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Os nossos compatriotas em férias estiveram durante dias privados de estabelecerem ligações telefónicas através dos seus telemóveis para Portugal devido à sobrecarga de chamadas nas suas respectivas operadoras que, por sua vez, necessitam da Marconi para as ligações em "rooming". Hoje um dos responsáveis referiu que, de entre os motivos para tal "entupimento" estavam as milhares de mensagens escritas que actualmente se fazem em Portugal.
De facto todos os dias sou confrontado com inúmeras anedotas que os meus colegas e amigos trocam entre si, para além dos simples bilhetinhos sem qualquer importância.
Já há muito que procuro um significado para esta "febre" comunicativa e sinceramente vou sempre bater ao mesmo porto - o isolamento que cada um sente dentro de si próprio. Quando as pessoas preferem isolar-se , mesmo à mesa de um café com amigos, para sorrateiramente enviarem bilhetinhos a pessoas que muitas vezes mal conhecem e gastam nisso o tempo de convívio, é porque algo se passa no que se convencionou chamar intersubjectividade. Ora é precisamente neste leito da intersubjectividade que crescem e se fortificam os sentimentos de partilha, de ajuda e de amor. Pode-se pensar também que hoje em dia é mais fácil comunicar à distancia do que olhos nos olhos e talvez seja verdade. Há uma qualquer barreira que se vence, talvez aquela que se estilhaça quando nos expomos às criticas e nos mostramos no nosso melhor e pior. Não creio que seja através destas milhares de mensagens ( a preços baratíssimos, note-se ) que se consiga melhorar a relação entre as pessoas. Mas também não vou ao ponto de pensar que não servem nem significam nada de positivo. Talvez elas substituam em parte aquele postal que se enviava antigamente aos familiares e amigos que no fundo significava que estávamos vivos e nos lembrávamos daqueles que nos estavam próximos. Tudo são sinais dos tempos e trazem sempre boas e más noticias. Talvez o problema resida mais nas prioridades que temos no dia-a-dia que nos "entopem" também os canais de comunicações com o nosso semelhante e que, infelizmente, nem por escrito as resolvemos.
De qualquer modo é caricato, e de certa forma perturbador, saber que muitos que precisam mesmo de comunicar do estrangeiro se vejam privados de o fazer para que outros na sua cidade ou bairro mandem bilhetinhos aos vizinhos !

José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.

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