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Injecção assistida...

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Não, não é de nenhum novo motor automóvel que lhes vou falar hoje.
Trata-se do projecto de instalação de salas de "chuto" para toxicodependentes pomposamente apelidadas pelo governo de salas de injecção assistida ou asséptica. Há vários projectos visando a sua implementação nas cadeias e nos bairros mais problemáticos mas segundo parece ainda não será desta vez que se dará esse passo efectivo.
O governo, aqui como em muitos outros campos, titubeia com medo de se aliar à extrema esquerda, de perder votos e de ser penalizado em popularidade. Ora neste particular nem sequer se trata de um problema de espectro politico já que salas destas já foram implementadas na Europa por governos de direita e de esquerda. Trata-se apenas de fazer um "penso rápido" a uma das maiores chagas sociais da actualidade mundial. "Penso rápido" porque à partida sabe-se que a doença continuará e que esta medida pontual apenas vai preservar os que ainda não se drogam com substâncias ilícitas ( agora também despenalizados em termos de consumo ) da potencial contaminação dos viciados. Estes terão também melhores condições higiénicas para se injectarem, ficando assim mais controlados em termos geográficos e sanitários.
Por algumas destas razões terei que estar de acordo com esta medida mas sentir-me-ia mal se não denunciasse as potencias consequências perversas. É que de tão assistidas as populações marginais da nossa sociedade poderão transformar-se em perseguidas agora já não por polícias armados para as pôr na cadeia mas por profissionais da saúde e da assistência social para os tornar assépticos dentro de outras paredes que os voltarão a cercar. Como diria Tamaro "a liberdade conquistada ao longo das ultimas décadas através da libertação de tudo o que era considerado um peso demonstra agora toda a sua fraqueza e gratuitidade. Não levou a lado nenhum, senão a um lugar aonde as pessoas perderam o respeito por si próprias, pelos outros seres humanos e por tudo aquilo que os rodeia." Estas medidas que são indubitavelmente necessárias não poderão, contudo, fazer-nos esquecer que " o homem que vemos hoje é pobre e fundamentalmente perdido, um homem frágil que vive suspenso entre a incapacidade de enfrentar o presente e a ansiedade do futuro."
Por isso, digo eu, até quando se droga ( e há tanta droga que permanece lícita e socialmente aceite !...) precisa de ser assistido !...

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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