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Silvério Gabriel de Melo


Pelas Estradas do Pensamento - Caminhos de Estrelas


Esta Semana toda estive a apresentar Starlab, para os alunos da parte elementar da nossa escola ----um planetário portátil das Learning Technologies Inc. de Massachusets. Em Fevereiro, por cortesia, convida-me uma escola Alemã da área, para que faça o mesmo, e depois são os alunos secundários e o preparar outros professores para também poderem apresentar nas diversas escolas do sistema aqui na zona de Ramstein, Kaiserslautern e Wiesbaden. Apesar do muito trabalho, pois faço isso como actividade extra-curricular, maravilho-me com o entusiasmo que me rodeia. Nestas semanas param-me pelos corredores da escola, no banco, no mercado, como "Aí vem o Mr. Dimilo" ou "Diminico" ou apenas o "Starman" ou "Spaceman" Torna-se divertido. Rara é a classe ou o grupo por mais desassossegado que seja, que não se assossegue com as histórias e os dados do universo na sua forma mais superlativa. Quando lhes indico um balão vazio e lhes garanto que tudo começou como esse tal balão vazio-de um centro onde não havia nem tempo, nem espaço, e que devido ao Big-Bang, a eclosão da matéria da sua forma mais virgem e estável, tudo se desenvolveu---se conseguiu um universo com espaço e tempo que corre como por uma auto-estrada por aí fora a velocidades vertiginosas como, o nosso sistema solar a 30 kilómetros por segundo, ou o mesmo que 1,800 kílómetros por minuto.
Então sopro o balão e lhes mostro como o universo está a expandir-se e nele tudo a afastar-se de tudo mais, ficam então olhar para mim, cravados no seu interesse genuino por esse universo lá fora que nos rodeia e domina. Alguém sugere se o universo irá arrebentar como o balão. Sorrio para explicar que não, que os cientistas julgam que o universo ou vai continuar a expandir até gelar, ou voltar ao principio e a um ponto de espaço e tempo zero, mas que não se preocupem, não estaremos à roda quando se der esse processo. A seguir, tomamos então uma folha de papel especial e peço para que duas ou quatro crianças a segurem. Deixo cair então uma bola de berlinde sobre a tal folha para explicar a força de gravidade e o facto de que , no espaço a partícula mais pequena que exista pode causar a distorção desse espaço fazendo com que se afunde. Por isso, o universo todo ele é feito de formas em remoinho e espirais como aqueles que se consegue em qualquer esgoto.
Afirmo mesmo que o universo está-se a ir pelo esgoto abaixo e que os "Black Holes", ou Estrelas Negras , não passam do espaço que devido ao imenso peso de uma estrela se afundou ao ponto da luz de lá não sair em nossa direcção , mas do fundo como de uma chaminé indicada para cima, por isso o facto de julgarmos o haver aí um orificio.

