ARTIGOS DE OPINIÃO
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Dividir África etnicamente é a unica solução para os problemas africanos


Caro sr Bafila Mpaka

Antes do mais queria cumprimentá-lo pelo seu artigo, antes do mais pelo tema em si, bastante corajoso.
Recordo que este tema, o da divisão imperial/colonialista de África, originou, já, históricamente, variadas vias para África, em especial quando estamos a tratar dos negro africanos, desde os pan africanistas do princípio do século, aos que foram os princípios da OUA. Em ambos os casos citados, por exemplo, nos deparamos com tentativas de superar os resultados da Conferência de Berlim - o retalhar África por zonas de interesse imperial. Também o Movimento dos Não Alinhados, esse mais Planetário, é uma tentativa de superar o mesmo tipo de retalhar, já que este não sucedeu somente no Continente Africano.
Gostaria de lhe deixar vários tópicos para reflexão: + Ao tempo da Conferência de Berlim não é verdade que não houve uma posição Africana no decurso da Conferência. Houve até várias posições Africanas que se encontram escondidas por detrás dos interesses imperiais da época e se a História Diplomática de hoje, ainda, não as reflecte é precisamente porque a Diplomacia no Mundo é das componentes mais retrogradas que existem à face da Terra, mais xenofoba, mais racista, mais antihumana que possamos imaginar - as Diplomacias, ao reflectirem o que denominam de " realpolitik ", reflectem precisamente a necessidade de esconder a História real, a dos Cidadãos e Cidadãs, a dos Povos, a das Nações de todo o Mundo. Assim, hão-de, enquanto tiverem poder para tal, esconder os movimentos, políticos e diplomáticos dos Povos, que estão por detrás da Conferência de Berlim, até porque como em África o que dominava à época era a História Oral, por tal, não existem Documentos sufcientes para " provar " os Movimentos Africanos.
Mas o Tratado de Simulambuku, por exemplo, entre os principes de Cabinda e Portugal, base da continuidade até de Portugal e não só da continuidade da presença de Portugal em África, com o Mapa Côr de Rosa, aí está como prova de movimentos diplomáticos africanos, movimentos que sustentaram os seus interesses, perante os interesses imperiais da época, buscando no Império mais fraco, Portugal, o apoio para a sua sobrevivência enquanto Nações e não somente enquanto Pessoas.
Entretanto, o século XX foi o século dos Estados, os Imperiais e os outros. Daí que a OUA tenha nascido com uma filosofia Africana entre Estados de África. Podemos chamar de tal uma cedência para a sobrevivência. Só que o século XX é um século pleno de mutações, a sua maioria extraordinariamente violentas. Nelas cabem o surgimento do último super Estado Imperial Colectivista que se viveu, até hoje, a União Soviética. Por entre os novos conflitos face aos novos Impérios do século XX, todo o Planeta sofreu e também, portanto, África. Desse sofrimento surgiu algo de novo - o desaparecimento de todo um Império, precisamente o Império Colectivista, a União Soviética.
A problemática dos Estados Étnicos chega, assim, tarde, na minha opinião, para África, já que existe uma elevada tendência para outro tipo de Organizações de condicionamento/ estruturação das sociedades - as Organizações Inter Estados/ Nações, como a União Europeia, a NAFTA, o SADC, etc. que de políticoeconómicas tendem rápidamente a acompanhar as necessidades desta nova Economia de Mercado que é a Economia Globalizada, como se vê com o EURO e a crescente defesa da Política Comum de Defesa na UE e a Política Comum Externa para a UE.
Duvidosamente caberá, neste contexto, a solução Estados Étnicos. Aliás, na minha humilde opinião, a solução hoje está em desenvolver mais um Combate - a luta pela democratização real destas novas Organizações, a começar pelo combate contra esta ONU Totalitária, não dependente das decisões dos Cidadãos e das Cidadãs de todo o Mundo.
A decisão passa, sempre, em todas as circunstâncias, pela decisão directa dos interessados e não pelas decisões " representativas ", sejam essas representatividades o Partido Vanguarda, nazi ou comunista, ou o Estado Vanguarda EUA, ( que aliás duvidosamente existe), ou a junção Vanguarda dos Estados, como é a ONU. E a decisão individual é o voto individual, secreto, que a faz, chamem-lhe Democracia, chamem-lhe o que quiserem, porque o voto errado muda-se, com novo voto, enquanto que a decisão errada de Vanguarda, seja ela qual fôr, antes do mais, procura a autojustificação dos Dominantes, pela maior Violência possível, mais até que a necessária, " para dar o exemplo ".
África vive tempos dolorosos, de sobrevivência e de violência e exploração como viveram a Europa e o Continente Americano no século XX, os Indios que o contem, ou como viveu o Continente Asiático também este século, ( a " diferença ", a razão porque não " dá nas vistas ", é simples, os asiáticos são muitos ).
Mas África sobreviverá. Tem bons lideres e não somente maus lideres. Tem Resistentes. Tem Pessoas. E as Pessoas são a maior Riqueza do Planeta, pode crer.
Com um grande abraço e esperando que este debate continue, Seu,

