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Ébrios de felicidade?

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Um inquérito recentemente divulgado pela imprensa veio confirmar o que há muito já se suspeitava - um terço dos estudantes do ensino superior dizem já ter consumido um qualquer tipo de droga ilícita, sendo o haxixe a mais popular.
Mas o que mais nos deve preocupar é o consumo exageradíssimo das drogas lícitas à cabeça das quais estão as bebidas alcoólicas. Se hoje em dia não fumar não é nenhum estigma negativo, embora se fume bastante entre os jovens como sempre se fumou, o não beber bebidas alcoólicas é um factor desprestigiante para qualquer jovem que se quer integrar no seu grupo de amigos. Nunca como agora este fenómeno foi tão marcante o que, associado a outros velhos preconceitos machistas, nos leva a pensar que velhos estereótipos julgados já mortos e enterrados com a emancipação feminina, começam a aflorar de novo à superfície dos comportamentos. Pode-se contrapor que as raparigas hoje fumam mais que os rapazes e que os acompanham nas bebedeiras de igual para igual. Não digo o contrário mas será isso assim tão linear ? Será que essas condutas são valorizadas pelos seus companheiros ? Ou será que muita da sua exuberância os afasta de compromissos sérios para a vida e os empurra para velhos conceitos de "pureza" feminina para os firmar?
Se cruzarmos os dados deste inquérito com outros sobre os ideais dos jovens rapazes veremos como os dados se baralham e não se consegue chegar a grandes conclusões. Uma coisa é certa: hoje em dia um jovem de sucesso é aquele que bebe até ficar ébrio que aproveita esse estado para curtir até altas horas da madrugada com os seus amigos de ambos os sexos e que experimenta ocasionalmente drogas ilícitas sempre que a oportunidade aparece. A dependência do álcool é tão grande que sem ela já não conseguem atingir a boa disposição e a desinibição necessárias para passar uma noite agradável. A partir daqui todos os comportamentos "desviantes" são possíveis e explicáveis. O mais interessante é que os mesmos órgãos de comunicação que os denunciam com algum escândalo são os primeiros a fazerem a apologia das novas leis protectoras desses comportamentos. É preciso pois ir mais fundo nestes inquéritos e procurar as razões para a necessidade de tanta evasão e dependência sob pena de continuarmos a legislar a reboque de fenómenos que consideramos perfeitamente naturais e depois hipocritamente ficarmos perturbados com o resultado destes inquéritos denunciados na praça publica. Fomos nós que legamos aos jovens este estado de coisas, não podemos ter a má consciência de os abandonar com meia dúzia de leis que legalizam apenas, em ultima instância, o seu arrastado sofrimento.

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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