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Do Brasil: Comentário sobre a guerra actual


Em minha opinião, nesta guerra contra o terrorismo o real problema é a falta de estratégia. O que fará agora a coalizão? Eles não a tiveram até mesmo contra o objeto da conquista de Cabul pela Aliança do Norte!

Tentarei descrever como eu vejo a situação hoje e o possível enredo que nos apresenta. Em primeiro lugar, é muito importante não acreditar na euforia da "guerra ganha" como a mostram as manchetes da mídia. Estou deveras preocupado a respeito da verdadeira situação com o Talebã. Já repararam que eles abandonaram Cabul e outras cidades tão facilmente!.... Não houve nenhum combate de grande vulto. Até a Aliança do Norte admite, como disse o seu ministro dos negócios estrangeiros, Abdullah, que entraram rapidamente em Cabul porque a cidade estava abandonada! Muito estranha, mesmo muito estranha, essa "vitória" militar tão ligeira...

Assim, eu cogito em duas possibilidades para explicar essa tomada de Cabul: a existência de dissidência no seio do Talebã ou... eles estão se retirando para as montanhas a fim de prepararem uma guerra de guerrilha ou..., em altura propícia, calmante reorganizados, um contra-ataque suicida depois do inverno. Por outro lado, os bombardeamentos diários realizados pelas forças armadas e aviação dos Estados Unidos geraram pânico na população que, amedrontada, não continuou mostrando o seu apoio ao Talebã.

Como se sabe, em 1996 havia na maior parte do Afeganistão um apoio manifesto ao Talebã porque eles pareciam ser então a única força capaz de assegurar estabilidade e paz nesse país que já estava enfrentando 20 anos de guerra. Porém, agora é o contrário que está se registrando. Embora eu não tenha informação específica sobre a verdadeira extensão da repressão política exercida no país pelos fundamentalistas do Talibã, sou levado, no entanto, a crer que eles obtiveram maior e mais sincero apoio no interior do que nas cidades onde as pessoas disfrutam de maior grau de cultura geral, de mais liberdade, ouvem música, captam rumores que correm de boca em boca sob a forma de notícias vindas de fora, etc. Acho tão estranho o que está ocorrendo ali, que continuo convencido de que o Talibã ainda é muito perigoso e quanto mais acreditarem que eles estão já derrotados, mais perigosos eles se tornam. Cautela e caldos de galinha não fazem mal a ninguém que esteja atacdo de resfriado ou de gripe... Na presente situação eles não têm qualquer território sob seu controle, nem são governo. Ou seja: estão, afinal, mais "soltos" do que antes para fazerem o que menos se espera deles, o que lhes der na gana. Agora eles estão em melhores condições do que anteriormente, para perpetrarem atos de terrorismo seja nos EUA e/ou na União Européia, não é verdade? Hemos que nos lembrar que o tenebroso e atípico Al-Qaeda não foi destruído e está espalhado no mundo; mesmo que Osama bin Laden e o Mulá Omar sejam capturados ou mortos, isso não mudará em nada os desígnios da cúpula dessa criminosa organização internacional de fanáticos, que não é só integrada por afegãos, pois conta com árabes saudistas, egípcios, sudaneses e outros, até... americanos fundamentalistas ou membros de grupelhos ideológicos radicais capazes de particar os atentados mais hediondos contra os seus próprios compatriotas. A morte de bin Laden ou a de Omar não vai extinguir essa "máfia" fundamentalista islâmica porque não há ninguém insubstituível, conquanto por vezes demore algum tempo até se encontrar um susbstituto. O comandante Massoud, da NA, foi assassinado mas logo outro ocupou o seu posto de comando supremo, animado da mesma vontade de lutar e de vencer como o seu desventurado antecessor.
Outro aspecto do problema que existe por lá, é a situação política interna do país, embora a AN diga que aceita um governo democrático e pluralista... mas sem o Talebã. Regressou já o presidente deposto e fala-se em chamar também o ex-rei para ajudar na formação do novo sistema político, porque certas tribos continuam acreditando no ex-soberano... Francamente, nem assim estou enxergando uma estratégia definida e coerente em todo este assunto... A Aliança do Norte não pode governar o país sózinha. Isto é ponto assente. Ela representa apenas 15% da população, só avançou no teatro de operações porque teve e continua tendo, o apoio da Força Aérea dos EUA e utilizou (o que foi o mais importante para a AN) muitas armas herdadas da derrota da Rússia ou agora doadas por esta. O enredo que está sendo construído sugere um retrospecto a 1992 quando as mesmas forças tentaram montar um governo sendo, todavia, rejeitadas...

