PortÁfricas quer tornar visíveis as culturas africanas
Na primeira semana de Outubro o Porto recebeu o II PortÁfricas - Encontro de Culturas/Porto2002. Cinco dias com "saldo positivo" - garante Ivo Bessa Martins, presidente da AFRICAs - Associação Fraternal de Ritmos e Interacção de Culturas e Artes.
Cinema documental, conferências, estórias, dança, exposição colectiva de pintura, gastronomia, música, poesia e workshops foram os ingredientes de um evento que visa "criar uma interacção entre as comunidades africanas residentes em Portugal e o Grande Porto".
O auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett foi o ponto de "Encontro". "Conseguimos cruzar pessoas com interesses diversos e de distintas idades. Saímos satisfeitos, embora conscientes de que, em edições vindouras, há muito para reestruturar - aliás já estamos a preparar a edição de 2003. Sabemos que a fase de maturidade do evento ainda está longe", sustentou Ivo Bessa Martins.
Após o PortÁfricas 2001 e a Exposição Colectiva de Pintores Moçambicanos, que decorreu em Janeiro último, esta é a terceira iniciativa organizada pela Associação AFRICAs - que desta feita contou com a parceria da autarquia do Porto, bem como com os apoios da Fundação Calouste Gulbenkian, Delegação Regional da Cultura do Norte, Delegação Regional do Porto do Instituto
Português da Juventude e Instituto de Arte Contemporânea.
De acordo com a organização, "os apoios são, contudo, escassos. Não nos passam pelas mãos mais de cinco mil contos, o que é extremamente limitado quando se pretende fazer um evento com qualidade e visibilidade". Como se consegue, então? Ivo Bessa Martins justificou: "Consegue-se com muita luta, esforço, dedicação, perseverança e desgaste. Batendo à porta de toda a
gente".
Tornar as culturas africanas visíveis, apresentando as suas manifestações artístico-culturais contextualizadas e com as condições técnicas adequadas, é o propósito do PortÁfricas. "Portugal deve estabelecer uma ponte entre a África Lusófona e o resto da Europa - o que, talvez por falta de visão política dos nossos governantes, não tem acontecido. Vai sendo altura dos criadores artístico-culturais de origem africana entrarem nos roteiros culturais do país", alega a organização.
Também missão do evento é "deitar abaixo barreiras e dicotomias, ultrapassar obstáculos, estereótipos". Ivo Martins reclama: "É importante que as lusofonias africanas não sejam um desfilar de estereótipos, que as suas riquezas sócio-culturais e artísticas consigam fazer uma ponte entre o passado e o futuro".
Salomé Castro
Porto, Portugal - 08.10.2002
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