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O Verão serviu-se frio...

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Acabou a época de férias. A "rantré" política já se iniciou e o país vive numa crise política profunda. Não vou dizer que a culpa nasceu agora mas também não adianta falar sempre do passado para justificar os erros e as omissões.
A novela de Barrancos voltou a ser o ponto central das discussões como se o país não tivesse problemas sérios a resolver e se pudesse dar ao luxo de se entreter com pequenas polémicas. Sobre este assunto é já tempo de apontar o dedo aos maiores responsáveis - os deputados da Assembleia da República. A lei já por lá passou foi objecto de discussão exaustiva e o país tem o direito de exigir aos seus representantes que solucionem o problema de uma vez por todas.
Mas nem só de touros se falou e ainda bem. Falou-se na crise na saúde e a SIC fez mesmo do problema uma obsessão de dias, procurando capitalizar audiências na guerra sem quartel que trava com as outras televisões. É pena que um assunto tão grave e complexo não mereça um outro tipo de abordagem, sob pena de a população ficar com uma visão parcelar da realidade e até com motivos de revolta que embora legítima, pode não ser bem direccionada. Aqui como em outros problemas - estou-me a lembrar da segurança pública - os assuntos em vez de serem escalpelizados são aflorados pela rama e como solução dá-se por exemplo a mudança de um ministro e não de uma política.
O governo entra no Outono politicamente de rastos e não se pode queixar de ninguém senão da sua incapacidade para mobilizar os portugueses. Há um ano teve Timor como muleta e conseguiu através do empolgamento espontâneo da população manter os índices de popularidade capazes de lhe dar quase uma maioria absoluta na Assembleia da República. Este ano o Verão foi bem diferente e sem algo de exterior para galvanizar e "aquecer" as pessoas. Sem novas políticas para as áreas chave do país bem pode dizer-se que a vingança do povo ( que se sente no fundo enganado ) se serviu fria neste calor do Verão. Assim saibam agora os governantes arrepiar caminho e conquistar de novo o eleitorado com políticas de verdade e com objectivos bem definidos. Caso contrário que outros o façam e quanto antes...

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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