Aviso-os, que à noite quando observam o espaço não se iludem, com a paz e silêncio das estrelas. Elas todas lançam-se no espaço a grandes velocidades entre o ruído enserducedor de como se de vulcões, ou trovoada que não pára. Mostro-lhes mesmo dentro de um saco de rede, uma rocha vulcância e indico-lhes o facto que no espaço tudo encontra um nicho, ou bolso e quando o assim acontece, faz com que toda a matéria à roda caia dentro ou se encontre num centro, de forma que no fim os átomos debaixo de fricção se incendeiam, formando uma estrela novinha em folha. Peço às crianças para esfregarem as mãos. Pergunto-lhes o que sentem. Contentes, informam-me que as mãos ficam a arder. Com isso lhes invidencio o principio das estrelas e a força termonuclear e como de matéria inerte, surgem as nebulas e as estrelas de enorme potência que pululam o espaço. Com três balões passamos, então a estudar a cor das estrelas e a aprender que quando são novas, as estrelas têm uma tonalidade azul-a cor da chama mais forte. Depois, como o nosso Sol, essa chama passa ao amarelo, mas que um dia, daqui a mais ou menos cinco milhões de anos, se tornará um gigante vermelho e se apagará depois de ter espalhado todo o seu conteúdo pelo espaço adjacente fora, deixando no centro o que chamamos um "white dwarf", um "anão branco" que pode, no caso de uma estrela mais potente que o Sol, explodir e tornar-se uma nova ou super-nova, ou simplesmente extinguir-se e tornar-se num "Black Dwarf" ou "Anão Negro" na maioria das estrelas, como o caso de estrelas menos potentes, e que tudo volta a repetir-se denovo num ciclo sem parar-é a vida das estrelas.
Depois aprendemos que o universo é composto de só apenas um terço de estrelas-a maior parte do universo matéria negra, "Black Matter, " que não dando luz, são os intestinos do universo na maneira em como deles se criam as estrelas e planetas, toda a mecânica do espaço em toda a brida pelo vácuo fora. Com uma tigela de alumínio cheia de bolas de berlinde em movimento, mostro-lhes como o sistema solar se trata de um recôndito onde o Sol faz centro e cujo o bordo é delimitado por cometas numa zona denominada como o cinto de Oort e que daí se despenham toda a vez que uma onda de gravidade os impulsiona. Uns conseguem um ritmo regular, como o cometa Halley, o Hale-Bopp, etc., mas outros menos fortunados podem apenas colidir com o que quer que lhes mete em frente, especialmente na zona de Jupiter onde existe uma barreira de asteróides gigantes que de uma maneira ou outra nos protegem da maior parte de projectis vindos do espaço lá fora. Há apenas dois anos, lhes informo, um desses cometas até se lançou contra o planeta Jupiter, e há outros que na sua queda para o interior se arremessam para o interior do Sol e de lá nunca mais saiem. Falando do Sol, explico que o nosso Sol, é uma ingénua e insignificante estrela nos arredores da Galáxia onde habitamos, e como qualquer outra estrela se comporta com explosões thermonucleares constantes que lhe dão vida e vigor. Afianço-lhes que o fenómeno de El Niño, ao contrário do que todo o mundo parece julgar, não é só o resultado das asneiras humanas, mas sim também efeitos da influência do próprio Sol, que há mais ou menos dois anos sofreu umas certas alterações e que essas afectam sim o clima sobre a terra, mesmo a própria constituição interior da Terra, quer o aceitemos ou não.

Antes de entrarmos no planetário por fim, peço para me identificarem uma estrela, se com cinco pontas como na Bandeira Americana ou se redonda como os faróis de um carro. Depois do erro geral, mostro-lhes uma foto do Sol e pergunto-lhes se o Sol tem cinco pontas. Riem-se divertidos. De certo que toda a gente sabe que o Sol é uma esfera. De certo também que todas as estrelas são esféricas-a forma mais comum dos corpos celestes. Digo-lhes, que as cinquenta estrelas na Bandeira Americana são um belo erro e ilusão, visto que as estrelas de cinco pontas só o são porque a nossa vista não abrange longe, da mesma maneira que quando à noite nos nossos carros ao olharmos carros longe julgamos também ver estrelas nos faróis dos carros, mas que ao esses se aproximarem, notamos que não há nenhum farol de carro com cinco ou qualquer outra ponta---isso tudo prova que a nossa vista é limitada quando se trata de distâncias grandes. Que por mais que vejamos somos limitados no que vemos.
Depois falamos sobre a distância das estrelas e como tudo é tão longe que mesmo à velocidade da luz, 186, 000 milhas por segundo, ainda assim para a maior parte das estrelas não veloz bastante para serem atingidas de um momento para o outro. Medindo em anos de luz, 6 trilhiões de milhas por ano, Proxima Centaur, a estrela mais perto depois do Sol estando a quatro a cinco anos de luz, e Sirius a 8 a 9 anos de luz, as estrelas mais perto de nós depois do Sol. Tudo mais em centenas de anos de luz, milhares e milhões-distâncias que nenhuma máquina humana alguma poderá transpôr. Faço-os observar que quando olham o céu à noite, estão a olhar como para um album de família, isso é para a luz das estrelas como elas eram há séculos ou milhares de anos, um céu passado, morto já em parte--outro. O céu de hoje só daqui a séculos é que poderão observar.

Entramos no fim desse primeiro encontro no exterior do recinto do Starlab, deixando ficar atrás os sapatos que tiramos para evitar estrago ou que no escuro do interior alguém se magoe. É como se ali se tratasse de uma mesquita, onde ali estejamos para orar.

