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Agora que se desenrola o Campeonato da Europa de Futebol damos conta da importância da intermediação para o êxito profissional dos futebolistas. Sem um bom empresário, qualquer futebolista - do menos dotado ao verdadeiro craque - não consegue sobreviver e singrar na carreira. Estes novos profissionais dão-se mesmo ao trabalho de observar os jogadores das camadas jovens e antevendo um bom futuro para algum promovem-no logo à ribalta, fazendo a sua divulgação pelos grandes clubes e ensinando-lhes logo em jovens os passos para a glória. Em contrapartida, noutros sectores o fenómeno é contrário.
Por exemplo no campo das artes e das letras. Aqui os empresários também são tudo mas estão do lado dos "presidentes dos clubes" e não dos "futebolistas" da escrita ou das artes plásticas. Dominam de tal modo os gostos e as modas, que aquele que até sabe dar "uns chutos" na pintura ou na poesia vê as portas fecharem-se nas editoras e o seu esforço perder-se por falta de quem lhe faça a necessária "propaganda". Numa sociedade da informação e da globalização consequente, os mediadores, "lato senso", estão a acabar. Os cidadãos são chamados cada vez mais a dar a sua opinião quase "on line" e a deixar os seus supostos representantes legais ( deputados locais e nacionais, presidentes de instituições corporativas, etc ) sem nada que fazer. Imagina-se no futuro uma Assembleia de Deputados alargada a toda a comunidade, onde a soma das opiniões expressas em cada momento, orientará a elaboração das leis e a ascensão e queda dos governos. Ora se a tendência geral é esta, em certos campos, como vimos, é contrária e os profissionais delegam em outros a condução da sua vida profissional ou vêem-se por eles impedidos de singrar. Se ficamos impressionados ao saber que um empresário de um jogador de futebol ganha milhões por cada contrato que consiga para o seu protegido, não deixa de ser também impressionante que centenas de autores permaneçam anónimos por falta de alguém que lhes abra as portas e lhes dê oportunidades. Oportunidades também de verem o seu trabalho e inspiração ( as virtualidades das suas fintas afinal...) recompensados financeiramente e não como até aqui, ser proveito quase exclusivo das chamadas distribuidoras e das galerias que detêm a esmagadora percentagem do preço dos livros e das obras de arte. As livrarias e galerias virtuais poderão ser um bom remédio para tanta injustiça mas por enquanto ainda há muito caminho a desbravar. Esse caminho só terá fim quando cada criador puder ter a sua editora em casa e ser julgado não pelos empresários mas pelos leitores, que assim obrigarão à publicação do que realmente gostam. Porque entre um futebolista criador e um criador futebolista ( amante do futebol como desporto...) haverá sempre uma grande diferença - um é agente e beneficiário do espectáculo ; o outro é por coerência marginal aos dois. E não há ainda "olheiros" como no futebol para os descobrir !

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.
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