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Silvério Gabriel de Melo


Internet e o Programa da Vida e Natureza


Quando me sento ao computador, é quase o mesmo como quando me sento ao volante do meu carro - enquanto conduzo, sem saber como, como alguém que fuma, medito.
Nós também acabàmos de comprar o nosso computador e é com gosto que nos sentamos e exploramos este novo meio, não só de comunicação, mas também de expressão, de racionalizaçao, de acção- Nos dias de hoje toma o lugar do cão, como nosso melhor amigo. Agora compreendo o entusiasmo que presenceava nos gurus da informáti- ca quando, como se falassem de cavalos de raça , ou homens numa feira se perdiam numa linguagem própria, um lingo de anacronismos e de conceitos fora do alcance da pessoa comum.
E', de certo um mundo novo que o computador abre para nós; maneiras diferentes de pensar; racionalizar as coisas. sem dúvida, marcam eles uma nova etapa no nosso destino humano, uma nova era. Assim como a invenção do carro modificou o mundo em que vivemos e lhe abriu estradas, os computadores, já estão a abrir a suas próprias vias do futuro- um futuro mais vasto, mais rápido, mais irmão da própria mente.
Como os nossos antepassados, assim, encontramos no computador a mesma fascinação que os ligava às estrelas à noite, ou á magia do fogo. Para eles o firmamento era o meio todo sapiente, que ascultavam maravilhados, era a presença fantástica que os completava e os engrandecia. Hoje em dia, aqui estamos, fixados no écran destas máqui-nas todas sabedoras que nos completam e fascinam. Até se Adão e Eva vivessem hoje, de certo, que seria um computador a maçã, que os conquistava, os faria encontrar-se a si mesmo mais uma vez, os elevaria, reduzindo-os ao mesmo tempo à condição humana em que caìram e nos encontramos. Fazem-nos eles possíveis horizontes até então nunca cobi- çados, ou mesmo concebidos. Eles expandem os horizontes da mente, dão-lhe nova força e poder. A sua atracção pode até tornar-se um vício- para. muitos, uma autêntica droga, um domínio, quase religião, ou seu substituto. É pensando em termos dos computadores, que me atrevo, à minha forma traçar paralelos entre o sistema de informática e a nossa condição humana, mesmo com a própria vida. É que compreendendo melhor a complexidade de sistemas de multi-circuitos, com base no sistema binário, compreendemos melhor a vida, o nosso próprio âmbito humano, a própria formática da nossa humanidade.
Assim, no meu passeio matinal com o meu cão, diverte-me o notar que afinal, o Internet não e', não, nada de novo. Sorrio, quando o meu cão, um Cocker Spaniel, fica todo contente ao ver-me vestir o casaco e por na cabeça o chapéu. Excitado, quase que me arrasta para fora de casa. A primeira coisa que faz, então é deixar as suas iniciais junto ao canteiro mais próximo da porta. Segue depois em direcção ao caminho que leva ao bosque, parando aqui e ali para ler as mensagens químicas deixadas por outros da sua espécie. Aqui, teima em apurar o chão ate' ao último vestígio químico; ali parece que rosna mal humorado e daí passa ate' mais adiante no seu rito contínuo de interpretar a informática canina, alheio a mim ou à paisagem. Ás vezes e' mesmo preciso puxá-lo com vehemência para que pare de farejar certas mensagens que o dominam totalmente. Periódicamente, depois de curta "leitura" levanta a perna e deixa a sua própria missiva. É o seu próprio sistema de Internet em acção, a maneira em como contacta e delimita o seu território na forma mais primitiva. Nós- num mundo cada vez mais alheio e isolado uns dos outros, também encontramos na Internet e E-mail maneiras de comungar uns com os outros da forma mais imparcial e conveniente- a nossa missa tecnológica para o mundo cão em que vivemos. Por isso, viva ao Internet!
... Como as pessoas, até, os computadores, também são susceptívéis a vírus que os contaminam e até ameaçam a existência. Isso aconteceu a semana passada ao nosso. De um momento para o outro, vimos um virus tragar a memória do nosso computador, sem que soubessemos o que fazer para evitar que se alastrasse. Depois de algumas manobras futéis, só podemos anotar os últimos ritos que ele nos indicava que seguissemos. Foi como se nos tivesse morrido um animalzinho de estimação muito querido. Ficàmos tristes e desolados- como se diz, " com a alma aos pés" perante esta máquina de súbito sem vida ou sem alma.
