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Silvério Gabriel de Melo


Por Estradas do Pensamento
Uma Pontinha do Inferno


Lembro-me há anos na minha primeira viagem a Paris circundar La Place de La Concorde. Para melhor podermos ver o Arco de Triunfo, consegui conduzir o carro para a linha mais próxima do centro, livre do lado esquerdo de qualquer entrada de carros. Ali onde o tráfico de cinco ou mais avenidas todo se despeja, numa roda viva de carros que mais parecem os carrinhos numa feira de diversão, que é mesmo um "vai bater, vai bater," entrar para o centro foi fácil, mas depois para de lá sair, com o tráfico agressivo, foi mais difícil.
A vida é como uma estrada que seguimos, em que se não pode, nem se deve recuar, onde só se deve avançar custe o que custar, der no que der, esperar pela altura própria e agirmos não só com prudência, mas expediência.

A qualidade geral do tráfico, a humanidade depende mesmo que todos numa forma racional, considerada, atenta, nos desloquemos, sigamos o nosso caminho, onde manobras cortêses, cooperação e respeito consigam que todo o tráfico chegue aos pontos de saída correctos sem acidentes e demoras. Quanto mais todos nós praticamos uma forma de viver responsável e atenta, mais rápido e mais suave se torna o trajecto para todos nós, menos caótico o curso que seguimos.

Desta maneira, enquanto houver homens que levam a vida a andar contra a corrente, a entrar dentro e fora, a viver segundo a norma do "Venha a nós o nosso reino," se dão a exagêros, assim impedido fica o livre avanço de nós todos. Cada desastre no caminho da vida, cada crime, cada suicidio, cada abuso, cada injustiça e perversidade nos diz a todos respeito--- cada fraqueza humana nos enfraquece a todos.

No contexto do moderno e permissível, do novo e do bom gosto, torna-se fácil cada vez mais o ignorar a lei, os valores da família, se ainda existem, a dignidade humana-- do se permitir o vício, a violência, o passar por cima e deixar para o lado o próximo pela força, pela ameaça, pelo medo, pela falta de vergonha e respeito.

Por isso antes que vejamos o mundo seguir por linhas onde nem os governos valem, em que o homem feito uma fera se comporte como este Verão os Hooligans Inglêses e Alemães na França, os caóticos, que acham mesmo um prazer ainda maior do que sexo e o desporto, o bater e matar, criar confusão, valer a sua vontade perturbada, há que dar uma olhadelazinha ao mundo que se inferniza e arde, tem que ter, tem que vencer, tem que mandar, obrigar, fazer o que apetece; se impõe pela ira, o berro, a força. Mas, como educar um mundo que deixou de se impressionar pela razão, que palhaço se ri do pouco que resta de pudôr, do bom senso e só permite o laxo e ilícito; sem mêdo e sem vergonha, segue os seus instinctos mais que a sua razão, faz o que lhe dá na gana, o que lhe apetece sem dar contas ou se importar com ninguém, mas a sua pessoa?

Há dois anos quando visitei Massachusetts, notei por uma estrada fora, que liga Horseneck Beach a Westport, perto de Fall River, que nos dois lados da estrada haviam colocado filas de cruzes brancas a assinalar os pontos onde alguém havia morrido vitima de desastre. A princípio pensei que era qualquer evento especial, até que alguém me informou que nessa estrada, morriam muitos jovens em acidentes de viação isso na época de Verão, quando com um pouco de Sol e de bebida ou droga, ou por mera festa ou prazer. Da mesma forma, nas nossas bases Americanas na Europa, antes do Natal e do Fourth of July, agora no Verão, colocam um carro vítima de algum desastre, mesmo do pior desastre, o carro mais despachado que houver, para melhor impressionar o facto de que a falta de cuidado e o alcoól possam levar a tais acidentes.

Em Fatima, foi com a visão do inferno que o Espírito indicou os abusos do mundo e a necessidade de nos modificarmos. É realmente à beira de um vulcão que melhor nos capacitamos da fragilidade da vida sobre este planeta e onde melhor se pode desenvolver uma atitude de respeito e de apreciação pela vida. Da mesma maneira para tentarmos educar os controladôres em todos nós, há que por instante mostrar o cenário de tais atitudes como se estão a propagar e a conseguir o inferno entre nós.

