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Pausa escolar - todos " à beira de um ataque de nervos" !

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Esta semana não houve aulas nas escolas portuguesas do ensino oficial. Como o primeiro período é longo achou por bem o Ministério da Educação dar uma semana aos professores para reunirem os conselhos de turma e neles analisarem, com a devida calma, o trabalho feito e planearem, conforme as necessidades de cada aluno, o corrente ano lectivo. É uma pausa para retemperar forças e estabelecer estratégias de actuação.
Contra esta medida todos os anos levantam-se as vozes dos pais, clamando que as crianças e adolescentes não têm para onde ir e que eles não sabem o que fazer. Em primeiro lugar quero dizer que não sou professor mas conheço muito bem o dia-a-dia das escolas porque para além de ser pediatra tenho na família e nos amigos muitos professores. Poderei mesmo dizer que conheço, em desabafos constantes, as duas visões do problema. Do lado dos professores o que é que eu vejo? Uma classe "à beira de um ataque de nervos". E porquê? Porque para além dos programas oficiais que têm que leccionar há inúmeros problemas que, não lhes dizendo respeito directamente, se vêem forçados a resolver e de uma forma crescente. Quais são ? A falta notória de preparação dos alunos, o alheamento total dos pais para tal facto, a solidão terrível de que são vítimas as crianças e os adolescentes o que em somatório lhes traz insegurança, revolta, indisciplina e consequentemente um muito baixo aproveitamento escolar. E o que sinto do lado dos pais ? Um grupo de cidadãos "à beira de um ataque de nervos"também. E porquê? Porque a vida de hoje não lhes dá espaço para se dedicarem ao acompanhamento dos filhos e para os educar no seio da família. Resultado de tudo isto : a) nas escolas sucedem-se as reuniões de grupo, de turma, de disciplina, os conselhos pedagógicos, as reuniões com pais, etc,etc. Na prática os professores do ensino básico e secundário perdem mais de metade do tempo lectivo a tratar de assuntos da estrita competência dos pais e encarregados de educação. Boa palavra esta - encarregados de educação. Será que hoje ainda podemos usar este termo no seu sentido correcto ? Ao fim de um dia que deveria ser de aulas o que resta de transmissão calma e participada de conhecimentos ? Muito pouco. De quem é a culpa ? Para os pais dos professores; b) nas famílias sucedem-se as discussões e o jogo do empurra das responsabilidades. Como saída mais fácil pedem-se aos pediatras expedientes burocráticos para se justificarem as faltas ao serviço durante esta semana. O resultado é um grande desconforto, fruto de uma ambivalência de sentimentos de culpa quer em relação ao trabalho que tiveram que deixar, quer à ausência de tempo nos dias normais para puderem desfrutar da companhia dos filhos como afinal nesta semana. Portugal neste caso segue o exemplo da Europa que faz pausas a meio dos períodos para o mesmo fim. Se é assim é porque pedagogicamente foi considerado correcto. Não vamos, pois, nós querer inovar numa área em que o atraso é por demais conhecido !... Se reflectirmos melhor veremos que o drama desta semana de pausa escolar extravasa os muros da escola e a própria idade escolar. Ele começa quando os filhos atingem os três meses de idade ! Já se metem cunhas - pasme-se - para arranjar um infantário para o bebé mesmo antes de ele ter nascido !E fica-se aflito quando o dito infantário tem que fechar as portas, um único mês no ano, geralmente em Agosto, para poder dar férias aos seus funcionários. Não me venham dizer os pais que em férias também não têm tempo para as crianças ! Eu sei que o problema é complexo mas convém às vezes não embarcar em juízos fáceis. Perante esta realidade que eu conheço bem, "bater" nos professores e na Escola é dar tiros no pé e arranjar bodes expiatórios para um mal estar geral que se sente na sociedade actual. Inventemos tudo de novo, porque é preciso e urgente, sob pena de dissolvermos por completo as famílias, fazermos das crianças cobaias e transformarmos as escolas em tutorias e pouco mais...

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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