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Silvério Gabriel de Melo


Por Estradas e Caminhos do Pensamento
Cristo Jesus - Ecce Programa


A minha primeira experiência com computadores está imersa na atmosfera de ignorância virgem sobre tais realidades como do que se tratava de um "virus", ou um "macro", quantos "K"’s e quantos não "K"’s de memória um computador tinha ou o que constava de um CD Rom ou hard disk, o que era um byte e outras coisas do gênero.

Nessa altura poucos eram os peritos no assumpto, os tais que com vanglória tão depressa se encontravam começavam logo a falar de computadores uns com os outros como se tratasse de assumptos da sua própria potência ou como se os conhecimentos de informática só a eles dizessem respeito e os fizesse uma classe à parte, monges da informática. Usavam de uma linguagem especializada e um entusiasmo entre si como se vendedores de cavalos em negócio inveterado, enquanto nós não sabíamos patavina do que estavam a referir-se.

Depois, quando adquiri o meu primeiro Pentium, lembro-me de ainda involto num véu de ignorância, ter enviado diversas mensagens por e-mail da escola onde trabalho a fim de praticar. Até enviei uma mensagem em macro o que quer que isso fosse. Bem, ao receber uma dessas mensagens que enviei, sem prestar a atenção ou perceber o aviso que o computador me forneceu, abri o documento, para logo a seguir notar que deixára de poder usar o computador. Fora como se eu tivesse introduzido um esgoto no sistema. Em nenhum tempo fiquei impossibilitado de meter qualquer programa a funcionar e os icons sucederam-se tais como "erro mortal" ou coisa parecida na linguagem quase cabala da informática e de um aviso a outro fiquei no fim reduzido a um écran morto, sem saber o que fazer.

Como também levava e trazia disquettes que usava na escola, e como diversos alunos experimentavam e infestavam o sistema, fiquei sem saber se realmente foi o E-mail em macro ou algum disquette contaminado que de um momento para o outro se apoderou do sistema e o inutilizou. O que quer que fosse, fez-me aprender depressa que como no mundo real, existem na informática sistemas e contra sistemas e que a perfeição de um sistema pode, sobreposto sobre o outro reduzir ao caos toda uma programação. Há que possuir um sistema de protecção e definitivamente aprender-se a compreender a informática para a usar condignamente.

Ora, hoje em dia, por todo o lado, o acesso e uso do computador tornou-se uma realidade ao ponto de já se custar a distinguir entre peritos e amadores, em outras palavras, o progresso da informática é de tal ordem, que ninguém se pode realmente considerar perito em nada. De um momento para o outro introduzem-se inovações que tornam tudo o que se sabia quase absoleto ou trivial.

Expostos à realidade da informática, portanto, hoje em dia, com mais facilidade olhamos para a nossa própria realidade como uma programação disposta a configurações minuciosas que só agora podemos realmente apreciar e compreender.

Consta por exemplo, que algures em Ghana, país africano, depois de se construirem enormes barragens, deu-se lugar a um grande lago artificial. Só para esse lago se encher completamente, levaram mais ou menos quatro anos. Durante esses quatro anos, toda a vida animal passou a fugir à subida das águas como do Dilúvio dos tempos Bíblicos. No fim, com a ajuda de guardas florestais, todos os animais encontraram refúgio e se salvaram do avanço das águas.

Acontece que numa ilha que se formou nesse lago se concentraram um bom número de toda a qualidade de animais refugiados, entre eles uma manada de elefantes que a seu modo começaram a alimentar-se de toda o tipo de ramagem das poucas árvores existentes nessa ilha e da erva que devido ao número concentrado de herbívoros ameaçava extinção.

Pouco tempo depois, acontece que os elefantes mais velhos desenvolveram uma doença que lhes paralizava o movimento do tromba, o que os impediu de se alimentarem como se vinham a alimentar até então. Passaram a definhar devido à impossibilidade de arrancar a erva e de arrebentar os ramos das árvores.

Logo os cientistas, julgando isso ser um vestigio de qualquer forma de veneno presente nas águas ou no solo, procederam a todas as qualidades de testes e investigações, para surpreendidos notarem que nem a água, nem o solo mostravam qualquer contaminação.

Seguiram-se as pesquisas e as diferentes conjecturas para no fim se substancializar a suspeita que as próprias ervas e vegetação devido ao consumo concentrado tinham desenvolvido um químico para protecção própria e que esse químico uma vez ingerido produzia a paralesia da tromba dos elefantes mais idosos, assim regulando e protegendo a vida vegetal sobre essa ilha de uma forma selectiva a proteger os animais mais jovens e as espécies mais carecidas.