O próprio Holocausto, foi uma lição dessas que nos fez pensar, nos faz pensar ainda, cujo o impacto ficará por ainda mais um tempo a apontar o abuso, o terror, as consequências das nossas atitudes e tendências e de dentro para fora, com o coração nos desviarmos de tais exagêros do orgulho ou estupidez humana que é o orgulho e a indiferença colectiva.

Para educar da mesma forma precisamos não saturar com palestra e lições incómodas, mas simplesmente mostrar um cenário das consequências que advêm de tais formas de pensar---ou em outras palavras fazer ver, ou pensar é a melhor forma de educar.

Minha mãe costumava a dizer quando era criança, "Filhos desobedientes têm sempre o seu castigo," e com isso fazia-nos pensar e resolvermos por nós o aceitarmos as consequências do que fazíamos, assim travando a nossa vontade. Dava-nos assim a liberdade de pensar, de escolher o que fazer, fazía-nos ver de uma forma em que quem determinava o que fazer eramos nós no fim.

O controladôr que é educado à pancada e ao berro não se muda; antes pelo contrário usará da pancada e do berro como instrumento da sua própria maneira de ser para uma vida de abuso e desgraça, de desgosto para si e para os seus.

A criança que aprende a impôr-se pelo berro, o amuo, o pontapé o "quero posso e mando" , aprendeu tais atitudes no âmbito daqueles à sua roda que, coitados, "não sabiam o que faziam," quando no seu amor puseram condições, no seu educar escolharam a ira, no seu quererem-se impôr levantavam as vozes-- ameaçaram e fizeram valer a sua vontade usando do abuso físico ou verbal.

É que a criança tratada de uma forma violenta recorre à violência para se impôr. A criança tratada sem respeito, ou numa forma irracional, torna-se aquilo que aprendeu a ser e um dia quantas delas irão mesmo trocar o soco e o pontapé, o berro e o palavrão pela pistola e a navalha, a bebida e a droga, ou outra qualquer atitude extrema de falta de bom senso. Educar os nossos em alturas em que estamos zangados ou fora de nós, faz com que eles aprendam isso mesmo, a escolher a ira, ou qualquer outra forma. Para uma criança até, não é que se lhes diz que conta mais, mas sim o geito em que se o diz, o tom de voz, o tempo que se tira e a proximidade que se toma, o modo em como se o faz, se se põe tudo de lado para com eles falar, se lhes damos a atenção que necessitam. Até, ainda mais do que tudo isso, o exemplo do que se faz e do que se diz é a forma mais directa e profunda de toda a sua aprendizagem.