Confiemos que os EUA e o REINO UNIDO hajam aprendido com os erros cometidos no passado em relação ao Afeganistão. Quando os soviéticos foram derrotados em 1989, se os EUA e o REINO UNIDO tivessem algum interesse na situação, talvez o Talibã não tivesse assumido o poder ali. Mas o país estava entregue a si mesmo, estava abandonado, jogado "às traças" e ninguém se preocupou com os direitos humanos, com uma guerra civil, etc. Agora se a mesma coisa se repetir (oxalá que não) ... a Aliança Ocidental estará preparando novos terroristas para amanhã. A única solução a tomar é, pois, como se está pretendendo já mas ainda com vários "contudos" na sua execução, uma ampla e real negociação supervisionada por entidade credível emanada da comunidade internacional e com a participação activa de todos os grupos etnoculturais (como deveria fazer-se também em Angola e... em Moçambique (RENAMO...), conforme propôs há dias o Parlamento Europeu, mas sem a interferência mercenária da incoerente ajuda militar portuguesa ao regime ilegal e corrupto que persiste em conservar para si as rédeas do Poder naquela ex-colônia) e principalmente com os Pashtuns que constituem maioria étnica. É difícil predizer até aonde isto conduzirá mas... não se lobriga outra solução, de imediato. Deveria haver também um desarmamento da organização militar formada principalmente por muçulmanos e para isso, de acordo com a situação militar, a ONU deveria começar a desmilitarizar os diversos grupos. Todo esse processo deveria ser assumido e policiado pela ONU. Todavia, não se me afigura, face ao que está acontecendo em Angola, Congo (Kinshasa), Serra Leoa, Burundi, Ruanda, Namíbia, Zimabué, Libéria, Somália, Etiópia, Sudão, Chechênia, etc., que o seu secretário-geral, Kofi Annam tenha envergadura (mesmo com o Nobel da Paz que lhe foi outorgado) ou força bastante para, sem a orientação e o experiente apóio do Secretário de Estado norte-americano General Colin Powell (este sim, seria o mais competente ocupante de todos os tempos naquele difícil e exigente cargo da ONU) controlar o necessário processamento dessa ação, a qual, concomitantemente, requer a todos os governos que assumam uma atitude franca e inequìvocamente positiva, mesmo face aos irrequietos e pouco confiáveis mundos árabe, islâmico e... africano (algo indefinido e até... dúplice, nalguns casos) em ordem à importância da implantação da PAZ e à neutralização dos fundamentalismos religiosos de todos os quadrantes e de diversas roupagens não só daquele país da Ásia como também do Iraque, Síria, Líbia, Irão, Paquistão, Cachemira, Bangladesh, Coréia do Norte, Indonésia e Filipinas... É mister acabar com todos os santuários para terroristas em todo o Globo e com armas biológicas, químicas, nucleares e outras, várias outras.
Que os povos em que o Mundo está repartido, em estados ou nações que a tal se propõe (como os árabes da Palestina, os cachmires, os curdos, os emancipalistas do norte de SriLanka, e até o movimento dos índios do Brasil, os bascos, os irlandeses do Norte, os emancipalistas africanos da projetada Ambazônia, etc.), se GLOBALIZEM para a construção da PAZ, DA UNIÃO E DO PROGRESSO E BEM-ESTAR UNIVERSAL. O Presidente George Walter Bush e os seus brilhantes assessores (Colin Poewll, Rumsfield, Condolezza Ryan, etc.) têm razão: Oxalá todos os ouçam e lhes correspondem com lealdade e bom senso.

FIM AO TERRORISMO E AOS FUNDAMENTALISMOS NO PLANETA TERRA.

Carlos Mário Alexandrino da Silva
Lorena, Brasil - 20/11/2001
carsilva@iconet.com.br

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