos a
contaminações, perigos que nos podem fragmentar a
alma, o nosso CD-Rom. Foi isso mesmo que
aconteceu ao nosso computador, de um momento para
o outro aceitou a sua própria destruição,
deixou de ser válido- perto de dois mil dollars
de valor, perdidos quando se deixou imprimir por
qualquer programa alheio á sua própria lingua-gem
e razão de ser. Na vida só se deve ter um
senhor. Agora compreendo isso melhor.
Compreendo também melhor a nossa fragilidade
perante o mundo que é a fonte da fragmentação,
do erro, do engano, do pecado, sempre disposto a
penetrar até ao nosso intimo e tomar controle da
nossa programação até à destruição. É que nós
também somos uma programação, o nosso menu é a
nossa fé, o nosso fado, o nosso destino.
A própria vida não passa de uma programação.
Isso é, esta nossa passagem na Terra, como
seres vivos, iguala-se a uma programação que
obedece a certos códigos e normas. No momento
em que a desobediência penetra a nossa alma-
nosso CD Rom, pela tentação, contaminamo-nos,
permitimos a nossa própria descodificação.
Assim o pecado não passa de um virus, um
programa alheio à nossa configuração que
penetra até ao nosso intimo e nos destroi, às
vezes gradualmente, outras vezes súbitamente,
sem aviso, permite a destruição das nossas
almas.
Compreendendo a realidade da Formática, podemos
na realidade actualizarmo-nos até na nossa
fé. É que ainda que pareça ilógica às vezes, a
fé assenta-se sobre realidades que ultrapassam
ainda a nossa capacidade de compreensão. A
missa por exemplo, explico aos meus filhos,
nao é mais do que um Main Menu, onde vamos para
organizarmos o nosso sistema de alma, fechando
programas, abrindo outros, dando ordem e função
ao que queremos de acordo com a lógica do
computador. Não o fazendo, roubamos de Memória
e metemos em perigo o bom funcionamento desse
sistema. Ainda que não compreendamos o que
esta a acontecer, a Missa, é a ocasião de nos
metermos em linha e de sermos postos em linha
pelo CD Rom superior- Cristo sendo o nosso
sistema de Windows 95, que facilita essa
comunicação a nível binário-simples e
complexo. Para os que não percebem nada de
computadores, é aí que se encontra um
principio, uma orienta- ção, do que fazer para
se poder usar o computador, onde se pode
dialogar com o sistema. Sem esse desejo de se
abrir um Main Menu, como sem o desejo de se
assistir a uma missa , só nos provamos no fim
os mais idiotas, aqueles que pela sua
ignorância se metem fora do alcance de meios
que só nos podem completar e enriquecer.
Depois, assim como o meu computador produz sons
de avisos ou mesmo revela icons que me avisam
sobre os erros que faço, que vão desde a erros
casuais a erros mortais para o sistema, eis
Fátima, um icon do Espirito que Cristo prometeu
deixar entre nós, ali, como em muitos outros
lugares santos, na pessoa daquela que mais
amava, e a que a ele nos liga, Maria. Assim na
programação do mundo, no momento em que nos
desviamos da configuração original para que
fomos criados, surgem essas revelações.
A própria oração é como o sistema de
protecção que instalamos no nosso
computador, ainda que o desdenham
alguns, é a unica forma de nos
protegermos do mundo pernicioso que
nos rodeia, invade até ao intimo,
nos contamina com a sua própria
programação falha e destruidora.
Orar, portanto, é como fazer um
"scanning" ao intimo, purgá-lo de
influências destruidoras, falhas na
razão binária. Por isso o pedido de
Fátima, "Rezai o terço!" , e o seu
pedido que a Russia, no seu sistema
de " O programa é nosso Camaradas,"
e "Construamos, destruindo," se
convertesse, são indicações que
existe sim um programa para o mundo
e que esse programa é divino, que
segue os moldes de Cristo. Fátima e
o nosso sistema de protecção ao
vivo. Em outras palavras, Fátima, é
de certo a melhor indicação, hoje,
que nós todos pertencemos a um
sistema superior divino, um sistema
que nos protege,segue, está
presente, como Cristo prometeu. É o
icon do Espirito que nos avisa do
perigo que existe nos códigos do
orgulho colectivo, na ameaça
nuclear, nos erros de uma sabedoria
frouxa e outras modalidades do
espirito moderno cada vez mais sem
fé, mais exposto à mentira que se
impõe como verdade, ao erro e à
falha, o virus que nos pode,
destruir, destruir toda a nossa
realidade humana..
Notando que me prolonguei muito nos meus
devaneios termino, esperando só que me
compreendem aqueles que compreendem os
computadores e que possam me compreender na fé
aqueles que nada percebem de computadores.
Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha
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