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Chegamos a um tempo que é difícil ser qualquer coisa por inteiro. Em qualquer situação se vê ou se lê que tal ou tal pessoa perante factos ou situações difíceis vacila e falta à verdade muitas vezes com o maior despudor. Os grandes homens de outrora honravam a palavra e os compromissos com naturalidade. Tinham opiniões reflectidas, fossem elas quais fossem, e defendiam-nas em público e em privado sem medo. Eram tempos de perseguições políticas, de guerras mundiais, mas nem isso os fazia vacilar. Hoje num tempo aparente de paz, de grande divulgação da informação, de regimes democráticos na Europa, o que se vê é o maior descalabro da idoneidade das pessoas e das instituições. A sociedade reflecte, como um corpo animado, no seu funcionamento, o conjunto das funções dos seus órgãos e não é pois de estranhar que assim aconteça. Se já não há pais capazes de educar para a cidadania os seus filhos, se nem tão pouco sentem vocação para o fazer ( embora tenham a bagagem cultural necessária ) que dizer daqueles que subindo abruptamente na escala social não têm tempo de acompanhar em cultura as chorudas contas bancárias ?...
Nunca como hoje se sente tanto a impunidade dos mais poderosos e corruptos, a força oculta daqueles que manobram na sombra das instituições transnacionais. É uma guerra surda entre as forças do "mal" e as do "bem" para controlar os avanços tecnológicos e científicos. Quem lê a imprensa ou vê a televisão, portuguesa ou brasileira, fica bem consciente deste descalabro, deste vazio de ideais, deste lamaçal em que estamos atolados.
Chegamos, de facto, a um tempo de sonâmbulos que vagueiam como cegos ao sabor das quimeras que lhes vendem a cada instante que os tornam tanto mais presunçosos quanto mais ignorantes e abúlicos...
E como a ignorância é atrevida, os cidadãos mais válidos retraem-se e não estão para se sujeitar às suas investidas. Contudo só nos resta um maior atrevimento na denuncia constante desta situação e uma maior coragem e empenhamento na vida pública pois já é tempo de começar a mudar este estado de coisas...

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.
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