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O troco (quase) sempre... em euros


Há muitos, muitos anos, lá longe onde o sol castiga mais (Angola) havia uma frase publicitária que os homens da lusofonia certamente ainda recordam: «O troco sempre». Agora, nesta ocidental praia lusitana, neste jardim à beira mar plantado, as coisas são diferentes e o escudo passou (está a passar) à História... tal como muitas outras coisas.

Escudo morto, viva o escudo e venha o euro do nosso contentamento.
Temos a mesma moeda dos nosso parceiros, mas ganhamos muito menos.
Temos a mesma moeda, mas vivemos pior.
Não se pode (é claro!) ter tudo. Valha-nos, por isso, o euro.

A Comissão Europeia apelou agora, em Bruxelas, aos consumidores para trocarem no banco as notas nacionais de elevado valor em vez de as utilizarem nos estabelecimentos comerciais, por estarem a dificultar os trocos.

É caso para dizer... troco nunca.

O Executivo comunitário, apesar de considerar a introdução do euro como "um grande sucesso", refere que o afluxo das notas de elevado valor nos estabelecimentos comerciais "dificulta seriamente a entrega de trocos em euros".

Foi, embora à posteriori, uma grande descoberta. Outras, certamente, vão aparecer. A Comissão Europeia refere ainda que muitos estabelecimentos comerciais têm tido dificuldades em obter notas de pequeno valor. Como se vê, a Europa prevê tudo.

No passado dia 3, segundo o balanço feito pelo Executivo comunitário, a proporção dos pagamentos em numerário em euros progrediu fortemente em todos os países da zona euro, situando-se em média em cerca de 40 por cento.

Os dados disponíveis indicam ser a Holanda o país onde a proporção é mais elevada, sendo superior a 75 por cento. Na Alemanha, Grécia e Luxemburgo é superior ou igual a 50 por cento e na Bélgica, França, Itália e Áustria ultrapassa os 25 por cento.

Quanto aos restantes países, entre os quais Portugal, "a compilação dos dados não se encontra ainda completa". Claro. Não é o caso de troco sempre, mas de Portugal... sempre.

Os dados obtidos através da Rede Europeia de Informação Rápida indicavam também que no dia 3 e em média cerca de 97 por cento das caixas multibanco tinham sido adaptadas ao euro. Os mesmos dados referem que em Portugal 93 por cento das caixas automáticas davam euros.

Estamos, portanto, no eurocaminho certo. Tão certo como (entre muitos outros euroexemplos) as reformas dos nossos velhotes serem semelhantes a um afrocaminho.

Orlando Castro
Porto, Portugal - 04.01.2002
orlando@orlandopressroom.com

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