Joffre Justino hfoxpro@mail.telepac.pt


Meu caro,
Queirámo-lo ou não e até os relatos do Velho Testamento e dos restantes Livros Sagrados o mostram, os Seres Humanos existem para conviver e para se entenderem, cada vez mais.
Dramáticamente, nos anteriores períodos da História, a Humanidade andou tanto a destruir-se quanto a construir-se e hoje, todos nós, somos herdeiros desse Passado.
O que eu procurei mostrar, talvez mal, é que a nossa África não esteve longe da História, antes participou nela, definiu estratégias, optou por soluções, sempre considerando a sua capacidade em cada momento.
Não tenho nada contra os Estados Étnicos, nem entendo que a Democracia tenha de ter os mesmos mecanismos em toda a parte do Mundo. Acredito, por exemplo, que é essencial que nos Estados Africanos, em especial nos Democráticos, hajam instituições que enquadrem o papel dos Sobas e Mais Velhos, as suas funções, a sua História e a sua Sabedoria. Essa é a Tradição em África, como nos EUA existe um Senado e um Congresso, como na Grã Bretanha existe uma Casa dos Lordes e um Parlamento, a par com um Rei ou Rainha, etc.
Não vejo razão para que a Democracia não atenda à Tradição...
Também é evidente que entendo que uma das soluções possíveis, até considerando a História de Angola - a sua última fronteira actual foi reconhecida internacionalmente há cerca de 70 anos - passe pela existência de uma Federação de Estados, onde uma das bases seja a base Étnica da maioria dos Povos de cada Estado, ainda que em Angola a distribuição étnica não seja rígida, como penso que sabe. Agora também confesso que neste Tempo em que os super Estados o que querem é mesmo que ao seu lado só existam mini estados, sem voz e força, para dominarem melhor, os Estados Étnicos serão uma solução precária, se vista isoladamente.
Em Angola uma Federação, até para ultrapassar as suspeições em que vivemos, até em volta do Estado Centralizador que o MPLA criou, só em Luanda e vivendo do Petróleo dos Cabindas e dos Diamantes dos Lundas e do resto do País, não vejo porque não.
No entanto, como sabe, o Reino do Congo não cabe só em Angola, etc, e, por outro lado, pergunto-lhe, o que fazer em tais Estados das minorias mestiças e brancas existentes, assim como da tradição de grande circulação dos nossos irmãos Angolanos por toda a Angola?
Ainda em 97 vi uma família do Lubango a viajar desde o Lubango para as Lundas para comerciar cabeças de gado e não eram poucas as cabeças de gado, digo-lhe.
Um abraço,

Joffre Justino


Caro Mpaka!
Estava navegando na net, e vi o seu artigo, achei-o interessante, por isso na qualidade de angolano a residir em Portugal, passo a dar a minha pobre e húmilde opinião.
Antes de mais, começo por concordar com a sua interpretação, quando esclarece que os problemas africanos foram motivados pela partilha do continente negro aquando da conferência de Berlim, alias a este propósito, aconselho-te a leres o livro L' ÁFRIQUE NOIRE ET MAL PARTIE, de René Dumond. é de facto um livro sugestivo, na medida em que os colonizadores importaram as suas formas de vida para áfrica, esquecendo-se que cada povo tem a sua forma de vida, ou melhor, cada povo tem os seus hábitos usos e costumes, aquilo a que nós chamamos "cultura".
Estes príncipios não foram respeitados, tendo originado a degradação que hoje vivi o continente, porque o continente foi dividido a "metro" não foram respeitadas as tribos, os clãs etc. Foi uma desgraça total. Independentemente e tudo isso, eu penso que a questão africana passa por uma reflexão dos próprios africanos, na tomada de consciencia das suas vidas. Os africanos precisam de saber o que querem, e para onde pretendem ir. Este é um problema grave. Por isso, não podemos deitar culpas aos colonizadores, pois já sabemos que a colonização foi a maior das vegonhas da história da humanidade, mas não podemos ficar a pensr no passado.
O importante é unirmo-nos em torno da recontrução do nosso continente, até porque somos um continente rico, onde em nome dessa riqueza morrem milhares e milhares de africanos. Quanto a questão da divião etnica actual, julgo não ser aceitavel neste momento, até porque isso acarretaria uma serie de situações de vária ordem. Não devemos retornar, mas sim organizar a partir do que já está feito. A divisão não é a forma viável, antes a evolução do continente. Quando os africanos deixarem de delapidar os recursos do continente, quando deixarmos de fazer guerra em nome do povo sofredor, quando deixarmos de matar um irmão em nome da justiça, quando deixarmos a ganância... estaremos a caminhar para um continente melhor.
Sejamos optimistas, não façamos o discurso do "velhos do Restelo",. por um continente forte e únido sem lamentações e sem magoas. Viva áfrica, Que assim seja.

Pedro Martins André Cunha_Piedade@hotmail.com


Leia também, na sequência deste artigo, "MUNDO: Várias etnias...mas um só homem !", de Amaury da Silva Rego.


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