Nos dias de hoje em que tanto o pai como a mãe precisam de trabalhar, e quando chegam a casa já estão cansados e fartos, educar tornou-se qualquer coisa de esperar pela melhor oportunidade. A gande mãe da sociedade moderna, portanto tornou-se a televisão e os jogos de Nintendo. A sociedade inteira sofre por tal ordem de coisas, onde quem é mais esperto em termos de reacções físicas, de agilidade, de força e músculo, de glamor e sexo, e a vida segundo as leis do écran e Hollywood, é que conta. Há mais ou menos dois anos numa reportagem sobre a liberdade na Rússia, numa estação de televisão Alemã, a Vox, dedicou-se um programa sobre um culto erótico, em que um grupo de pessoas praticavam o sexo livre, em missas género do Big Dan, ou do genêro daqueles praticados no âmbito do pornográfico, onde se fazem trocas de parceiros e sexo em série ou em massa, para assim invocar o Deus do Sexo, segundo eles da energia criadora por excelência. Para entrar em contacto com tal Deus entregam-se a orgias. Ora nesse culto na Rússia, o objectivo passa pelo sexo, mas é ainda mais deturpado do que isso. Chegam a ter sessões por contratos com certas morgues, onde se apresentam para em ritos macabros acordarem nos mortos o instinto que deles foi e outras modulações em forma de invocar o espírito da luxúria a quem se entregam de corpo e alma. Nesse contexto, o que se limitava a observar sem participar era visto como o inibido, o incapacitado, o atrasado-aqueles com problemas que os inibiam e os imposibilitavam. Quem vem à Alemanha e outros países Nórdicos, por exemplo, nota logo um liberalismo em muitos sentidos. Quem visita Bruxelas, Amsterdão, Frankfurt, Hamburg, Berlin, etc. as grandes cidades na regra geral não precisa procurar muito pelo negócio da carne, estão quase sempre em lugares bem acessíveis nos centros das cidades, junto a estações do comboio, em Aachen mesmo por detrás da catedral de Carlos Magno, etc. Quanto aos campos de nudismo, onde houver uma praia e onde o Sol brilhar deve em alguma forma Muitos Americanos amam mesmo uma viagenzinha à Europa das grandes cidades por esse facto. Para os moldes Europeus que há mal nisso? De certo que não! Cada um faz com o corpo o que lhe apetece. Mas como foi expresso por alguns dos Hooligans entrevistados esta semana, chega-se a um ponto que nem o sexo satisfaz uma pessoa, mas sim o mais erótico, o mais carnal, o mais besta e mais final--para quem a violência, mesmo o homicidio e o suicidio, se tornam acções extremas do erótico-- estou a falar de Baco pr Numa era de video camâra até se arma um negociozinho qualquer com o que se faz à pessoa que se mutila por prazer--em noticia mesmo hoje, ou à criança que se abusa--a pedofilia. Através de reportagens e entrevistas com jovens mascarados do âmbito dos hooligans, sabe-se que existe uma dominante tendência de comungarem as suas idéias destrutivas à vontade e sem restricções, quer pelo internet e pela tecníca moderna e encontros em que mutuamente se provocam, ou se juntam em pactos para bater se baterem uns com os outros, criar banzé em festas e jogos de football ou em pacto divertirem-se com o abusar o estrangeiro, destruir o seus clubes, e o fazer sentir mêdo. Para eles tais faça Esses hooligans, porém, cada vez mais comprovam que são pessoas tão obsecadas pelo prazer que advêm da violência, que a tratam como um desporto, uma emoção mais forte que o climax sexual ainda. Alguns de uma forma medieval vão para os bosques esperar outros grupos de jovens e aí assaltar, dar murros, deixar alguém a sangrar, não por brincadeira, mas por necessidade de gozo, de causarem o terror, de saciarem a sua vontade terrorista de violar, espatifar, darem expressão à fera. Sentem, segundo afirmações deles, prazer maior ainda do que o sexo, que se torna uma insignificância em comparação, quando molestam, brigam, espancam, socam, dão pontapés, torturam o próximo. Consideram-se "bungee jumpers" sem corda e tais experiências mais excitantes ainda do que o saltar de uma ponte ou torre amarrados a uma corda ou do que o pulo de um avião, em pára quedas. Muitos julgavam que se tratavam de jovens desempregados. drogados ou degenerados um tanto ou quanto marginalizados, que pela bebida chegavam a exagêros e a demonstrar a violência que advêm da frustração das suas condições . Segundo estudos levados por universidades em Hamburg, isso muito longe da verdade. Os hooligans são antes um quase que culto com tendências a alastrar-se entre engenheiros, doutores, rapazes de universidade e outras pessoas bem postas na vida, não só aqui na Alemanha, mas também n Aqui já veêm dentro do premissível em que direcção a estrada vai. É que quem conhece um riacho, conhece também já o rio. Quem conhece um outeiro conhece a montanha e num principio de um trilho já começa uma estrada. No horizonte pois de tais anormalidades, poderão capacitar-se que há ainda mais do macabro e do horroroso a tomar conta da razão---realidades que precisam apenas dramas como o durante os jogos de football em França, ou os casos de pedofilia na Bélgica e Holanda e de casos macabros de mutila Tais atitude acreditem ou não começam quando damos largas à nossa vontade nossos desejos incontidos; infernizamos, ardemos, nos damo à liberdade que tudo controla no fim. Entregues a um amor-próprio sem limites, abertos para o abismo de nós próprios, quantas vezes, nem já se pode dele sair como um incauto na praça de La Concorde. Assim como já conseguimos um espirito responsável em termos da natureza, já nos capacitamos dos nossos erros nesse campo, estamos dispostos a corrigir a nossa maneira de pensar em termos da poluição e abuso do meio ambiente, cabe agora a nossa própria humanidade, acordá-la, revitalizá-la, proteger o seu trajecto de uma forma nobre, abrir-lhe o caminho para o livre avanço de todos nós num trajecto sem perigo e sem mêdo.

Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha



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