Após os trágicos acontecimentos do dia 11 de Setembro criou-se um ambiente politico no Ocidente que dificulta a expressão daqueles que sempre denunciaram a falta de valores morais ou espirituais na sociedade dita civilizada. É difícil, pois, hoje em dia, a vida para os intelectuais moderados e para os que praticam uma qualquer forma de vida espiritual. Autores ateus ou agnósticos como Eduardo Lourenço ou Saramago há muito nos falavam do Esplendor do Caos ou do Ensaio sobre a Cegueira chamando-nos a atenção para o rumo desumanizado que a sociedade actual estava a levar; outros autores convictamente espiritualistas faziam-no de igual forma apelando para a urgência do reatar da ligação da Humanidade com o transcendente. De uma certa forma para ambos a Caverna de Platão estava nas suas mentes e havia que saber como, de uma forma ou de outra, sair dela. Com os exemplos do fanatismo religioso do Islão, a sociedade do hedonismo e do espectáculo, levou um grande choque mas ainda não soube tirar as lições implícitas dessa catástrofe. Não percebeu que sem valores espirituais que possam ser o contraponto ao fanatismo islâmico não conseguirá sobreviver em paz a médio e a longo prazo. A pouca fé dos ocidentais serve de pasto para aqueles que levando a sua fé a extremos alienantes, ateiam guerras santas contra "a sociedade dos infiéis". A nossa resposta para ser eficaz e dissuasora só poderá ser a de mostrarmos que somos também Homens de fé e que para além disso sabemos organizar a sociedade de forma democrática e livre. As religiões institucionalizadas no Ocidente têm também que dar exemplos de fé e não mostrar que também elas estão minadas pelo medo e por falta de convicções e de testemunhos. O aparente fracasso da peregrinação a Fátima de 13 de Outubro último poderá ser disto um bom exemplo. O mundo ocidental não pode continuar a ser este paraíso do consumo material e da sacralização das imagens, no meio de um enorme vazio espiritual ; porque, se continuarmos assim inalteráveis, só poderemos responder às provocações e às ameaças terroristas com bombas e com alguns bens materiais oferecidos por caridade e não chegaremos a alcançar os objectivos traçados. Bem vistas as coisas a ameaça do Islão e dos seus fanáticos está há muito a larvar dentro da alma enfraquecida de cada um de nós e é ela, antes de mais, que teremos que, urgentemente, erradicar !...
José Dias Egipto
escreve nesta coluna todas as semanas.
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