Todos os países da lusofonia

Galeria Lusófona

Arte Lusófona
Literatura Lusófona
Sabores Lusófonos
Advertisement

Blogs Recomendados

Alto Hama
Pululu
Malambas

Empresas Destaque

Horas Lusófonas

Os novos caminhos da espiritualidade

PDF Imprimir e-mail
Há uma frase célebre de Andre Malraux que diz que o século XXI será o século da espiritualidade ; contudo, é bom salientá-lo, há a necessidade de encarar esta espiritualidade de uma forma nova e adaptada aos tempos de hoje. De facto num mundo de forte pendor individualista onde cada um tem a sua verdade, a procura do transcendente tem de ser também individual e singular. Muitas pessoas de boa fé não entendem, ainda hoje, o que significa este novo fenómeno e ainda vêm na palavra espiritualidade um bicho de sete cabeças, algo arcaico e ligado às tradições e cultos das várias Igrejas instituídas.
Não querem perceber que a uma época de sacralização crescente do humano, como a nossa, terá forçosamente que se seguir um retorno aos valores mais transcendentes e a uma nova harmonia entre o terreno do Homem e o "terreno" abandonado do sagrado. O ser humano apesar de todos os avanços da ciência e da tecnologia tem necessidade constante de dar resposta à pergunta milenar do sentido para a vida, principalmente agora depois de ter "matado" Deus e de não o ter substituído por coisa nenhuma. Por outro lado a secularização crescente da religião, a que temos vindo a assistir, não tem deixado lugar senão a uma moral incipiente e totalmente insuficiente para dar a resposta à pergunta anterior. Temos assim criado aparentemente um beco sem saída que os intelectuais na sua maioria escondem na capa de um pretenso ascendente que lhes viria da sua erudição e da sua fé nas capacidades ilimitadas do Homem. Não podemos escamotear que, nesta sociedade do espectáculo e da banalidade, aqueles que por opção se dedicam às artes ou à literatura possam alcançar, na busca, na fruição e na partilha do belo, um patamar de sabedoria e de elevação que os torna diferentes dos demais. Contudo essa mesma condição é já por si uma antecâmara de algo que vive para além da imanência dos seres ou objectos e que, sem o reconhecerem ou sentirem, os remete para algo mais além. Não precisa assim essa espiritualidade de estar ligada a qualquer culto nem de ser sinónimo de fé em qualquer imortalidade da alma - ela existe porque é sentida como algo superior aos valores da sociedade instituída, como uma pergunta sempre aberta e sem resposta, que contudo muda comportamentos e relativiza as metas do nosso quotidiano. As religiões instituídas e a católica particularmente em Portugal, têm que perceber este fenómeno emergente e criar pontes de entendimento e de harmonia. Não mais a pequena visão paroquial que segrega por ser redutora e que excluindo, tantas vezes de forma arrogante e sobranceira, se torna assim profundamente retrógrada. As janelas da espiritualidade já estão abertas nas mentes e nos corações de milhões de pessoas por este Ocidente fora ; há que as abrir ainda mais sem contudo pecarmos por excesso, ofuscando de novo os povos com os faróis antigos apontados para qualquer Roma, Meca ou Jerusalém. A juventude não entende hoje em dia proibições ou recomendações sem lhes perceber as razões e os alcances. Ora essas restrições morais e éticas só podem partir de dentro de cada um num processo livre de compreensão e busca espiritual. É preciso pois ir ao encontro e não de encontro a estes jovens que serão os cidadãos do futuro; eles já vivem demasiado oprimidos e tristes na sua aparente liberdade e euforia material. Pô-los a pensar e a chegar a conclusões, sem medo que estas não sejam exactamente iguais às nossas, será o único caminho para lhes fazer despontar a espiritualidade de que estão tão sedentos, muitas vezes sem se darem por isso.

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

Acrescentar como Favorito (336) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 3385

Seja o primeiro a comentar este artigo
Coemntários RSS

Só utilizadores registados podem escrever comentários.
Por favor faça o login ou registe-se.

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Advertisement

Comunicados

António Marinho e Pinto - Mudar Portugal

Ler mais...

Broa de Avintes - não tem asas nem sabe voar

Ler mais...
 
| cheap car hire portugal