Os Jovens e a Cidadania |
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Nas últimas estatísticas internacionais, Portugal aparece como o país da União Europeia com mais adolescentes infectados pelo vírus da Sida e ao mesmo tempo com o maior número de mães adolescentes. Como é isto possível, é a pergunta que se ouve com frequência nas conversas de rua e de café. Então numa era de grande difusão da informação como é possível que os nossos jovens não saibam prevenir-se contra a SIDA e a gravidez indesejada ? É um problema de facto de extrema importância e prende-se com a aprendizagem das regras de cidadania de uma forma geral. Que importa a divulgação das regras em abstracto se os jovens não as vivenciam no seu quotidiano ? Que lhes pode ficar como nova conduta a ter em conta, quando os ensinos são feitos sem conteúdos práticos e sem o conhecimento de experiência ( embora alheia...) feito? Hoje em dia pretende-se levar à pratica nas Escolas uma área de Educação para a Cidadania e discute-se os modelos a implementar. Uma coisa parece óbvia : ou essa aprendizagem é vivida para ser percebida e assim mudar comportamentos ou então transforma-se em mais uma série de aulas "chatas" para preencher o tempo ou em meia dúzia de folhetos parecidos com os publicitários que se deitam fora na primeira esquina. E mais grave do que isso - podem ter um efeito perverso e paradoxal, ou seja, os alunos com a irreverência natural da adolescência ficarão com a apetência mais para transgredir do que para cumprir o que tão enfadonhamente lhes tentarem incutir. É claro que tudo isto se prende com o atraso cultural de Portugal mas esse atraso não pode funcionar sempre como álibi para não se tomarem as medidas correctas, mesmo que mais dispendiosas, para o ultrapassar. Os nossos jovens da classe média não têm qualquer tipo de contacto com as inúmeras associações de solidariedade social existentes, nem preparação para digerir as notícias que todos os dias invadem os jornais sobre violações dos Direitos Humanos por este mundo fora. Falta-lhes alguém que discuta com eles abertamente estes problemas que os levem a visitar os Hospitais, os Lares de Idosos, os Abrigos para crianças da rua e para mães solteiras etc, etc. Só assim através do choque que essas realidades lhes podem causar e pelas conclusões que daí tirarem, se podem modificar os seus comportamentos porque deixaram de ser objectos passivos para passaram a serem o sujeito das suas atitudes, agora mais reflectidas. Mas atenção, tudo isto deve começar logo no ensino primário porque aí as crianças estão muito mais abertas e "descomprometidas" com o sistema que mais tarde, na adolescência, os vai moldar e alienar. José Dias Egipto escreve nesta coluna todas as semanas. Acrescentar como Favorito (333) | Refira este artigo no seu site | Visualiza珲es: 3968
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