Esse facto fez-me então pensar. Um computador, como uma pessoa é feito para uma função, a de pensar, actuar, viver de acordo a uma programação préviamente configurada. Nessa configuração obedece a certas normas e regulamentos, códigos predestinados, que lhe asseguram a existência e forma de expressão- a nossa humanidade. No momento em que nos expomos a configurações alheias ás leis da nossa humanidade, expomo-nos a contaminações, perigos que nos podem fragmentar a alma, o nosso CD-Rom. Foi isso mesmo que aconteceu ao nosso computador, de um momento para o outro aceitou a sua própria destruição, deixou de ser válido- perto de dois mil dollars de valor, perdidos quando se deixou imprimir por qualquer programa alheio á sua própria lingua-gem e razão de ser. Na vida só se deve ter um senhor. Agora compreendo isso melhor.
Compreendo também melhor a nossa fragilidade perante o mundo que é a fonte da fragmentação, do erro, do engano, do pecado, sempre disposto a penetrar até ao nosso intimo e tomar controle da nossa programação até à destruição. É que nós também somos uma programação, o nosso menu é a nossa fé, o nosso fado, o nosso destino.
A própria vida não passa de uma programação. Isso é, esta nossa passagem na Terra, como seres vivos, iguala-se a uma programação que obedece a certos códigos e normas. No momento em que a desobediência penetra a nossa alma- nosso CD Rom, pela tentação, contaminamo-nos, permitimos a nossa própria descodificação. Assim o pecado não passa de um virus, um programa alheio à nossa configuração que penetra até ao nosso intimo e nos destroi, às vezes gradualmente, outras vezes súbitamente, sem aviso, permite a destruição das nossas almas.
Compreendendo a realidade da Formática, podemos na realidade actualizarmo-nos até na nossa fé. É que ainda que pareça ilógica às vezes, a fé assenta-se sobre realidades que ultrapassam ainda a nossa capacidade de compreensão. A missa por exemplo, explico aos meus filhos, nao é mais do que um Main Menu, onde vamos para organizarmos o nosso sistema de alma, fechando programas, abrindo outros, dando ordem e função ao que queremos de acordo com a lógica do computador. Não o fazendo, roubamos de Memória e metemos em perigo o bom funcionamento desse sistema. Ainda que não compreendamos o que esta a acontecer, a Missa, é a ocasião de nos metermos em linha e de sermos postos em linha pelo CD Rom superior- Cristo sendo o nosso sistema de Windows 95, que facilita essa comunicação a nível binário-simples e complexo. Para os que não percebem nada de computadores, é aí que se encontra um principio, uma orienta- ção, do que fazer para se poder usar o computador, onde se pode dialogar com o sistema. Sem esse desejo de se abrir um Main Menu, como sem o desejo de se assistir a uma missa , só nos provamos no fim os mais idiotas, aqueles que pela sua ignorância se metem fora do alcance de meios que só nos podem completar e enriquecer. Depois, assim como o meu computador produz sons de avisos ou mesmo revela icons que me avisam sobre os erros que faço, que vão desde a erros casuais a erros mortais para o sistema, eis Fátima, um icon do Espirito que Cristo prometeu deixar entre nós, ali, como em muitos outros lugares santos, na pessoa daquela que mais amava, e a que a ele nos liga, Maria. Assim na programação do mundo, no momento em que nos desviamos da configuração original para que fomos criados, surgem essas revelações.
A própria oração é como o sistema de protecção que instalamos no nosso computador, ainda que o desdenham alguns, é a unica forma de nos protegermos do mundo pernicioso que nos rodeia, invade até ao intimo, nos contamina com a sua própria programação falha e destruidora. Orar, portanto, é como fazer um "scanning" ao intimo, purgá-lo de influências destruidoras, falhas na razão binária. Por isso o pedido de Fátima, "Rezai o terço!" , e o seu pedido que a Russia, no seu sistema de " O programa é nosso Camaradas," e "Construamos, destruindo," se convertesse, são indicações que existe sim um programa para o mundo e que esse programa é divino, que segue os moldes de Cristo. Fátima e o nosso sistema de protecção ao vivo. Em outras palavras, Fátima, é de certo a melhor indicação, hoje, que nós todos pertencemos a um sistema superior divino, um sistema que nos protege,segue, está presente, como Cristo prometeu. É o icon do Espirito que nos avisa do perigo que existe nos códigos do orgulho colectivo, na ameaça nuclear, nos erros de uma sabedoria frouxa e outras modalidades do espirito moderno cada vez mais sem fé, mais exposto à mentira que se impõe como verdade, ao erro e à falha, o virus que nos pode, destruir, destruir toda a nossa realidade humana.. Notando que me prolonguei muito nos meus devaneios termino, esperando só que me compreendem aqueles que compreendem os computadores e que possam me compreender na fé aqueles que nada percebem de computadores.

Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha


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