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Às vezes ponho-me a pensar no que será o mundo daqui a vinte anos. Na altura em que nós estaremos velhos e caducos e os nossos filhos e sobrinhos estarão com a nossa idade mais ou menos. Eles hoje na casa dos vinte-trinta anos vivem sós, alguns ainda às custas dos pais, vagueiam pelo mundo em viagens constantes, mesmo com poucos recursos, numa ânsia incessante de procura e de novidade. Não querem casar porque já fizeram todas as experiências afectivas possíveis e não sentem qualquer apelo à estabilidade. As mulheres ou ainda fantasiam o casamento e vão perdoando aos namorados todo o tipo de aventuras ou então, também já cansadas de esperar e desiludidas em relação a um futuro que idealizaram cor de rosa, optam por ficar solteiras e sem filhos. Neste aspecto, aliás, estão todos de acordo - filhos nem pensar pelo menos por enquanto... Ora o "por enquanto " são já os trinta anos e mesmo assim acham que ainda é cedo para sacrifícios. Talvez resida mesmo aqui o problema - a necessidade de sacrifício e abnegação para tratar das crianças e dar-lhes a melhor educação. Nascidos da nossa geração que tudo pôs em causa - Deus, Pátria e Família - estes jovens adultos ( em grande percentagem filhos de pais separados ) carregam consigo um grande vazio de valores e mesmo de bagagem cultural, que os torna seres indefesos e inseguros. Como fazer compromissos nesta sociedade que lhes não dá emprego estável e com perspectivas de sucesso ? Como ter filhos sem o apoio das avós para os proteger e educar ? Como, se vivem no dilema entre entrar nos ritmos alucinantes de trabalho e da mobilidade e flexibilidade total de empregos e a vontade de ser marginal e de nada fazer ? Tudo lhes foi dado por nós de má fé, quase sempre para salvarmos a nossa má consciência e agora queremos que se sacrifiquem e constituam família, se possível numerosa, para combater o deserto demográfico das sociedades ditas desenvolvidas. Mas eles não querem e rejeitam todas as medidas de fomento da natalidade em curso nos países ricos. Preferem viver simplesmente o dia-a-dia como que empurrados ao sabor do vento da nossa preocupação crescente. Amanhã seremos nós idosos e indefesos, eles não terão mais a nossa protecção e carinho e ficarão eles também no limiar da terceira idade sós e confusos num mundo despovoado dos seus semelhantes e provavelmente invadido de gente de outros continentes e de outra cor e cultura. Já hoje nos países do norte da Europa estes indícios se vão concretizando. Já hoje o suicídio de jovens é um problema grave que as sociedades cobardemente ocultam da opinião pública. Não é preciso pois ser visionário...
Às vezes ponho-me a pensar no que será o mundo daqui a vinte anos e fico pessimista mas com imensa vontade que nada do que penso seja verdade !...

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.
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