Assim a própria natureza possui sem sombra de dúvida um programa, uma inteligência su generis, onde fenómenos como o el Nino e el Nina não são tão à sorte como julgamos, mas sim uma reaçcão quase orgânica a influências quer da natureza do Sol e sua actividade, assim como de transformações na atmosfera induzidas pelo homem ou de ordem natural.

Como seres humanos, capazes de raciocinarmos e de documentarmos tais realidades, capacitados da infalibilidade da ciência e do processo científico, surpreende-nos e confude-nos tais demonstrações e caprichos da natureza como a doença das vacas loucas, o virus da SIDE, o El Nino, e outras aberrações que escapam à sagacidade científica de hoje em dia.

Entre caprichos naturais, um problema que preocupa alguns cientistas alemães, é o caso da falta de fertilidade da maior parte dos homens alemães, isso quando comparados aos homens do terceiro mundo. Apesar da sua virilidade, lascividade e presuposta potência, cada vez mais a contagem de espermatozóides numa grande percentagem da população masculina tem vindo a decrescer, viagra ou não. Os cientistas relacionam tal facto às tenções modernas do dia à dia, o stress, e exigências de rotinas de trabalho e preocupam-se com a tendência cada vez mais pronunciada de tal ordem de coisas. Segundo eles, aí pelo ano 2050 notar-se-há o efeito de tal realidade.

Assim como na Alemanha, em qualquer país industrializado os resultados sobre a fertilidade ou não masculina serão os mesmos, dado as mesmas pressões e tensões de trabalho e condições da vida moderna. Assim, pois, quando o mundo se escandaliza com a vida sexual e a lascívia do mundo ocidental, a natureza de uma forma subtil e imperceptível está disposta a pregar mais uma partida, dando ao indu, ao africano ou ao sul americano a primazia em termos de fertilidade sobre o macho alto, forte e fornicador do Norte.

Quanto a Deus nessa ordem de coisas, se está directamente involvido ou alheio a todo este dilema humano, se é uma identidade à parte ou integra desta programação a que chamamos a vida e o mundo, para os que a todo o momento gostariam de se colocarem face a face com ele, exigem a sua presença, tê-lo entre nós seria o mesmo como se num banheiro abrir-se uma torneira que de imediato esvaziasse todas águas dos oceanos, lagos, cascatas, rios e ribeiros, chuvas e monsoons do mundo. Querê-lo ou exigir a sua presença para resposta às nossas crenças e dúvidas é desejar submergir esta realidade e dar lugar a uma realidade inconcebível à mente humana. Sendo ele a razão e fonte de toda a realidade, do universo todo, de toda a forma de pensar e de sentir, um composto de mundos e de idéias por nós ainda inconcebíveis, as suas manifestações nesta realidade fazem parte do programa de vida e de existência. Em outras palavras ele é o Sof da cabala Judia, o Deus e céu escondido-- imperceptível, sem nome, alheio, ao mesmo tempo contíguo a tudo e todos.

Nesta forma de pensar perguntamos, e Cristo, será que era realmente Deus, ou apenas algum visionário, revolucionário, guru, evangelista do tipo de Billy Graham? Será que esse homem não passava de alguém com um carisma e inteligência fora de normal, um prodígio de personalidade que profundamente marcou os homens e o mundo do seu tempo ficando o seu magnetismo gravado na história? Pois, como pode um nada que é o homem conter o tudo que é Deus?

Nesta época da Páscoa, quando à nossa roda tudo se transforma, mais uma vez na natureza iremos encontrar a resposta. Toda a célula viva contém como esquema químico o total do organismo, mais todos aqueles dos seus antecedentes. Em cada uma das nossas células, existe uma substância que inclui todo o programa físico e químico de cada um de nós e até dos nossos antepassados e parte da estrutura das gerações futuras---- um todo em nada, o ácido deoxiribonucleíco, mais conhecido como o DNA que se encontra nos cromossomos de cada célula. Esse ácido é realmente o milagre da vida em todas as suas formas. Ele explica a genética de todos os seres vivos.

Nesta época da Páscoa, quem compreende a dinâmica maravilhosa do DNA, pode também compreender aquela desse homem Deus, esse Cristo, pois nele--homem insignificante como nós, estava o todo, a química do espirito vivo, nele a renovação total da criação. Da mesma forma, através dele ou na fé nele, conseguimos como se um novo gene ou chip ou um Windows espiritual que nos transforma em seres do espirito, criaturas de um mundo que não é deste mundo e de um programa de Deus que toca todos os universos e todas as maravilhas de sonhos. Inceridos nesse programa divino que é a fé em Cristo, podemos com a mesma fé que temos na ciência afirmarmos, "Realmente, esse Cristo Jesus era Deus, é Deus feito homem."

Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha



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