500 anos do Brasil - a oportunidade perdida... |
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Já se passaram os principais eventos das comemorações dos 500 anos do achamento do Brasil. Os presidentes encontraram-se, houve discursos com belas intenções declaradas e actos solenes de alguma pompa e circunstância. Para trás ficaram os protestos dos Índios e dos "Sem Terra" e uma carga policial despropositada que manchou de vergonha os festejos. Já aqui tinha escrito que, ou estas comemorações serviam para ambos os povos com vontade e lucidez contextualizarem o passado e enaltecerem o que de positivo ficou destes últimos séculos, ou então não valia a pena gastar rios de dinheiro para ficar tudo como dantes. Temo que o meu pessimismo se tenha confirmado. Não é só pelos incidentes lamentáveis que o digo, é fundamentalmente, porque não ouvi dos mais altos dignitários das duas nações as palavras que gostaria de ter ouvido e que me pareciam importantes. Palavras que olhassem para o futuro e que fossem fermento para iniciativas válidas e duradoiras. Palavras que falassem na nossa língua, único património que temos em comum, que merece um carinho e desvelo permanente. Numa altura em que o língua inglesa e espanhola tentam monopolizar o mundo ocidental, deixar passar esta oportunidade sem elaborar estratégias sérias de preservação da nossa língua, é para mim grave e preocupante. Foi o legado mais bonito que deixámos aos brasileiros, que eles sabiamente souberam enriquecer e adoçar, a nossa jóia da coroa comum e nem ela soubemos enaltecer nestes dias !... Chegou a hora de Portugal pedir ao Brasil que pegue na língua que lhe demos e a expanda e enriqueça continuamente tornando-a forte e cheia de pujança. O Brasil afirmar-se-á no mundo como grande potência económica que pode ser e levará a nossa língua aos quatro cantos do mundo. Que mais poderemos pedir uns aos outros ? Que melhor oportunidade teríamos para o fazer ? Será que teremos que ser nós, lusófonos, a pegar nas rédeas deste intento já que os nossos representantes máximos andam distraídos a reprimir manifestações e a inaugurar exposições iguais a muitas outras ?! José Dias Egipto escreve nesta coluna todas as semanas. Acrescentar como Favorito (341) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 3014
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