Clonar também o amor, é preciso ! |
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Está na ordem do dia da ciência médica mundial a clonagem de embriões para fins terapêuticos. Daí à clonagem de um ser humano "inteiro", segundo alguns, iria apenas um pequeno passo. Os defensores propagandeiam a possibilidade futura de curar inúmeras doenças através de células estaminais capazes de reconstituir tecidos de órgãos lesados e devolver as funções perdidas ou gravemente comprometidas. Os apologistas da proibição de tais experiências alegam que a porta ficaria irremediavelmente aberta o todo o tipo de experiências e "monstruosidades". Os médicos estão também divididos e a linha que os demarca nem sempre coincide com outras que os separaram aquando da questão do aborto ou da "pílula do dia seguinte". Agora o problema é mais controverso e delicado porque a par de vantagens evidentes ( que ainda falta provar no terreno de forma inequívoca ) há também perigos de eugenias aventureiras que ninguém depois poderia controlar. Aqui como em muitos outros assuntos o bom senso e a prudência devem imperar. Talvez valesse a pena, contudo, agora mais do que nunca, pensar um pouco nas contradições dos nossos tempos e ver que a par desta ânsia de encontrar a cura a todo o preço para certas doenças ( muitas delas próprias do envelhecimento natural do ser humano ) se está por outro lado a poluir desmesuradamente a atmosfera e as águas, a fomentar os ódios mais primários e as desigualdades mais ignóbeis em manchas enormes de populações, que não pedem mais, afinal, do que a possibilidade de viverem em paz ( com todas as doenças inerentes, apenas, a estar vivo...). Os avanços da ciência e da biotecnologia tem que andar a par de outros avanços bem mais importantes à sobrevivência e ao "bem estar" de um planeta inteiro. Que se prossigam as experiências de clonagem de células embrionárias através dos milhares de embriões que existem nos frigoríficos dos serviços de fertilização "in vitro", com as cautelas e a supervisão necessárias, tudo bem. Mas que os responsáveis políticos não se esqueçam que sem a "clonagem" dos valores espirituais, da bondade, da partilha solidária e do Amor, não se chegará a lado nenhum, nem a porto seguro, sob pena de criarmos um mundo fantástico de clones cheios de saúde num planeta cada vez mais doente e agonizante. José Dias Egipto escreve nesta coluna todas as semanas. Acrescentar como Favorito (324) | Refira este artigo no seu site | Visualizaes: 3439
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