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Trocam-se as bandeiras mas permanecem as vontades...

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Está na ordem do dia na Europa e não só, o fenómeno político e social da ascensão ao poder na Áustria de um partido da extrema direita.
Muito se tem dito e várias são as manifestações públicas de repúdio em muitos países. É bom contudo deixar a poeira assentar e calmamente reflectir um pouco sobre as causas deste fenómeno. Vamos tentar saber como foi possível chegar a este estado de coisas. Porque será que de há uns anos a esta parte por toda a Europa os partidários da extrema direita têm crescido tanto ? Vamos fazer também um paralelo com Portugal. E o que vemos então ? Apenas bandeiras que mudaram de mãos e que continuam a levar atrás de si as mesmas multidões de sempre ! E o que são essas bandeiras ? São as da luta contra o desemprego, a favor de melhor segurança social, da preservação dos valores culturais nacionais, da segurança das pessoas e bens, pela dignificação das condições de vida dos lavradores e dos pescadores, etc, etc.
Não se deve pensar pois que por detrás de um Sr. Haider ou Le Pen estão os ricos e poderosos, porque não é verdade. Estes grandes interesses económicos geralmente apoiam os partidos de centro direita e de centro esquerda no poder na maioria dos países Europeus. E porquê ? Porque estes partidos deixaram-se seduzir pelas alcatifas do poder e adormecidos esqueceram os suas promessas e os seus programas e deixaram que as suas bandeiras tradicionais fossem roubadas.
Em vez de sairmos à rua a berrar e a esbracejar contra a extrema direita façamos todos um acto de contrição democrática e encontraremos as causas no nosso seio.
Em Portugal ainda estamos a tempo de arrepiar caminho e seguir uma politica social que faça a prevenção, na prática, das correntes ideológicas de extrema direita. Não com palavras e discursos mas encarando os problemas de frente e fazendo participar os interessados na sua resolução. Doutro modo chegarão os dias em que, enquanto nos salões se proclama a defesa dos valores democráticos e progressistas, na rua se queimarão casas de emigrantes africanos e se perseguirão pessoas apenas pela cor da pele e pela língua diferentes da nossa.
E está bem perto de nós esse rastilho afinal - é só atravessar a fronteira !...

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.
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