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Homossexuais sim. Pais nunca...

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Pretende-se actualmente em Portugal aprovar, na Assembleia da República, uma lei que permita aos casais homossexuais a adopção de crianças. Como seria de esperar as opiniões dividem-se. Se uns apelam ao fim dos estereótipos sociais, valorizando nas "novas famílias" a constituir o amor pelas crianças, outros mais ligados às áreas da psicanálise e da psiquiatria alertam para os perigos da identificação das crianças com o modelo dos pais e com o risco de elas, assim, por lealdade afectiva, se tornarem também homossexuais.
Eu sem margem para dúvidas alinho nestas ultimas posições. Ao argumento de que é bem melhor entregar uma criança a um casal homossexual do que a deixar a vaguear na rua, eu contraponho que um mal não se pode remediar com outro mal. Não digo que não houvesse amor e carinho para essa criança no seio dessa família, que até esse afecto e desvelo pudessem ser maiores do que em muitos casais heterossexuais, mas a questão põe-se nos princípios e não na conjuntura social actual. Àqueles que dizem que já não há modelo de família e que portanto o que interessa é quem trate bem das crianças eu dir-lhes-ei que invertem as prioridades e que não percebem nada do crescimento e do desenvolvimento infantil.
Até aos três anos a personalidade da criança, grosso modo, está formada e nessa formação entra de forma decisiva a diferença de sexos entre os pais. Ela cresce e torna-se autónoma com base e referência no seu pai-homem e na sua mãe-mulher com todo o cortejo de fases de formação da individualidade que a psicanálise tão bem estudou. Ignorar isto é presunção ou pura ignorância. Apetece-me aqui imaginar o que diria Freud sobre o futuro equilíbrio emocional de tais crianças... É demagógico também servirem-se da miséria de muitas crianças que vivem sem pais ao abandono para, como remédio, sugerirem a sua adopção por casais homossexuais. Só quem não conhece toda a problemática da adopção poderá falar com tal ligeireza. Só quem quer tratar os graves problemas sociais dos nossos tempos pela rama das aparências pode descurar as soluções de fundo causadoras desse abandono e dessa miséria. Não confundamos pois "alhos com bugalhos"... Toda a criança tem direito a uma família composta por pai e mãe ( biológicos ou não ), ao amor desses pais e à educação e protecção promovidas pela sociedade mas, fundamentalmente nos primeiros anos de vida, pelo núcleo duro familiar. Pretender que tanto faz isto como a Escola, como as Instituições da Segurança Social ou como um casal homossexual é querer "lavar as mãos " das responsabilidades que todos nós temos na construção de uma sociedade mais justa e democrática. Sociedade essa onde, contudo, todos possam ter as suas inclinações sexuais mas nunca fazer delas novos modelos a seguir ( um par homossexual não é um casal ), seja a quem for, muito menos às crianças vulneraveis.
Haja pois bom senso e rigor no que se diz. E sobretudo haja exemplos de amor nas nossas vidas que possam servir de referência pela positiva às novas gerações.

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.
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