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" Normose " e " Ego-esclerose "...

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Um dos programas que vejo com certa assiduidade na televisão é o do Jô Soares no canal GNT. Feito com mestria por esse grande actor traz-nos sempre algo para aprender tão interessantes são muitos dos seus convidados. Num dos últimos que vi fiquei a conhecer um professor brasileiro cujo nome infelizmente esqueci, que faz, entre outras, terapia pelo riso com óptimos resultados. Segundo ele há duas grandes doenças na nossa sociedade : a "normose" e a "ego-esclerose". A "normose" , se bem entendi, põe-nos todos ,insidiosamente, iguais em gostos e hábitos de vida e faz crescer em nós a total dependência às modas, aos estereótipos sociais dos consumos compulsivos de objectos inúteis, trazendo uma ansiedade crescente após cada privação ; a "ego-esclerose" pelo seu lado torna-nos cada vez mais individualistas e egoístas sem capacidade já para gestos de solidariedade e de compaixão verdadeira pelo próximo. Falou também, nesse programa, nos cinco sentimentos básicos que nos influenciam a vida e com os quais devemos saber lidar : o medo, a alegria, a raiva, a tristeza, e por fim o amor. Nas suas terapias pelo riso e pelo relaxamento que ele proporciona, combate pela alegria o medo, a raiva e a tristeza e a abre as portas interiores para o amor ao próximo como a nós mesmos.
Palavras simples a deste "jovem" idoso professor brasileiro ! Palavras difíceis de entender deste lado de cá do charco onde os professores para serem ouvidos têm que falar difícil e serem distantes e carrancudos na postura. São destas lições do povo brasileiro que nós portugueses precisamos para entrar no novo ano e no novo século. Esta capacidade de nos rirmos de nós mesmos e dos outros que nos intimidam com pretensas superioridades, conduzir-nos-ia, de facto, à humildade necessária e à alegria de viver em paz. Por outro lado a vontade de fugir à homogeneização social que muitas vezes é sinónimo de desprezo por hábitos culturais genuínos e nossos, deveria fazer de nós cidadãos "anormais" e abrir caminho para nos sentirmos de bem com a nossa pele interior e exterior. Porque estou convencido que o desapego e a alegria irão ser as senhas de um novo mundo a construir.

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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