Cidadania a quanto obrigas !... |
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Iniciou-se este ano nas escolas portuguesas uma nova disciplina sobre Cidadania. Embora não curricular, estas aulas pretendem dar aos alunos as noções básicas dos direitos e deveres dos cidadãos numa democracia. Pretende-se também, confrontá-los com situações práticas da vida em sociedade, para assim eles terem a percepção vivida da aplicação desses conceitos na realidade que os cerca. Muito se tem falado da necessidade ou não desta iniciativa da Educação para a Cidadania e da forma encontrada pelo governo para a implementar. Infelizmente tenho que concordar com ela em traços gerais. Se não for a Escola a sensibilizar os jovens para os seus direitos e deveres, para o sentido da solidariedade e da partilha quem o poderá fazer ? Como a família, ela própria em permanente mutação, está incapacitada na maioria dos casos, de dar testemunho desses valores e como as crianças e jovens aprendem fundamentalmente com o que vêem e o que ouvem só resta a Escola para, de algum modo, debelar esta carência. Uma pergunta contudo paira no ar - será que os professores estão preparados para dar esse testemunho ? É que não basta debitar meia dúzia de conceitos e ler meia dúzia de deliberações das Nações Unidas para abrir os jovens à vivência da solidariedade e fraternidade. Será sempre, e mais uma vez, o testemunho dos professores enquanto docentes competentes e dignos, que dará crédito aos valores que se querem divulgar. Aqui como em todo o lado será obrigatoriamente de dentro para fora que a sociedade avançará, nunca com obediências cegas e à força. Estes métodos coercivos costumam, em Portugal ( e não só...), dar resultado a curto prazo mas na primeira esquina são desrespeitados por todos. Veja-se por exemplo o fenómeno do holiganismo na Inglaterra e o dos neo-nazis na Alemanha. Em Portugal ainda estamos a tempo de iniciar o ensino da Cidadania aos nossos jovens mas para isso temos que os "apanhar" logo na pré-primária e nunca mais os esquecer. Caso contrário a adolescência trará a imitação dos comportamentos dos adultos próximos, sem a capacidade de crítica para os abandonar. José Dias Egipto escreve nesta coluna todas as semanas. Acrescentar como Favorito (318) | Refira este artigo no seu site | Visualizaes: 3553
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