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Contra Obesos e Fumadores - a mesma luta ?

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Comemorou-se mais uma vez O Dia Mundial do não Fumador. Várias são as recomendações a favor da diminuição do consumo do tabaco e da protecção aos não fumadores. Este ano aliás foi centrada a atenção precisamente naqueles que embora não fumando são vitimas no trabalho e nos recintos fechados do fumo daqueles que continuam a fumar.
Como médico e como cidadão não posso deixar de estar de acordo com estas recomendações. Como observador atento da hipocrisia reinante no mundo não posso contudo de chamar a atenção para a total complacência dos poderes constituídos perante o aumento desenfreado do consumo de alimentos de má qualidade com o consequente aumento em flecha do número de obesos nos países desenvolvidos. Estima-se que neste momento haja cerca de 250 milhões de obesos no mundo e facto preocupante as crianças desde muito novas são as primeiras vítimas. Todos sabemos que à cabeça dos países com maior incidência de obesidade está os E.U.A.; sabemos também que as maiores cadeias de "fast-food" são americanas ; sabemos que estas campanhas internacionais precisam do aval dos E.U.A. para serem eficazes. Percebemos então porque nunca se denunciaram estes verdadeiros atentados à saúde pública.
Como pediatra encontro cada vez mais crianças obesas na minha consulta ; assisto ao eclodir na juventude da diabetes tipo II que era quase exclusiva dos adultos ; sinto a total incapacidade dos pais para seguir um regime alimentar para os seus filhos. A propaganda a toda a categoria de guloseimas abundam sem travão nos meios de comunicação social e torna os pais reféns dos seus efeitos ; "compram-se" as crianças com brindes que se oferecem para que eles comam alimentos com altos teores de calorias e de gorduras ; não se faz qualquer tipo de intervenção reguladora nas cantinas das escolas e das empresas. Mais grave ainda - não se toma consciência que a má alimentação provoca também dependência e em breve terá de ser considerada uma droga como outra qualquer. Mas, contudo, há uma diferença : pode-se prescindir, na vida, do álcool, do tabaco e das drogas, mas não de comer ; mas para comer bem é preciso que haja tempo nas famílias para a confecção dos alimentos e responsabilidade nas escolas e no Estado no exemplo que devem dar.
As escolas têm feito um grande esforço nos últimos anos nas ementas das suas cantinas mas lutam sozinhas contra as famílias que se encarregam de anular na prática os conceitos já adquiridos. Só medidas mais intervencionistas da parte do estado poderão causar algum impacto na opinião pública.
Quando chegará o dia em que à porta dos restaurantes de certas cadeias multinacionais será obrigatória a afixação deste aviso : "O estado português previne que o consumo dos alimentos deste estabelecimento pode provocar graves danos à sua saúde e à dos seus filhos " ?
Deixemo-nos pois de hipocrisias e encaremos todos os problemas de saúde pública de igual maneira sem precisarmos de nos vergarmos às conveniências e aos ditames dos E.U.A.

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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