Depois, atravessamos um tunel que nos leva ao interior, onde no centro se encontra um projector. Depois de todos entrarem e se sentarem no bordo interior dessa abóboda que é a replica do interior do nosso planeta, falamos sobre o mar de ar em que vivemos, como a luz ao entrar nesta bolha que é a atmosfera, se espalha produzindo o efeito do céu azul no alto ou na superfície desse mar de ar. À noite na ausência do Sol e da sua luz, então deparamos com o universo. Assim a atmosfera da terra é a nossa primeira máquina. É através dela que a na terra a luz se divide do escuro, quando no espaço tanto a luz como o escuro vivem lado a lado, parte do mesmo-e Deus disse haja luz.
Na Lua, por exemplo, todos os dias, são dias lindos de Sol a brilhar, mas ao mesmo tempo noite belas de estrelas a brilhar conjuntamente. É assim lá fora. É assim aqui neste planeta muito especial. Com uma lanterna de laser aponto para o chão e o ponto mais alto do interior, informando-os que são apenas 550 kilómetros de distância até ao cimo e ao espaço nocivo lá fora onde existem ondas de raios x e micro-ondas que nos poderiam assar como perús num forno se não nos protegesse a atmosfera. Refiro-me também à distância de onde moramos a Paris e faço-os comprender que tal distância não passa de um filme frágil, tão curto como de onde estamos a Paris, uma viagem de cinco a quatro horas.

O programa começa então com o céu como os Índios o viam. Primeiro mostro-lhes como no principio da Terra, o planeta era um paraíso, em como devido ao eixo da Terra estar direito, só haver uma estação no ano em que evoluiram toda a qualidade de animais e plantas, como se a nossa Terra fosse um ovo, quentinho ou uma estufa ond e à noite se conseguia o efeito de um Carroussel, de estrelas à roda de uma estrela central, como exactamente no Polo Norte hoje em dia . Depois falo-lhes do asteróide que mudou tudo com a sua aproximação muito perigosa da Terra; como os dinosauros desaparecerem devido a isso e como passamos a ter as quatro estações. Desde essa altura o eixo da Terra ficou inclinado-então demonstro isso com o projector.
Adicionamos o movimento das estrelas e colocamos uma música suave como fundo. Ali estamos como dentro de um ventre de uma mãe aprendendo sobre a realidade do espaço, o pai infinito que deparamos sobre o simples estofo de material sintético que dá a essa abóboda a qualidade de qualquer instrumento da NASA, um algo aspacial. Ali dentro desse ovo gigante no meio da Biblioteca ou às vezes do ginásio, partimos em viagem ao espaço de altos e baixos como num carroussel Russo - A Roller Coaster do espaço onde abundam as histórias dos deuses, e heróis tanto de Gregos como de Indios.

É aí, rodeado do fascínio de crianças que pergunto a mim mesmo, e como podem alguns homens agir comos os porcos-afocinhar os sentidos no dia à dia e não aceitar maravilhas como essas, onde tudo é possível.
Ali no escuro onde impera o silêncio de crianças que mal respiram e só se houve ao fundo o motor da ventoina que mantêm esse recinto, penso - estas ainda creiem e ainda esperam, ainda sonham. Com eles no curto espaço de quarenta e cinco minutos vamos de uma projecção à outra e quase sempre despertamos para a realidade quando lá fora um outro grupo falando alto e excitadamente espera para que saiamos logo. Depois voltamos a acender as luzes e damos uma volta ao recinto entre o "Wow!" e "Awsome!", chegamos de uma viagem pelos caminhos das estrelas e de dentro dessa abóboda gigante saiem falando e rindo ao mesmo tempo que calçam os sapatos e vão `as suas vidas e logo a seguir mais outro grupo e partem assim os filhos das estrelas--- encantados.
Num mundo de crianças rebeldes, revoltadas, encontro a qualidade inocente, a felicidade extraída dos seus próprios sonhos de infinito.
À tarde correm para mim com as famílias e sei que de algum modo fiz no seu pequeno universo de aprendizagem uma mossa que será o seu mundo, o seu sistema solar da fé no maravilhoso, no milagre do espaço e da vida que pulsa na matéria e isso me impulsiona às duras horas de preparação, pois vale a pena.

(Por Caminhos das Estrelas)
Para Continuar

Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha


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